Londres –  A promessa de Israel de suspender operações da rede de mídia Al Jazeera foi cumprida neste domingo (5), dois dias após o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, com o fechamento anunciado pessoalmente pelo primeiro-ministro do país no Twitter /X. 

“O governo por mim liderado por mim decidiu por unanimidade: o canal de incitação Al Jazeera será fechado em Israel”, escreveu Benjamin Netanyahu, referindo-se a uma votação ocorrida ontem à luz da uma lei aprovada pelo Parlamento no dia 1º de abril, dando ao governo o poder de encerrar temporariamente as atividades de veículos de imprensa vistos como ameaças à segurança nacional. 

A rede pertence ao governo do Catar, onde vivem líderes do grupo Hamas. O país vem atuando na medição para a libertação dos reféns israelenses mantidos em Gaza desde 7 de outubro, mas sua TV não foi poupada. 

Pela nova lei, o fechamento de um meio de comunicação por até 45 dias é autorizado após consultas e aprovação de autoridades legais e de segurança de Israel, e pode ser renovado por períodos iguais. A suspensão inclui a transmissão de TV e também outras formas de exibição do conteúdo, como o site na internet. 

Fechamento da Al Jazeera em Israel era esperado 

A medida já era esperada, e a Al Jazeera tinha pronta uma reportagem para colocar no ar tão logo acontecesse, em que explica o fechamento. 

‘Se você está assistindo isso… então a Al Jazeera foi proibida em Israel’. narrou o correspondente Imran Khan, a partir de Jerusalém, informando que seu telefone foi confiscado 

Al Jazeera disse que vai questionar decisão em instâncias internacionais

O ministro das Comunicações, Shlomo Karhi, divulgou para a mídia local imagens de agentes entrando em um dos escritórios da Al Jazeera em Jerusalém para confiscar equipamentos. O canal saiu dos provedores de TV locais, e os sites na internet foram bloqueados. 

“Os jornalistas da Al Jazeera prejudicaram a segurança israelense e incitaram contra os soldados das FDI”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em um comunicado à imprensa conjunto emitido junto com o escritório de Karhi após a decisão do governo. Mas não foram detalhadas situações específicas para justificar a decisão. 

Em nota, a Al Jazeera protestou contra o que classificou de ato criminoso de Israel, violando o direito humano de acessar informações.

A emissora prometeu “perseguir todas as instâncias legais disponíveis por meio de instituições internacionais” para retomar suas operações, e acrescentou que “a supressão contínua da imprensa livre por Israel, vista como um esforço para esconder suas ações na Faixa de Gaza, viola o direito internacional e humanitário”.

Reações à decisão de Israel

Várias organizações internacionais de liberdade de imprensa e de expressão manifestaram-se contra a suspensão da Al Jazeera em Israel. Uma delas, a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), chamou a atenção para a apreensão de equipamentos dos profissionais da rede, como celulares e computadores. 

Em nota, o secretário-geral da entidade disse: 

“Que possível motivação poderia haver para confiscar telefones e computadores, exceto por tentar descobrir as fontes dos jornalistas?  Isso viola os direitos mais elementares dos repórteres de proteger suas fontes.”

A Foreign Press Association, que representa a mídia estrangeira em Israel, na Cisjordânia e em Gaza, afirmou que “Israel se juntou a “um clube duvidoso de governos autoritários” ao proibir a rede. 

Michelle Stanistreet, Secretária Geral da União Nacional de Jornalistas (NUJ) no Reino Unido e na Irlanda, que segundo a IFJ é reconhecida como representando os jornalistas da Al Jazeera em Londres, disse:

“Aqueles com segredos a esconder ou que têm vergonha de suas ações fecham à força as estações de televisão. Visar a Al Jazeera como o governo israelense tem feito é um ataque direto à liberdade de expressão que traz vergonha aos responsáveis – espero que eles logo percebam seu erro e revertam essa decisão.”

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) advertiu que a votação levando ao fechamento da Al Jazeera pode estabelecer um precedente perigoso para outros meios de comunicação internacionais que trabalham em Israel.

Omar Nazzal, vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Palestinos (PJS), que representa os jornalistas palestinos que trabalham para a Al Jazeera, disse: “Condenamos esta decisão, que visa a liberdade de expressão e a capacidade dos jornalistas de fazer seu trabalho. É indicativo do desespero do governo de ocupação.”