Londres – As tensões entre a Rússia e nações ocidentais por causa da invasão da Ucrânia estão fazendo até os controlados diplomatas perderem a paciência e se envolverem em situações classificadas pelo país governado por Vladimir Putin como “russofobia”. 

A mais nova crise diplomática no país foi provocada por um vídeo postado em um canal no Telegram no dia 30 de julho, mostrando a cônsul norueguesa em Murmansk disparando um sonoro “eu odeio russos” para o recepcionista de um hotel da cidade. 

Nesta quinta-feira (4), o embaixador Rune Resaland teve que se explicar, depois de convocado oficialmente pelo Ministério das Relações Exteriores russo. Conseguiu colocar panos quentes, mas não foi capaz de manter Elisabeth Elllingsen no país.  


Protestos do governo Putin pela russofobia da diplomata 

O vídeo que deu origem à crise foi postado no fim de semana pelo canal Mash Telegram, que segundo a mídia russa tem ligações com os serviços de segurança estatais.

E provocou protestos no país, já insuflado por narrativas do regime de Putin que tratam a condenação à guerra como discriminação contra o país, ou “russofobia”. 

Pela posição da câmera, a filmagem parece ter sido obtida por uma câmera de segurança do hotel. 

O motivo da explosão da diplomata norueguesa, recheada de palavrões, foi a limpeza do quarto.


“Eu odeio russos… Apenas me dê um quarto… Estou acostumada com quartos limpos, sou da Escandinávia”, disse Ellingsen em inglês, reclamando que os russos limpam mal os quartos. 

Logo que o vídeo começou a circular, no fim de semana, o  Ministério das Relações Exteriores da Noruega apressou-se em dizer que “lamentava profundamente” o incidente.

“Os sentimentos expressos não refletem a política norueguesa ou a atitude norueguesa em relação à Rússia”, disse o órgão em uma nota oficial. Mas não foi suficiente para a administração de Vladimir Putin. 

Segundo a agência de notícias estatal Tass, o Kremlin descreveu o caso como “um ato ultrajante de ódio, nacionalismo e xenofobia”.

A nota à imprensa emitida após o embaixador se explicar no Ministério nesta quinta-feira, assinada pela assessora de comunicação da pasta, Maria Zakharova, afirma que Resaland ouviu “fortes protestos”, mas se desculpou pelo “incidente ultrajante”.

E que isso teria sido “levado em consideração “, indicando que a crise diplomática foi contornada. No entanto, o comunicado diz que a permanência de Elizabeth Ellingsen no território da Federação Russa “tornou-se impossível”.

Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Noruega, Guri Solberg, confirmou que o embaixador foi informado de que Moscou revogou o visto de Ellingsen. Ela já teria deixado a Rússia. 

Discriminação a russos justifica várias sanções de Putin

Desde o início da guerra com a Ucrânia, meios de comunicação, autoridades e empresários russos sofreram sanções por parte de outros países, que vão de bloqueio à entrada em seus territórios a confiscos ou congelamento de bens.

O próprio presidente Putin foi alvo de várias delas, assim como membros de seu governo e aliados próximos. 

A Rússia tem dado o troco, anunciando regularmente novas listas de pessoas proibidas de entrar no território ou multas a companhias internacionais, principalmente as plataformas de mídia social, que se recusam a remover conteúdo que incomoda o governo. 

O termo russofobia passou a ser empregado nos comunicados oficiais do governo ao divulgar sanções, como aconteceu na semana passada com a Nova Zelândia. 

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