Relatório sobre Belarus publicado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) aponta que, em um ano, 500 jornalistas foram detidos pelas forças nacionais de segurança. 

Agressões a profissionais e batidas em redações se tornaram uma rotina — há cerca de um mês uma operação policial esteve em 70 endereços de veículos de imprensa e residências de profissionais, sendo que 15 jornalistas foram presos.

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“O ano não foi fácil”, afirmou recentemente o presidente, Alexander Lukashenko. Após uma reeleição contestada pela população em agosto de 2020, com protestos em massa, a atual gestão passou os últimos 12 meses dedicada à repressão destes manifestantes, o que inclui a imprensa.

50 mulheres em uma cela que deveriam caber quatro

Os relatos levantados pela RSF incluem o de uma jornalista que foi espancada seminua, e privada de comer durante 24 horas. Alena Dubovik, repórter da Belsat TV, relata ainda que foi espremida com outras 50 mulheres em uma cela destinada a quatro pessoas.

Neste ano de gestão Lukashenko, quase 70 jornalistas foram vítimas de violência grave desferida pelas forças nacionais de segurança. Natalia Lubneuskaya, do site de notícias Nasha Niva, afirma ter sofrido uma lesão no joelho, atingido por bala de borracha.

RSF publicou relatório sobre um ano de governo Lukashenko, que se reelegeu em 2020 em Belarus. (Divulgação)

A repórter Ruslan Kulevich, do portal Hrodna.life, teve as mãos quebradas por golpes de cassetete no momento em que foi presa, e permaneceu detida por dois dias.

Um ano após a sua reeleição, o presidente ainda precisa explicar que o pleito foi honesto. Lukashenko afirma que os protestos que se seguiram após sua vitória são uma ameaça à unidade nacional.

“​​Alguns [o governo] preparavam eleições justas e honestas, outros pediam a queda das autoridades, um golpe de Estado”, insistiu, em conversa com jornalistas nesta segunda-feira (9/8).

Lukashenko sequestrou voo comercial para prender blogueiro

A pressão do governo sobre a imprensa tem também a sua forma jurídica. Daria Chultsova e Katsiaryna Andreyeva foram condenadas a dois anos de prisão por filmar manifestações, a primeira sentença do gênero em Belarus.

“Processos criminais sob acusações espúrias caracterizam-se pela prisão provisória prolongada sem fundamento, a ausência de qualquer investigação e a violação das salvaguardas básicas que garantem o devido processo legal. Eles [os processos] fazem parte do arsenal de armas do governo para silenciar jornalistas”, afirma a RSF.

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Desde o sequestro do voo RF 4978 da RyanAir, para deter um blogueiro, a repressão instaurada por Lukashenko é objeto de investigação pelo Ministério Público da Lituânia, com base na sua jurisdição universal, por “sequestro de avião com intenção terrorista”.

Reeleição de Lukashenko em 2020 desencadeou onda de protestos em Belarus. (Ang/Unsplash)
Sites tirados do ar

“Uma imprensa livre e independente, pilar da democracia, é o principal inimigo de Alexander Lukashenko em seu desejo de submeter o povo bielorrusso à sua autoridade”, afirma Jeanne Cavelier, chefe do escritório da RSF para a Europa Oriental e Ásia Central.

O relatório cita ainda sites tirados do ar e seus editores processados.

O presidente de Belarus é classificado pela RSF como um dos “predadores da liberdade de imprensa”. Na lista com líderes mundiais  também está o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Belarus caiu cinco lugares no índice mundial de liberdade de imprensa 2021 da RSF, e agora está na 158ª posição entre 180 países.

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