O ex-jogador de futebol Raí, ídolo do esporte francês e cidadão do país, se juntou a uma campanha que pede a soltura imediata do jornalista francês Christophe Gleizes, que está preso na Argélia.
Gleizes foi preso sob acusação de ‘glorificar o terrorismo’ e ‘portar material considerado propaganda’ e em junho foi condenado a sete anos de prisão. Nesta quarta-feira, a pena foi mantida após julgamento de um recurso.

Ele era colaborador das revistas So Foot e Society e entrou no país em 2024 para fazer entrevistas com jogadores e técnicos. Sua prisão é considerada política, devido a tensões entre os dois países.
Campanha pede libertação de Christophe Gleizes
No vídeo da campanha (em francês abaixo), 30 personalidades do esporte e da cultura passam a mensagem de que mesmo após cinco meses na prisão Christophe Gleizes não foi esquecido.
“Não nos esqueçamos”, diz Raí, que jogou no PSG na década de 90 e tem uma atuação política ativa no país.
Repórteres, apresentadores, ex-jogadores de futebol, rugby e basquete e cantores reforçam que o jornalista é um apaixonado pelo futebol africano e foi preso simplesmente pelo exercício da sua profissão.
A campanha insiste na mensagem de que “jornalismo não é crime” e usa a hashtag #FreeGleizes.
Raí é um nome reconhecido no esporte francês devido a sua passagem pelo PSG (Paris Saint-Germain) entre 1993 e 1998. Ele também é cidadão da França e tem uma atuação política ativa no país.
Além do vídeo, a campanha liderada pela RSF, a família do jornalista e o grupo So Press inclui a criação de um comitê de apoio, uma petição online e uma estratégia de campanha pública.
De acordo com a RSF, “o objetivo é manter a atenção e a pressão sobre as autoridades argelinas e reiterar a necessidade urgente da libertação desta jornalista”.
Thibaut Bruttin, diretor geral da RSF comentou o caso, afirmando que cinco meses de detenção para um jornalista que estava apenas fazendo seu trabalho são cinco meses a mais do que o necessário.
“O apoio público da mídia, do esporte, do futebol e dos setores culturais mostra que essa condenação é incompreensível e inaceitável. Devemos unir forças para garantir a libertação imediata de Christophe Gleizes.”
Jornalista francês foi preso após viagem para cobrir futebol local
O episódio se insere no atual impasse diplomático entre os dois países, que já incluiu expulsão de 12 diplomatas de ambos os lados e repercute no cenário geopolítico, em especial após a Argélia prender outro intelectual franco-argelino .
A condenação do jornalista esportivo francês, sob acusações ligadas ao exercício da profissão, levanta preocupações sobre a liberdade de imprensa no país e a criminalização da cobertura esportiva com implicações políticas.
Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Christophe Gleizes vive na França e foi preso em 28 de maio de 2024, na cidade de Tizi Ouzou, cerca de 100 quilômetros a leste de Argel.
Detido após entrar no país com visto de turista, ele foi imediatamente apresentado ao promotor público e colocado sob controle judicial, com proibição de deixar o território argelino.
Desde então, permaneceu na Argélia por mais de um ano aguardando a decisão judicial. No dia 29 de junho ele foi condenado a uma pena de sete anos de prisão com cumprimento imediato.
Jornalista esportivo francês cobria clube e atletas africanos
Christophe Gleizes é coautor do livro “Magique Système: L’Esclavage Moderne des Footballeurs Africains”, publicado em 2018 com Barthélémy Gaillard, e é reconhecido por sua dedicação à cobertura das histórias de atletas africanos.
Com mais de doze anos de experiência como jornalista esportivo, Gleizes viajou à Argélia em maio de 2024 para cobrir a era de ouro do clube Jeunesse Sportive de Kabylie (JSK), dos anos 1980.
Também planejava escrever sobre a morte do camaronês Albert Ebossé, ocorrida dez anos antes, além de entrevistar o técnico do Mouloudia Club de Argel, Patrice Beaumelle, e fazer um perfil do jogador Salah Djebaïli, a pedido da revista So Foot, que condenou a sentença aplicada pela justiça argelina.
De acordo com a RSF, a base da denúncia é o fato de Gleizes ter se encontrado em 2015, 2017 e 2024 com o presidente do clube JSK — que também é figura destacada no Movimento para a Autodeterminação da Cabília (MAK), designado grupo terrorista pelo governo argelino em 2021.
A RSF destaca que os dois primeiros encontros ocorreram antes da designação, e que o contato de 2024 foi exclusivamente jornalístico, conforme atestam documentos do próprio processo.
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