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Oito em cada 10 britânicos acham que Charles III fez bem ao retirar títulos e despejar o irmão Andrew

Rei Charles sorrindo e cumprimentando pessoas do público

Rei Charles III (foto: perfil @The Royal Family)

Para os britânicos, o rei Charles agiu bem ao tomar uma atitude drástica contra o irmão a fim de proteger a reputação da família real, abalada por fatos novos sobre o relacionamento de Andrew com o pedófilo Jeffrey Epstein surgidos após a publicação do livro póstumo de Virginia Giuffre

Uma pesquisa do instituto YouGov realizada com 4.739 britânicos mostrou que quase oito em cada 10 (79%) consideram correta a decisão do rei Charles de retirar o título de príncipe de Andrew Mountbatten Windsor. Apenas 6% discordaram da medida, e 15% disseram não ter opinião sobre ela.

A pesquisa, publicada neste sábado (1)  foi realizada logo após o Palácio de Buckingham anunciar que Andrew deixará de ser tratado como príncipe e terá que desocupar o Royal Lodge, residência oficial onde vivia. Ele passará a ser identificado apenas pelo nome civil.

A decisão encerra, na prática, qualquer possibilidade de retorno de Andrew às funções públicas da monarquia. Mas pode ter vindo tarde, pois a reputação da monarquia já dá sinais de abalo à medida que a do irmão do rei despenca.

De acordo com o YouGov, 91% dos britânicos agora dizem ter uma opinião negativa sobre o ex-príncipe, quatro pontos percentuais acima do que foi registrado em agosto.

No mesmo período, a proporção do público com opiniões negativas sobre a família real em geral e a instituição monarquia aumentou quatro pontos, para 34% e 36%, respectivamente. A taxa dos que acham que o país deve continuar sendo uma monarquia desceu de 62% para 65%.

Escândalo Epstein continua afetando imagem da família real

O desgaste de Andrew se intensificou após sua longa amizade com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. As críticas se agravaram com o ressurgimento de denúncias e vazamentos recentes.

Andrew também foi acusado de agressão sexual por Virginia Giuffre, que morreu em abril e deixou um livro póstumo. O príncipe sempre negou as acusações, mas o caso nunca deixou de afetar sua imagem.

Ao serem questionados sobre a velocidade da resposta da monarquia aos escândalos envolvendo Andrew e Epstein, 58% dos entrevistados disseram que foi lenta. Apenas 3% consideraram rápida, e 21% disseram que o ritmo foi adequado.

População vê limite no que o rei pode fazer

Mesmo com aprovação, o público ainda não está totalmente satisfeito. A pesquisa do YouGov também perguntou se o rei Charles poderia fazer mais para distanciar a família real de Andrew.

Para pouco mais da metade (53%) dos entrevistados, ele já fez tudo o que podia. Outros 28% acham que ainda há espaço para ações adicionais. Já 19% responderam que não sabem.

O cancelamento de Andrew pelo irmão rei Charles

A decisão do Palácio de Buckingham foi anunciada em um comunicado para a imprensa na tarde de quinta-feira (30), contendo mais justificativas do que o padrão de anúncios da realeza britânica.

“Sua Majestade iniciou hoje um processo formal para remover a forma de tratamento (Sua Alteza Real), Títulos e Honrarias do Príncipe Andrew.

O príncipe Andrew agora será conhecido como Andrew Mountbatten Windsor. Seu contrato de arrendamento no Royal Lodge, até o momento, lhe forneceu proteção legal para continuar na residência. O aviso formal já foi entregue para renunciar ao contrato e ele se mudará para uma acomodação privada alternativa. Essas medidas são consideradas necessárias, apesar de ele continua negando as alegações.

Suas Majestades desejam deixar claro que seus pensamentos e empatia sempre estiveram, e permanecerão, com as vítimas e sobreviventes de todas e quaisquer formas de abuso.”

A linha final é uma declaração associada ao trabalho da rainha Camila na causa de mulheres vítimas de abusos sexuais. Segundo analistas da realeza, ela teria pressionado para a tomada de atitudes mais drásticas contra o cunhado problemático.

Andrew não aparece mais na seção do website da Família Real que apresenta seus membros, embora continue sendo irmão do rei e tecnicamente não tenha saído da linha de sucessão ao trono.

Até o príncipe Harry e Meghan Markle têm um espaço dedicado a eles no capítulo do site, explicando que deixaram de ser “working members”, ou seja, de exercer funções oficiais, mas não de ser parte da família – apesar da artilharia pesada de críticas disparada contra os familiares quando decidiram se mudar para os EUA.

Pressa em encerrar crise antes de agendas públicas

A pressão pública sobre a família real foi intensa nos últimos dias. Jornais britânicos publicaram fotos reportagens expondo detalhes controversos do contrato de aluguel do palacete onde o ex-príncipe morava com a ex-mulher, Sarah Fergusson.

O prédio é uma propriedade da Coroa, portanto de caráter público. Andrew vai se mudar para uma residência de propriedade particular do rei Charles.

No início da semana passada, o rei Charles foi questionado em público, quando apertava mãos de súditos ao sair de uma visita oficial, sobre desde quando sabia dos atos do irmão Andrew.

E o  grupo antimonarquista Republic anunciou a intenção de abrir um processo contra Andrew e a realeza devido às denúncias e falta de ação da realeza.

O momento para tentar colocar um fim no drama foi uma tentativa de não ofuscar acontecimentos importantes previstos para os próximos dias.

O príncipe William inicia uma viagem ao Brasil para os prêmios Earthshot e a conferência climática da ONU, e os demais membros da família estarão envolvidos em atividades públicas de lembrança da guerra, uma das maiores celebrações públicas do país.

No entanto, novos fatos continuam surgindo, e o escândalo não dá sinais de ir embora tão cedo, já que mesmo com ações, a pergunta recorrente é porque demorou tanto e o que a família já sabia e encobriu.

Charles está em quarto lugar em popularidade entre os membros da família real, de acordo com o YouGov, atrás da irmã, Anne, de Kate Middleton e do Príncipe William. Ele é admirado por 45% da população, enquanto 24% se dizem neutros sobre o monarca e 18% não gostam dele.

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