O gesto aconteceu no último jogo da Itália na primeira fase da Eurocopa, contra País de Gales, equipe que durante o torneio sempre se ajoelhou no início dos jogos em protesto contra a discriminação racial.

Cinco jogadores da seleção italiana se ajoelharam, entre eles os ítalo-brasileiros Emerson Palmieri e Rafael Tolói. Outro nascido no Brasil que defende a seleção azzurra, Jorginho, preferiu não acompanhar os colegas. O fato gerou críticas na imprensa e nas redes sociais. E o time todo promete ajoelhar sexta-feira contra a Bélgica. 

A atitude chamou ainda mais atenção porque Jorginho é ídolo do Chelsea, da Inglaterra, time que tem a prática de se ajoelhar antes das partidas, como os demais times ingleses. Na Eurocopa, a seleção inglesa também repete o ato antes de todos os seus jogos, assim como a Bélgica. 

O brasileiro Willian é um dos que desempenham papel mais relevante na luta do futebol britânico contra o racismo.

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Na Itália, críticos dizem que simbolismo, apenas, não adianta nada

A maioria das 24 seleções no torneio optou por nunca se ajoelhar. Mas no jogo da Itália contra Gales, pela primeira vez na competição, uma seleção se dividiu: metade resolveu se ajoelhar, e a outra metade permaneceu de pé.

A atitude da seleção italiana gerou muita polêmica no país, com parte defendendo a opção dos jogadores que ficaram de pé sob o argumento de que o ato de se ajoelhar é uma atitude simbólica sem qualquer efeito na luta contra o racismo.

O ítalo-brasileiro Jorginho. Foto: Reprodução/Instagram

Outra parte considera que, apesar de simbólico, o gesto serve de exemplo para os fãs que acompanham as partidas e manda um recado valioso dos ídolos para aqueles que os seguem.

O responsável pela comunicação da seleção italiana, Paolo Corbi, tentou explicar o duplo sinal transmitido pela equipe após a vitória da Itália sobre o País de Gales por 1×0:

“Em nome de todo o time, reforçamos que somos contra qualquer forma de racismo. Fomos criticados e queremos esclarecer nossa posição. Não aderir completamente a uma forma simbólica de protesto não significa ignorar a luta contra o racismo.”

Jorginho e o time da Itália vão se ajoelhar na partida de sexta

Depois da partida contra Gales, uma reunião de todos os jogadores italianos selou um pacto de que todos deveriam passar a adotar uma postura única, apesar de alguns dos jogadores reivindicarem o direito à liberdade de expressão e o respeito às próprias ideias. 

A posição vencedora foi a de que o time todo deverá permanecer de pé ou se ajoelhar em conjunto se o adversário assim o fizer. Como o jogo seguinte ao de Gales foi contra a Áustria, que não se ajoelhou, todos os azzurri permaneceram de pé.

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Quem se decepcionou com Jorginho poderá ver o craque ajoelhar na próxima sexta-feira (2/7), quando a Itália enfrentará a Bélgica pelas quartas de final da Eurocopa.

UEFA avalia que gesto não desrespeita regulamento

Como a equipe da Inglaterra desde o início da Eurocopa teve a atitude de protestar, a federação inglesa, a mais antiga do mundo, acionou a UEFA a fim de evitar que sua seleção viesse a ser punida por se ajoelhar.

Os regulamentos, tanto das eliminatórias da Copa (onde os ingleses também se ajoelharam), como da Eurocopa, proíbem manifestações políticas.

O ato de se ajoelhar antes de partidas esportivas começou no Estados Unidos em 2016 e foi adotado pelos times ingleses e pela seleção britânica no ano passado, depois da morte de George Floyd. O protesto esteve presente ao longo de toda a temporada passada do Campeonato Inglês.

A UEFA deu a permissão ao acatar a argumentação da federação britânica de que a luta contra o racismo não é uma luta política, mas um ato de defesa dos direitos humanos.

Dessa maneira, os ingleses puderam se ajoelhar na partida válida pelas Eliminatórias contra a Polônia. Diante dos adversários ajoelhados, os poloneses permaneceram de pé, mas apontando com o dedo para a inscrição “Respeito” na manga da camisa de seus uniformes.

O técnico polonês, o ex-craque Boniek, classificou a atitude dos britânicos como um “gesto prático inútil”.

Já outro craque ainda em atividade, o sueco Zlatan Ibrahimovic, acredita que o exemplo dado pelo esporte pode funcionar:

“A política divide, o esporte une.”

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