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A era Musk: Quem aplaudiu a compra e quem largou o Twitter depois da venda para o bilionário

Donald Trump e Jameela Jamil reagiram à compra do Twitter por Elon Musk (Fotos: Unsplash e Instagram)

A compra do Twitter pelo empresário Elon Musk movimentou as discussões na rede social e fora dela. Enquanto muita gente viu com bons olhos o negócio de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 214 bilhões), outros criticaram a aquisição. 

Famosos e ativistas se dividiram entre aplaudir e vaiar a compra da empresa pelo homem mais rico do mundo. Alguns estão até abandonando a rede social em protesto.

No cenário interno, funcionários da empresa também estão incertos sobre o futuro do Twitter com o novo dono.

Alguns famosos deixam o Twitter, enquanto outros celebram

Nada disso parece abalar Musk. “Yesss!!!”, celebrou no site ao ter a compra anunciada. Em comunicado, ele prometeu “tornar o Twitter melhor do que nunca”.

Mas até entidades de jornalismo temem que as ideias do novo dono possam ameaçar o jornalismo.

Por desconfiar das intenções do novo dono do Twitter, a atriz britânica Jameela Jamil, da série “The Good Place”, foi uma das primeiras celebridades a se despedir dos seguidores na rede.

“Ah, ele conseguiu o Twitter”, escreveu. “Temo que essa oferta de liberdade de expressão ajude essa plataforma infernal a atingir sua forma final de ódio, intolerância e misoginia totalmente sem lei. Boa sorte.”

https://twitter.com/jameelajamil/status/1518676806261477386

O ativista e escritor americano Shaun King, que ganhou destaque no início do movimento Black Lives Matter, excluiu sua conta no Twitter horas antes da confirmação da compra do site por Musk.

Antes de sair, ele criticou o bilionário. “Em sua raiz, Elon Musk querendo comprar o Twitter não é sobre esquerda x direita. É sobre poder branco”

“O homem foi criado no Apartheid por um nacionalista branco.

Ele está chateado porque o Twitter não permite que nacionalistas brancos ataquem/assediem as pessoas. Essa é a definição dele de liberdade de expressão.”

A atriz Mia Farrow postou um tweet, que já foi deletado, dizendo:

“Bem, se o Twitter se tornar ainda mais tóxico – com mentiras traiçoeiras de Trump e todo o ódio – será levado menos a sério, e pessoas como eu vão desistir – pela paz da mente.”

Depois de receber críticas de seus seguidores, Farrow pareceu mudar de ideia, e pediu a Musk para “manter o Twitter digno de suas conquistas anteriores e de pessoas legais em todos os lugares”.

https://twitter.com/MiaFarrow/status/1519119742325383169

O ator George Takei, do “Star Trek” original, expressou sua desaprovação, mas prometeu continuar na plataforma.

“Eu não estou indo a lugar nenhum. Se este lugar se tornar mais tóxico, comprometo-me a me esforçar ainda mais para elevar a razão, a ciência, a compaixão e o estado de direito.

A luta contra o fascismo, a desinformação e o ódio requer lutadores durões. Espero que você continue na luta, bem ao meu lado.”

A atriz J. Smith Cameron, da série “Succession”, sugeriu que poderia considerar outro site de mídia social devido à aquisição de Elon Musk.

Ela escreveu logo após o anúncio: “Alguém está pronto para encontrar outro fórum que não seja de Musk, sem desinformação e fluxo ininterrupto de ódio não filtrado?”

Mick Foley, astro de luta livre, admitiu que está pensando em deixar a plataforma, mas ainda não a abandonou. Logo após que a compra do Twitter por Musk foi confirmada, ele escreveu:

“Vou pensar seriamente em deixar o [Twitter] para sempre em um futuro próximo. Eu não tenho um bom pressentimento sobre para onde esta plataforma está indo.”

https://twitter.com/RealMickFoley/status/1518703583935356928

Entre aqueles que viram como algo positivo a compra do Twitter por Elon Musk, está o polêmico jornalista da Fox News Tucker Carlson.

“Hoje é a maior vitória para a liberdade de expressão”, diz a tarja do seu comentário na emissora sobre a aquisição.

“As piores pessoas do mundo acham que isso é uma ótima notícia, o que diz tudo o que você precisa saber”, alfinetou o jornalista Aaron Rupar ao compartilhar o print de Carlson no ar.

Outra pessoa que aprovou a negociação foi o ex-presidente dos EUA Donald Trump — porém, ele garantiu à Fox News que não pretende retornar ao Twitter mesmo com o novo dono.

Trump foi banido da rede social depois da invasão do Capitólio, em 2021, e criou a sua própria, a Truth Social.

“Não vou para o Twitter, vou ficar na Truth”, disse Trump à emissora horas antes do anúncio oficial da aquisição. “Espero que Elon compre o Twitter porque ele fará melhorias nele e ele é um bom homem, mas vou ficar na Truth”.

A Truth Social foi lançada no início de março e, desde então, acumula problemas e uma fila com mais de 1,5 milhão de usuários tentando acessá-la.

Para Trump, porém, os obstáculos enfrentados até então não fazem a plataforma inferior à de Elon Musk.

“O que estamos descobrindo é que a Truth é muito melhor do que estar no Twitter. Lá tem bots e contas falsas, e estamos fazendo tudo o que podemos [para evitar isso].”

E acrescentou: “A conclusão é que não, não vou voltar ao Twitter”.

O ex-presidente disse que o Twitter “se tornou muito chato porque os conservadores foram expulsos ou saíram da plataforma quando eu saí”.

