Em mais um ano letal para profissionais de imprensa, 111 jornalistas foram mortos ao longo de 2025 como consequência do exercício da profissão. Entre os que perderam a vida estão 104 homens e 7 mulheres.
A maior parte das mortes aconteceu em zonas de conflito, sendo que 46% das vítimas morreram na Faixa de Gaza.
Os dados são do relatório anual da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), que foi lançado para marcar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, neste 10 de dezembro.
A IFJ afirma que os dados chamam atenção para a necessidade de fortalecer a proteção aos profissionais de imprensa, assim como de julgar os responsáveis pelas mortes.
O IFJ vem compilando os dados de mortes de jornalistas anualmente desde 1990. Neste período, já foram registradas 3.156 mortes, uma média de 91 por ano.
O número de 2025 (ainda faltando 20 dias para o ano terminar) é um pouco mais baixo que o de 2024, quando foram registradas 122 mortes. A quantidade total de prisões, entretanto, é um pouco maior – 533 este ano, versus 516 em 2024.
Oriente Médio é região mais afetada
Com Gaza liderando a lista, o Oriente Médio é pelo terceiro ano consecutivo a região onde mais jornalistas foram mortos, representando 62% do total, ou 69 mortes.

Além dos 51 profissionais mortos na Palestina, outros 13 morreram no Iêmen, que também enfrenta um conflito há anos. Porém, diferentemente de Gaza, todos os jornalistas do Iêmen morreram em um único ataque.
A similaridade com a Palestina está no perpetrador do ataque: Israel. As Forças Armadas Israelenses atacaram a redação do jornal “26 September”, na capital do Iêmen, no que é considerado um dos piores atentados à imprensa da história. No total, mais de 30 pessoas morreram neste bombardeio.
A lista de mortes no Oriente Médio se completa com dois na Síria e três no Irã – sendo uma delas acidental.
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Números da Europa chamam atenção
Este ano, foram registradas 10 mortes de jornalistas na Europa. Nove delas estão relacionadas com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
De acordo com a IFJ, desde o início da série histórica esta é apenas a terceira vez que o continente têm um número tão alto de mortes.
Os outros anos foram 2022, o ano da invasão da Ucrânia pela Rússia, e 2015, quando aconteceu o ataque à redação do Charlie Hebdo, em Paris.
Os dados europeus chamam atenção ainda para uma tendência preocupante: o uso de drones para atacar jornalistas em seus carros.
A situação na Ásia, África e Américas
A região da Ásia-Pacífico foi a segunda que mais registrou jornalistas mortos em 2025. Foram 15, sendo 4 na Índia, três no Paquistão, três nas Filipinas, dois em Bangladesh, dois no Afeganistão e um no Nepal.
Na África o epicentro foi o Sudão, onde um conflito armado assola o país e resultou em seis mortes de profissionais de imprensa. A IFJ relata que desde o início da guerra, em 2023, os jornalistas têm sido alvo de facções criminosas.
Já nas Américas preocupa particularmente a situação do Peru, onde três jornalistas foram mortos após anos de nenhum registro de crimes fatais contra os profissionais no país. O México, por outro lado, histórico robusto de violência contra jornalistas e foi cenário de três mortes este ano.
No Brasil, nenhuma morte de jornalista decorrente da prática da profissão foi registrada em 2025.
Jornalistas também são alvo de prisões
O relatório da IFJ também compila as prisões de profissionais que aconteceram este ano em decorrência da prática do jornalismo.
Os números por região são:
- Oriente Médio e mundo árabe: 74
- Ásia-Pacífico: 277
- Europa: 149
- África: 27
- Américas: 6
A China é o país que mais prende jornalistas do mundo. Atualmente há 143 profissionais de mídia atrás das grades lá.
O número de prisões na Europa aumentou cerca de 40% em comparação com o ano passado. Isso se deve principalmente a intensificação da repressão no Azerbaijão e na Rússia.
No Oriente Médio, o local com maior repressão é Israel, onde 41 jornalistas palestinos estão detidos. Nas Américas o destaque negativo é a Venezuela, com quatro profissionais presos.
IFJ cobra proteção a jornalistas
Ao divulgar o relatório, a IFJ cobra governos por maior proteção a jornalistas e defesa da liberdade de imprensa. O presidente da organização, Dominique Pradalié, chamou a situação de “vergonhosa”.
“É profundamente vergonhoso ver o quão pouco os governos ao redor do mundo estão fazendo para protegê-los ou defender os princípios básicos da liberdade de imprensa. Em vez disso, estamos testemunhando ataques diretos, tentativas flagrantes de silenciar vozes críticas e esforços para controlar a narrativa em assuntos de interesse público. Todas essas ações violam claramente o direito internacional.”
Ele também defendeu a criação de um mecanismo internacional voltado à proteção dos profissionais de imprensa:
“Chegou a hora – aliás, já passou da hora – de adotar um instrumento internacional dedicado à segurança e proteção dos jornalistas. Portanto, instamos todos os Estados-Membros das Nações Unidas a avançarem nesse objetivo sem demora.”
Acesse o relatório completo aqui e a lista com os nomes de todos os jornalistas e profissionais de imprensa mortos em 2025 aqui.
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