Londres – Por afirmar que o maior massacre em escolas dos EUA seria uma farsa encenada por atores, o teórico da conspiração americano Alex Jones foi condenado nesta sexta-feira (5) por um tribunal do Texas a pagar US$ 45,2 milhões (R$ 230 milhões) à família de uma vítima do tiroteio em Sandy Hook, ocorrido em 2012. 

Jones e sua empresa de mídia foram processados por Neil Heslin e Scarlett Lewis, pais de Jesse Lewis, de seis anos, morto no ataque. 

Em seu programa de rádio chamado Infowars, ele afirmou diversas vezes que o tiroteio escolar mais mortal da história dos EUA havia sido obra de ativistas que defendem o controle de armas, utilizando atores parar criar as cenas. 

Teórico da conspiração condenado a pagar menos do que pais pediram 

A escola de Sandy Hook onde aconteceu a tragédia, em dezembro de 2012, ficava no estado de Connecticut, e foi demolida. O atirador, Adam Lanza, matou vinte crianças e seis adultos a tiros, e depois tirou a própria vida. Antes, havia assassinado a mãe. 

A família de Jesse Lewis havia pedido uma indenização maior, de US$ 75 milhões. Os pais do aluno de Sandy Hook disseram que  o teórico da conspiração dono da  Infowars fez de suas vidas um ‘inferno vivo’.

Jones, 48 anos, é um notório defensor do ex-presidente Donald Trump. Ele também está sob escrutínio por seu papel no ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos EUA por apoiadores de Trump.

Durante o julgamento que o condeno, o teórico da conspiração acabou reconhecendo que os tiroteios foram “100 por cento reais”.

Mas as famílias vítimas do atirador de Sandy Hook dizem que seu negacionismo, juntamente com sua capacidade de influenciar as crenças de milhares de seguidores, causou um trauma emocional significativo.

Os pais de Jesse Lewis recusaram o pedido de desculpas, e insistiram que ele pagasse pelos anos de sofrimento infligido a eles e a outras famílias.  

O conspiracionista é acusado de lucrar com mentiras e desinformação. Dirigindo-se aos jurados, o advogado Wesley Wood Ball disse: 

“Pedimos que vocês enviem uma mensagem muito, muito simples: parem Alex Jones. Parem a monetização da desinformação e das mentiras.”

Outro advogado da família autora da causa, Mark Bankston, acusou Jones de má fé, citando transmissões em que ele disse que o julgamento foi manipulado contra ele.

O advogado mostrou um vídeo de Jones dizendo que o júri estava cheio de pessoas que “não sabem em que planeta estão”.

O economista forense Bernard Pettingill testemunhou na sexta-feira em nome dos pais de Lewis, confirmando que o réu ganha muito dinheiro com discurso de ódio e desinformação. 

Jones e sua empresa Infowars valem entre US$ 135 milhões e US$ 270 milhões combinados, disse Pettingill no tribunal. 

Para tentar escapar do pagamento de indenizações se fosse condenado, o teórico da conspiração tentou acabar com as suas empresas.

A Infowars declarou falência em abril, e outra empresa de propriedade de Jones, a Free Speech Systems, entrou com pedido de falência na semana passada.

Mas a juíza responsável pelo caso não gostou. Ela repreendeu Jones durante o julgamento por não dizer a verdade durante seu depoimento sobre a falência e por não ter entregue documentos solicitados. 

O caso dos pais de Jesse Lewis é o primeiro a chegar à fase de julgamento de multa por danos. Outros familiares também têm processos em curso contra o teórico da conspiração agora condenado.

O que é o InfoWars 

O negócio comandado pelo teórico da conspiração Alan Jones não é pequeno. O site foi fundado em 1999 e é reconhecido por veicular fake news, desinformação e teorias conspiratórias. 

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Sua base fica em Austin, no Texas, onde o processo contra ele foi movido pela família de Jesse Lewis. A operação é obscura, sem uma sede conhecida, mas ele teria recebido mais de 10 milhões de visitas mensais em 2017. 

Jones enfrenta também acusações de assédio moral e sexual, e já foi obrigado a retirar conteúdo do ar diversas vezes por determinação judicial. O canal está banido da maioria das redes sociais. 

Em suas transmissões e no site, o teórico da conspiração vende produtos diversos, uma prática comum entre teóricos da conspiração.