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Em novo embate com a imprensa, Casa Branca assume controle do acesso de jornalistas a eventos com Trump

Donald Trump em entrevista coletiva para a imprensa na Casa Branca

Donald Trump em evento acompanhado pela imprensa na Casa Branca (foto: divulgação @POTUS via X)

A Casa Branca anunciou nesta terça-feira uma mudança significativa em sua política de acesso à imprensa no governo de Donald Trump, rompendo com a tradição de décadas em que a Associação de Correspondente (WHCA) coordenava o rodízio de jornalistas acompanhando diretamente as atividades do presidente realizadas em espaços menores. 

A decisão permitirá que a equipe de imprensa da Casa Branca selecione quais veículos terão permissão para acompanhar coletivas e solenidades com o presidente Donald Trump, incluindo eventos no Salão Oval e a bordo do avião Air Force One.  

No mesmo dia,  uma coalizão formada por dezenas de organizações de jornalismo instou em uma carta aberta a Casa Branca a readmitir profissionais da Associated Press em eventos oficiais, bloqueio implantado depois que a agência se recusou a usar a denominação Golfo da América em substituição a Golfo do México.

Sob Trump, Casa Branca escolherá veículos de imprensa diretamente

A coordenação do ‘pool’ de jornalistas pela Associação de Correspondentes, composta por representantes de centenas de veículos, vinha sendo feita desde a década de 1950.  

Eles são escolhidos seguindo um rodízio, e os participantes distribuem o material produzido para os demais veículos. 

Em uma entrevista coletiva, a secretária de imprensa de Trump, Karoline Leavitt, destacou que a tomada de controle do acesso às coletivas e atividades oficiais cobertas pela imprensa “encerrará um monopólio” e permitirá uma combinação mais ampla de plataformas de mídia, incluindo serviços de streaming, devolvendo “o acesso ao povo americano” que elegeu Trump. 

“Por décadas, um grupo de jornalistas baseados em Washington, a Associação de Correspondentes da Casa Branca, vem ditando quais jornalistas fazem perguntas ao presidente dos Estados Unidos nesses espaços mais restritos. Não mais”, anunciou ela. 

Nova política gerou reações negativas

A medida gerou reações negativas de veículos de mídia, de defensores da liberdade de imprensa e de especialistas jurídicos, que alertam sobre os riscos de se permitir que o governo controle quais jornalistas podem cobrir o presidente.

“A nova política da Casa Branca ameaça a liberdade de imprensa, uma pedra angular da democracia”, afirmou Jon Marshall, professor de história da mídia na Universidade Northwestern, à Associated Press. 

Eugene Daniels, presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA), também criticou a decisão, dizendo que “rasga a independência de uma imprensa livre nos Estados Unidos”.

Enquanto isso, a batalha entre a Casa Branca e a Associated Press segue nos tribunais. Na semana passada, a agência entrou com uma ação judicial para obrigar o governo de Donald Trump a cancelar o bloqueio. 

Na segunda-feira, um juiz negou o pedido de acesso imediato enquanto a ação continua a tramitar. A próxima audiência está marcada para 20 de março. 

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