Londres – Em plena campanha eleitoral para escolha de um novo primeiro-ministro, com as tensões entre Reino Unido e China na pauta dos debates eleitorais, a conta do Parlamento britânico no TikTok durou apenas uma semana, por medo de espionagem. 

Nesta quarta-feira (3) a casa anunciou o fechamento da conta, depois que parlamentares questionaram o risco de autoridades da China terem acesso aos seus dados, já que o TikTok pertence à empresa chinesa ByteDance.

O acesso a dados de usuários por integrantes da ByteDance na China não é teoria da conspiração. Ele foi admitido pelo próprio CEO da plataforma nos EUA, Shou Zi Chew, em uma carta enviada a uma comissão de senadores americanos há algumas semanas. 

Risco de espionagem no TikTok preocupou  parlamentares sancionados 

Segundo anunciou o Parlamento, a ideia de utilizar o TikTok tinha como objetivo uma aproximação com jovens, muitos desconectados da política. 

Os parlamentares não gostaram. Sete deles já sofreram sanções do país. Reino Unido e China vivem trocando farpas. Ambos suspenderam as transmissões das respectivas emissoras de TV estatais (BBC e Rússia Today) em seus territórios. 

No entanto, a saída do TikTok não é uma política nacional. O governo tem uma conta oficial no TikTok, Downing Street 10 (como é chamada a sede do governo e residência do primeiro-ministro).

Ao informar sobre o recuo, o porta-voz do Parlamento sugeriu que era apenas uma experiência. 

 “Com base no feedback dos membros, estamos fechando a conta ‘piloto’ TikTok do Parlamento do Reino Unido mais cedo do que havíamos planejado.

“A conta foi uma iniciativa piloto enquanto testamos a plataforma como uma maneira de alcançar públicos mais jovens com conteúdo relevante sobre o parlamento.”

A conta foi bloqueada e seu conteúdo foi excluído.

Quem procura ParlamentoUK no TikTok acha a mensagem “esta conta agora está fechada. Encontre-nos em www.parliament.uk.”

O site de notícias Politico teve acesso a uma correspondência enviada por um grupo de parlamentares aos líderes das duas câmaras que compõem o Parlamento – Comum e dos Lordes – manifestando preocupação com a possibilidade de “o governo de Xi Jinping ter acesso aos dados pessoais nos telefones dos filhos”. 

Os autores argumentam que, apesar de serem questionados pelo comitê de seleção de negócios, os executivos do TikTok “não conseguiram tranquilizar os parlamentares de que a empresa poderia impedir a transferência de dados” para sua controladora, a China. 

A parlamentar que assina a  correspondência pedindo o fechamento da conta, Nus Ghani, do Partido Conservador, tuitou a carta depois da volta atrás da direção do Parlamento, agradecendo os líderes das duas casas por “defenderem nossos valores e proteger nossos dados”, acrescentando que o “bom senso prevaleceu”. 

Executivos do TikTok tentam contornar

Theo Bertram, vice-presidente de relações governamentais e políticas públicas do aplicativo na Europa, disse em julho que “nunca nos pediram para fornecer dados de usuário do TikTok ao governo chinês, e não o faríamos nem se isso fosse solicitado”.

O mesmo discurso para rebater o risco de espionagem por parte da China foi usado pelo CEO do TikTok nos EUA. 

Na carta enviada aos senadores americanos em resposta a questionamentos feitos como parte de uma comissão parlamentar, Shou Zi Chew escreveu que não entregariam os dados. Mas admitiu que são vistos pela empresa na China. 

“Funcionários fora dos EUA, incluindo funcionários baseados na China, podem ter acesso aos dados de usuários do TikTok nos EUA sujeitos a uma série de controles robustos de segurança cibernética e protocolos de aprovação de autorização supervisionados por nossa equipe de segurança sediada nos EUA.”

Apesar das negativas, a possibilidade de a empresa recusar se o governo da China pedir é pequena. Todas as empresas chinesas são de propriedade ou severamente controladas pelo governo. 

E o histórico da China com uso de redes sociais  para acompanhar os passos ou praticar assédio a ativistas e jornalistas vem sendo denunciado por ONGs e até pelas próprias plataformas. 

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