Bem antes dos tempos de redes sociais, um personagem entrou para a história dos Estados Unidos como um dos líderes mais carismáticos e com mais seguidores de todos os tempos: Billy Graham, um evangelista que se tornou tão influente a ponto de virar conselheiro de vários presidentes do país. 

A Public Broadcasting Service, rede de televisão educativa dos Estados Unidos, lançou em maio o documentário Billy Graham: Oração, Política, Poder. O programa, com duas horas de duração, mostra a vida, a carreira e o legado do líder, com imagens e depoimentos de historiadores, jornalistas e do próprio Graham.

Para quem não tem acesso ao canal ou tem acesso regional restrito às plataformas onde ele está disponível (ITunes e Amazon), um compacto da produção e alguns traillers dão a ideia do impacto de Graham e de sua capacidade de hipnotizar multidões. 

Em uma entrevista em que é perguntado sobre o que tinha e que outros pastores não tinham, a resposta é “não sei, fico tão surpreso com isso quanto qualquer outra pessoa”. Ele atribuiu a capacidade a um dom divino. 

Grahan pregou em mais de 185 países

Billy Graham nasceu na Carolina do Norte, estudou em colégio católico e começou a ser pastor ainda na faculdade, onde se formou em Teologia. Mas antes de se dedicar à pregação religiosa, vendia escovas de limpeza. E já demonstrava a sua capacidade de oratória e de convencimento. 

A fama começa a surgir após sua ida para Los Angeles, onde ele pregou para estádios lotados. Em 1950, fundou a Associação Evangelista Billy Graham.

Segundo a associação que leva seu nome, Graham evangelizou em ao menos 185 países do mundo e converteu mais de 3 milhões de pessoas, em grandes eventos chamados “cruzadas”. 

Países onde o pastor realizou cruzadas (Fonte: Wikipedia)

O filme mostra sua ligação com os presidentes americanos e com o poder. Entre os episódios mais marcantes de sua ligação com presidentes está uma ida à Casa Branca para rezar para o presidente Harry Truman. Historiadores e biógrafos falam da associação da religião com a polarização política. 

http://

Entre os presidentes dos quais se tornou próximo está  Richard Nixon, com quem chegou a desfilar em carro aberto.

Documentário mostra a vida do evangelista Billy Graham
Pastor acena para o público em carreata com o presidente Nixon. Foto: reprodução/PBS
Símbolo conservador, pastor se tornou influenciador de presidentes

Andrew Dole, professor de religião do Amherst College, disse em um artigo sobre o líder religioso no portal  The Conversation que Graham foi considerado como “aquele que reviveria o Evangelismo”, conduzindo-o para uma nova versão, mais moderna, livre de visões fundamentalistas:

“Com o passar do tempo, ele se tornaria próximo a um porta-voz oficial do movimento.”

Leia também:Variante Delta da Covid-19 vira munição para campanha antivacina do movimento radical QAnon

Já David Mislin, professor-assistente de patrimônio intelectual na Temple University, destaca no artigo do The Conversation que o pastor foi um dos maiores responsáveis pela penetração da religião na linguagem política americana.

Graças a Graham, o presidente Dwight Eisenhower realizou em 1953 a primeira edição do Café da Manhã de Oração Nacional, evento que é hoje tradição em Washington, reunindo membros das elites política, social e empresarial americana para orarem juntos. 

Documentário mostra a vida do evangelista Billy Graham
Graham (esq.), ao lado do ex-presidente George W. Bush. Foto: Reprodução/PBS
Graham criticou integração dos negros nos EUA e atacou Obama

O pastor foi também reacionário. Durante as transformações socioculturais que ocorreram nos anos 1970 e 1980 nos EUA, iniciativas como a integração racial em escolas foram chamadas por Graham de “sinais de um país em decadência”.

Antes da reeleição de Barack Obama, o religioso dizia que “a liderança de Obama levaria à fúria de Deus” e que era algo que “distanciava as pessoas dos ideais cristãos rumo à imoralidade”. 

Billy Graham morreu em fevereiro de 2018, aos 99 anos. Diversos presidentes americanos prestaram suas homenagens a ele, como Donald Trump, George H. W. Bush, George W. Bush e até Barack Obama. 

Leia também

Série de podcasts discute tendências da mídia na América Latina sob a ótica das mulheres