Londres – O Twitter aumentou a pressão contra Elon Musk, convocando para o dia 13 de setembro uma assembléia de acionistas para votar na compra da empresa pelo empresário por US$ 44 bilhões. 

Depois de semanas questionando o número real de usuários da plataforma, em 8 de julho o homem mais rico do mundo anunciou a decisão de cancelar a aquisição, acusando o Twitter de falhas na contabilização de contas de spam e bots.  

Na semana passada, a plataforma divulgou os resultados do trimestre, responsabilizando a incerteza do turbulento processo de compra pelas perdas reportadas. 

Pressão máxima sobre Musk para concluir compra do Twitter 

A reunião de acionistas vai ocorrer antes do inicio do julgamento do caso, servindo como elemento de pressão para demonstrar que o conselho quer a operação concluída e reforçar os danos ao negócio caso ela não ocorra até 24 de outubro, como previsto no acordo. 

Depois que a desistência de Musk foi formalizada pelos advogados, o Twitter moveu um processo judicial para obrigar o empresário a cumprir o acordo, que prevê multa de US$ 1 bilhão em caso de desistência. 

A defesa do empresário queria que a disputa fosse a julgamento no início de 2023, utilizando como um dos argumentos a complexidade do caso.

Como fez outras vezes, o empresário reagiu ao processo com ironia no próprio Twitter, destacando que a plataforma será obrigada a apresentar os dados sobre números de usuários no tribunal. 

Mas na semana passada, o Twitter obteve uma decisão favorável em uma audiência prévia, e o julgamento de cinco dias será em outubro.

A chanceler do Tribunal de Delaware, Kathaleen St. Jude McCormick, ironizou a tentativa de adiamento, afirmando que “a parte subestima a capacidade deste tribunal de processar rapidamente litígios complexos”.

No processo de 60 páginas, o Twitter alega que o chefe da Tesla “se recusa a honrar suas obrigações para com o Twitter e seus acionistas porque o acordo que ele assinou não serve mais aos seus interesses pessoais”.

O Twitter argumenta que Musk está tentando recuar porque concordou em pagar 38% acima do preço das ações do Twitter pouco antes da queda do mercado de ações.

E que as ações da fabricante de carros elétricos Tesla, que compõem a maior parte de sua fortuna pessoal, perderam mais de US$ 100 bilhões em valor.

A assembleia de acionistas será transmitida por webcast. Os acionistas poderão assistir à reunião ao vivo e depois votar, disse a empresa em um comunicado protocolado na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. 

O conselho de administração do Twitter já pediu as seus acionistas para aprovarem aprovar a venda da empresa para Musk.

Confusão em torno da compra teria gerado perdas 

A compra do Twitter por Elon Musk vem sendo marcada por controvérsias. Ao anunciar a decisão de adquirir a plataforma e sinalizar mudanças importantes como a flexibilização da moderação, o empresário foi rechaçado pelos executivos e funcionários do Twitter.

Havia dúvidas sobre se ele levaria a oferta adiante. Mas ele o fez, e o conselho aceitou a proposta de venda do Twitter por US$ 44 bilhões.

A partir daí começou outra saga, com discórdia pública entre o bilionário e o CEO do Twitter, Parag Agrawal, em torno do número real de usuários, que poderia ser de 5% a 20%. Um dos posts de Agrawal foi respondido por Musk com um emoji de cocô. 

No entendimento de Musk, o número mais alto de contas fake ou spam do que inicialmente divulgado comprometeria o valor do negócio, afetando as projeções futuras de lucro.

Segundo o Twitter, as confusões foram parcialmente respsonsáveis pelos resultados financeiros divulgados na semana passada. 

Embora o número de usuários diários da rede social tenha aumentado no segundo trimestre, para 237 milhões, a receita decepcionou. 

Analistas esperavam faturamento de US$ 1,32 bilhão, representando um crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2021.

Mas houve uma queda de 1%,  a pior perda da empresa, com resultados 11% abaixo das estimativas, de acordo com análise da Refinitiv.

Ao apresentar o balanço, o Twitter justificou que a “incerteza” abalou a confiança dos anunciantes e causou preocupação entre os funcionários. A rede social também culpou os ventos contrários da indústria de publicidade pela desaceleração.

A empresa disse que já gastou US$ 33 milhões em despesas relacionadas à aquisição

No primeiro trimestre deste ano, o Twitter havia apresentado resultados positivos, com receita de US$ 1,2 bilhão, um crescimento de 15,9% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. 

O lucro líquido foi de US$ 513,2 milhões — sete vezes mais do que o do mesmo período de 2021. E o valor de mercado da marca também havia subido. 

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