“Tornou-se chato porque não havia interação”, disse Trump. “A interação na Truth tem sido incrível.”

Trump não quis comentar se esteve em contato com Musk recentemente, mas uma fonte disse à Fox News que eles têm um relacionamento “muito bom e são amigos”.

A fonte citou Trump vindo em defesa de Musk em 2018, depois que o CEO da Tesla foi acusado de fraude de valores mobiliários por tweets enganosos sobre uma possível transação para tornar a empresa privada.

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Funcionários do Twitter se dividem entre incerteza e esperança

Enquanto a opinião pública se divide, a repercussão interna foi relatada pelo jornalista Casey Newton em sua newsletter, a Platformer.

Nas primeiras horas da manhã de segunda-feira, havia muita ansiedade, apreensão e incerteza, já que fazia dias que os chefes do Twitter não compartilhavam nada com eles sobre a negociação com o bilionário sul-africano.

No Slack da empresa, um funcionário fez piada questionando se alguém estava animado com a perspectiva de trabalhar para Musk; as respostas não foram tão bem humoradas, afirmou Newton.

Pouco antes do fechamento dos mercados, chegou a notícia: Elon Musk era confirmado como novo dono do Twitter. As reações foram diversas.

“O sentimento nos canais públicos do Slack foi bastante preocupado e negativo, disseram os funcionários a ele.

‘Fiquei meio surpreso com o quanto as pessoas pareciam estar desistindo’, me disse um. ‘Grande chatice’, falou outro.”

Mas conversando individualmente com as pessoas, Newton relatou que as respostas foram mais moderadas.

“Alguns funcionários com quem conversei estão abertos à ideia de que um Twitter privado administrado por Musk tem uma chance maior de melhorar o serviço do que uma empresa pública em dívida com seus acionistas.”

“Eles gostam do fato de que ele quer eliminar bots prejudiciais e trazer mais clareza sobre como os algoritmos de recomendação funcionam.”

Uma verdadeira preocupação geral, porém, é que muitos funcionários do Twitter recebem metade ou mais de sua remuneração em ações. Com Musk dono da plataforma, a empresa não negociará mais na bolsa, pois será de capital fechado.

“Uma pessoa me disse que ‘os bate-papos em grupo estão discutindo sobre se trabalhar no Twitter faz sentido econômico em primeiro lugar’.”

A expectativa é que o negócio leve cerca de seis meses para ser fechado por causa da aprovação de órgãos reguladores econômicos.

Na segunda-feira, o CEO Parag Agrawal disse que não haverá demissões no curto prazo, embora não tenha comentado se haverá um congelamento de contratações. 

“Parece haver pelo menos alguma probabilidade de a empresa sofrer um desgaste significativo, principalmente nas fileiras de liderança – e nas equipes que trabalham para combater o assédio e o abuso.

No lado positivo, o relatório de lucros da empresa na quinta-feira não tem mais potencial para afundar ainda mais suas ações.”

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Ativistas manifestam preocupação com violação de direitos humanos

Com Elon Musk dono do Twitter, ativistas e organizações expressaram preocupação com a violação dos direitos humanos na rede social.

A ONG Acess Now cobrou que diretores, executivos, funcionários e acionistas da empresa, bem como Musk e investidores que apoiam a negociação, a “tomar medidas imediatas passos para afirmar e fortalecer os compromissos, políticas e práticas do Twitter para defender os direitos humanos na plataforma.”

“A menos que as proteções necessárias aos direitos humanos estejam incluídas nos termos da venda – que ainda não foram divulgados – os acionistas do Twitter devem votar contra o acordo em defesa dos usuários mais vulneráveis ​​da plataforma.”

A organização aponta que a privatização do Twitter pelo bilionário reduz as oportunidades de transparência e responsabilidade, inclusive em questões de governança de conteúdo, proteção de dados e governança corporativa.

“Elon Musk tem uma compreensão limitada da liberdade de expressão e das complexidades que cercam seu prazer prático”, disse Javier Pallero, diretor de políticas da Access Now.

“Sua aparente falta de preocupação com a importância da moderação de conteúdo na plataforma reflete sua consideração limitada sobre como os espaços online podem ser hostis para grupos marginalizados.

Também ignora a relação muitas vezes tensa entre as mídias sociais e o discurso político, e os problemas de escala, nos quais até mesmo o conteúdo legal pode se tornar uma arma quando circulado em massa”.

Já a Hope not Hate, do Reino Unido, destacou que teorias de ódio e conspiração pode ganhar ainda mais força no Twitter com a troca de gestão.

“Quando se trata de combater o ódio, o Twitter está longe de ser perfeito. Mas suas diretrizes atuais significam que há um processo para remover o ódio da plataforma.

Como comunidade, tivemos muito sucesso em remover contas que espalham ódio. Sob a liderança de Elon Musk, essa abordagem pode estar em risco.”

O grupo lançou uma carta aberta para Elon Musk afirmando que conspiracionistas famosos receberam com alegria a notícia da aquisição da rede social e, por isso, cobram dele ações para que pessoas banidas não sejam aceitas novamente na plataforma — caso do ex-presidente dos EUA Donald Trump.

“Em termos de impedir que extremistas como Tommy Robinson e Britain First espalhem seu ódio nas mídias sociais, o movimento anti-ódio fez progressos significativos nos últimos anos.

Com Elon Musk comprando o Twitter, há um risco real de que esses grupos acabem assumindo o controle mais uma vez.”

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