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Por que Trump adiou anúncio da venda do TikTok? Guerra tarifária com a China pode ser o motivo

Conta de Donald Trump no TikTok

A guerra tarifária global decretada pelo governo americano nesta semana pode ter sido o motivo do adiamento do plano de Donald Trump de anunciar o novo dono das operações do TikTok nos EUA neste sábado, após uma reunião na última quarta-feira supostamente ter selado o acordo comercial.

Na tarde de sexta-feira (5), Trump anunciou em sua conta na Truth Social que o prazo seria estendido em mais 75 dias (o primeiro adiamento foi logo após a posse), explicando que o acordo exige mais tempo para “garantir todas as aprovações necessárias”.

Sem se referir a um veto formal, o presidente dos EUA escreveu: “Esperamos continuar a trabalhar de boa fé com a China, que, segundo sei, não está muito feliz com as nossas tarifas.”

Trump adiou venda do TikTok na última hora 

O plano de venda do TikTok, conduzido diretamente pela Casa Branca e com envolvimento pessoal de Trump, busca transferir a propriedade do aplicativo, atualmente controlado pela empresa ByteDance, para investidores americanos, sob o argumento de risco de acesso do governo chinês a dados dos usuários dos EUA.

Uma lei determinado o banimento ou venda do aplicativo foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo então presidente Joe Biden em 2024, e depois ratificada em decisão judicial após um processo movido pela ByteDance.

Na reta final antes do prazo para a venda, que deveria ter sido 19 de janeiro mas foi adiado por Trump em 75 dias, a Oracle despontou como favorita na corrida, devido à sua parceria estratégica com o TikTok no gerenciamento de dados de usuários americanos.

Impacto das tarifas comerciais

A decisão de Trump ocorre em meio a um clima de tensão comercial com a China, que retaliou as tarifas impostas pelos Estados Unidos com taxas adicionais sobre produtos americanos. Pequim teria condicionado sua aprovação à retirada ou renegociação dessas tarifas, complicando ainda mais as negociações.

Enquanto isso, segundo informações publicadas pela mídia americana, a ByteDance estaria tentando manter uma participação minoritária no TikTok, algo que enfrenta resistência de autoridades locais.

A incerteza sobre o futuro da plataforma continua, com a guerra tarifária adicionando uma camada extra de tensão às discussões

Governo Trump e a venda do TikTok

Em seu primeiro mandato, Donald Trump chegou a propor o banimento do TikTok devido ao suposto risco de acesso a informações de usuários americanos pelo governo chinês, que a ByteDance, empresa proprietária da rede social, sempre negou. 

Mas Trump embarcou na onda de vídeos curtos durante sua campanha, e atribuiu a ela parte da responsabilidade por sua vitória nas eleições de novembro de 2024. Assim, passou a defender sua permanência no país, mas não sob o controle de uma empresa chinesa por razões de segurança nacional. 

Donald Trump em seu primeiro vídeo no TikTok
Primeiro vídeo de Donald Trump no TikTok foi gravado no UFC (foto: reprodução TikTok)

Segundo analistas citados nas reportagens recentes sobre a venda, Oracle é uma das principais favoritas na disputa pela aquisição das operações americanas do TikTok, graças à sua relação estabelecida com a plataforma por meio do “Project Texas”, no qual já atua como guardiã dos dados dos usuários americanos.

A empresa teria se comprometido a continuar assegurando que os dados permaneçam armazenados nos Estados Unidos, atendendo às preocupações de segurança nacional.

Além disso, a conexão de Larry Ellison, cofundador da Oracle, com Donald Trump fortalece sua posição, dado o apoio político demonstrado ao ex-presidente, o que pode influenciar positivamente o processo de decisão.

De acordo com o Financial Times, a empresa norte-americana de capital de risco Andreessen Horowitz faria parte do consórcio.

Amazon entrou na disputa pelo TikTok

Entre os potenciais compradores citados pela imprensa americana estão também a Amazon, de Jeff Bezos, que teria feito uma oferta de última hora para adquirir o TikTok.

Bezos, que anteriormente tinha uma relação tensa com Trump, tornou-se um de seus apoiadores mais visíveis, participando da posse presidencial e promovendo mudanças editoriais no Washington Post, jornal de sua propriedade, vistas como alinhamento ao novo presidente. 

Outra candidata é a empresa de investimentos Blackstone, que buscaria expandir sua atuação no setor de tecnologia por meio da aquisição da rede social.

Além disso, a startup Zoop, liderada por Tim Stokely, fundador do OnlyFans, apresentou uma proposta em colaboração com a Fundação Hbar, destacando uma abordagem voltada para a transparência e segurança dos dados dos usuários.

Por fim, a Perplexity AI, uma startup de inteligência artificial, propôs reformular o algoritmo do TikTok para torná-lo mais transparente e centrado no público norte-americano, trazendo uma perspectiva tecnológica à disputa. 

Outro que revelou interesse formal na rede social foi o Youtuber MrBeast, mas ele não tem sido citado entre os potenciais vencedores da disputa na reta final.

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