MediaTalks em UOL

Entrevista | Andrew Bruce Smith, Chartered Institute of PR: ‘IA já está invadindo domínios criativos’

Andrew Bruce Smith, Chartered Institute for Public Relations fala sobre inteligência artificial em RP

Andrew Bruce Smith, Chartered Institute for Public Relations (foto: perfil)

Londres – Aos 60 anos, o britânico Andrew Bruce Smith se diz uma prova viva de que idade não é barreira para proficiência tecnológica, um alento para profissionais de RP experientes que se veem desafiados por uma nova revolução tecnológica, a inteligência artificial.

Um estudo feito por pesquisadores das universidades de Princeton, Pensilvânia e Nova York, compartilhado por ele, classificou RP como a 34ª profissão mais exposta ao avanço da IA generativa, entre mais de 700 ocupações analisadas. Repórteres ficaram na 45ª posição.

Com mais de três décadas de trabalho como jornalista e RP, Smith dirige hoje a consultoria de comunicação digital Escherman, e preside o painel de inteligência artificial do CIPR (Chartered Institute of Public Relations).

Inteligência artificial: riscos e uso criativo em RP

O grupo nasceu quando a ideia de que pessoas comuns teriam acesso a ferramentas como ChatGPT e Midjourney poderia soar como enredo da série Black Mirror.

Smith não acredita que a inteligência artificial seja uma “desgraça inevitável”, capaz de substituir profissionais de comunicação por robôs – desde que eles aprendam a usá-la para aprimorar suas habilidades e ajudar suas empresas a navegarem nesse novo universo.

IA x outras tecnologias disruptivas

“A internet e as mídias sociais também foram vistas como disruptivas. Uma diferença fundamental em relação à IA é a escala e a taxa de desenvolvimento. Armas nucleares não podem construir armas nucleares.

Mas a IA pode ser – e já está sendo – usada para desenvolver uma inteligência artificial mais avançada. O GPT4 é dez vezes melhor do que o GPT3. Qual será a capacidade do GPT10? Com que rapidez isso chegará a nós?”

Quem vai ser mais afetado

“Embora as tarefas de rotina menos qualificadas sejam mais suscetíveis à automação, a IA também está invadindo domínios analíticos e criativos.

Isso significa que funções mais bem pagas envolvem doses maiores de trabalho mecânico do que os profissionais gostariam de admitir.

Os líderes de RP devem ver isso como uma oportunidade de elevar sua capacidade de aconselhamento estratégico”.

Demonstrando valor às lideranças

“Diante de orçamentos apertados, os profissionais de RP devem demonstrar claramente seu valor. Isso significa dedicar-se à estratégia de alto nível e à construção de relacionamentos que a IA não é capaz de replicar.

“O aprimoramento proativo em áreas como análise de dados e integração de ferramentas de inteligência artificial também garantirá a relevância do profissional.

Em última análise, trata-se de ser capaz de fornecer evidências confiáveis dos comunicadores para justificar o valor do trabalho para o negócio”.

Políticas e planos de comunicação focados em ética

“Com a regulamentação da IA ainda em curso, as equipes de RP devem desenvolver proativamente políticas éticas e planos de comunicação em torno dela.

Estar na vanguarda das práticas responsáveis de IA pode melhorar a reputação corporativa e a confiança por parte do público”.

Transparência e estruturas de governança para a IA

“Práticas responsáveis para o uso da IA estão ganhando importância na lista de prioridades das corporações. Os profissionais de RP têm a oportunidade de orientar as empresas na adoção de princípios transparentes e éticos de IA e estruturas de governança.

Isso inclui abordar questões como o viés algorítmico, os impactos ambientais, as preocupações com a privacidade, para citar algumas, por meio de estratégias de comunicação de IA bem planejadas”.

Vencendo o gap geracional

“O conhecimento de IA será vital para profissionais de todas as gerações. Combinar a experiência dos veteranos com o conhecimento de IA dos profissionais mais jovens pode criar equipes poderosas.

“Programas de orientação cruzada em que os mais jovens ajudam veteranos em IA, enquanto os veteranos os treinam em habilidades não tecnológicas podem preencher lacunas geracionais e de conhecimento.

O aprendizado ao longo da jornada será cada vez mais importante”.


Este artigo faz parte do Especial ‘Os desafios da ESG na era da Inteligência Artificial

Leia aqui a edição completa. 

 

 

Sair da versão mobile