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Família e colegas de Dom Philips buscam doações para financiar livro póstumo sobre Amazônia

jornalista dom philips sentado em meio à indígenas durante trabalho de jornalismo

(Foto: Divulgação/João Laet/GoFundMe)

Familiares, amigos e colegas de profissão do jornalista inglês Dom Philips , assasinado na Amazônia há um ano junto com o indigenista Bruno Pereira, reuniram-se em uma iniciativa para publicar o livro que ele escrevia quando morreu.

Jornalistas brasileiros e estrangeiros trabalham voluntariamente na obra intitulada “Como Salvar a Amazônia: Pergunte Àqueles Que Sabem” (tradução livre), e uma coleta de fundos está em andamento para custear despesas operacionais. 

A campanha de financiamento, no GoFundMe, precisa atingir US$ 27 mil até o final de junho para que a equipe consiga cumprir os prazos editorais.

Novo livro irá retraçar passos de Philips

A viúva de Dom, Alessandra Sampaio, a irmã do jornalista, Sian, e uma equipe de colegas formaram um consórcio para a republicação do trabalho, guiando-se pelas partes já concluídas e apurações extensivas que ele deixou. 

A equipe decidiu revisitar os locais visitados por Dom Philips, que queria retratar no livro, em primeira mão, o “front” da Amazônia sob a  perspectiva de ativistas, lideranças indígenas e agentes da causa ambiental.

Essa revisão aumentou os custos da republicação, já que o consórcio terá que percorrer novamente os caminhos trilhados pelo repórter — muitos só acessíveis por helicópteros barcos e longas trilhas pela floresta. 

Na apresentação da coleta de fundos online, o grupo diz: 

“Dom acreditava ardentemente que uma cobertura de verdade dos assuntos mais importantes não poderia ser feita por telefone sentado em uma mesa com ar-condicionado a milhares de milhas de distância.

Ele gastou suas economias e deu sua vida por esta crença, encarando sem medo as corporações e indivíduos ricos que lucravam com a destruição da Amazônia.”

Não há valor mínimo para apoiar o projeto.

 Livro contará com jornalistas veteranos na Amazônia  

Segundo jornal The Guardian, que está envolvido na publicação do livro, o esforço é para preservar o esforço de Dom Philips em retratar as histórias da Amazônia, impedindo que seu livro “morra com ele”.

Philips colaborava com o jornal a partir do Brasil. 

Para Jonathan Watts, editor de meio ambiente do The Guardian e um dos fundadores do site de notícias da Amazônia Sumaúma, trabalhos como o de Philips “não devem ser silenciados”:

Watts fará parte da equipe de repórteres envolvida no projeto, juntamente com Tom Phillips (correspondente do The Guardian na América Latina), Jon Lee Anderson, repórter da New Yorker, e o presidente do The Intercept Brasil, Andrew Fishman, que disse: 

“Dom foi assassinado enquanto contava a história dos protetores da Amazônia sendo assassinados.

Deixar esse livro sem conclusão significaria deixar aqueles que destroem a Amazônia vencer sem ao menos brigar.” 

O projeto também terá a participação de jornalistas brasileiros com experiência no tema, como a fundadora do Amazônia Real, Kátia Brasil, e a repórter e colunista Eliane Brum.

Phillips e Pereira desapareceram em 5 de junho de 2022 quando viajavam de barco pelo rio Itacoaí, no Vale do Javari. Seus corpos desmembrados e parcialmente queimados foram encontrados escondidos na floresta dez dias depois.

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