A revista Time divulgou nesta quinta-feira (11) a sua escolha para pessoa do ano. Mas diferente do padrão habitual , a escolha da vez não é exatamente uma pessoa, são várias. A publicação elegeu os “arquitetos da IA” para representar o ano de 2025.
Apesar de mencionar alguns nomes, a escolha da revista não foi por um grupo específico de pessoas, mas sim todos os que lideram o desenvolvimento da IA atualmente, em diversas frentes.
O editor-chefe da revista, Sam Jacobs, escreveu em uma carta aos leitores que os arquitetos da inteligência artificial tiveram o maior impacto do ano.
“A Pessoa do Ano é uma forma poderosa de concentrar a atenção do mundo nas pessoas que moldam nossas vidas. E este ano, ninguém teve um impacto maior do que os indivíduos que imaginaram, projetaram e construíram a IA.”
A revista também defendeu a escolha mostrando sua relevância no mundo de hoje:
“A inteligência artificial surgiu como, possivelmente, a ferramenta mais importante na competição entre grandes potências desde o advento das armas nucleares.”
Duas visões sobre os arquitetos da IA
A capa da edição que traz a escolha veio em duas versões, deixando clara a amplitude da escolha.
A primeira, mais neutra, tem uma ilustração do que seria uma construção de dois prédios, com pessoas usando capacetes de proteção ao redor no chão e em andaimes. Nesta imagem, os prédios são as letras A e I (de artificial intelligence, IA).
A segunda versão traz uma foto manipulada. A original é uma célebre imagem de trabalhadores sentados em uma viga nas alturas comendo marmitas durante a construção do prédio Rockefeller Center, em Nova York.
Na versão da Time, no lugar dos pedreiros estão rostos famosos do mundo da tecnologia, que estão dando as cartas no desenvolvimento de IA, incluindo Elon Musk e Mark Zuckerberg.
A foto foi usada para fazer uma comparação entre a construção de arranha-céus durante a era industrial nos EUA e a construção de um novo mundo baseado na IA.

“Não tem como voltar atrás”
Em sua carta aos leitores, Sam Jacobs, falou sobre as pessoas escolhidas e as descreveu como “impressionantes e preocupantes para a humanidade” e disse que eles estão “transformando o presente e transcendendo o possível”.
Ele também se debruçou sobre o estado da tecnologia agora:
“Este foi o ano em que todo o potencial da inteligência artificial se revelou, e quando ficou claro que não tem como voltar atrás nem como optar por não adotá-la. Qualquer que fosse a pergunta, a IA era a resposta.”
Como IA transformou o mundo em 2025
A reportagem de capa desta edição da Time traz um panorama de como a IA transformou o mundo em 2025.
Dos impactos econômicos das empresas que hoje ocupam o topo da lista de mais valiosas do mundo, ao receio do desaparecimento de empregos. Da quantidade gigante de energia necessária para manter os sitemas, aos casos tristes, como o do adolescente que tirou a própria vida após conversar com o ChatGPT, tudo foi permeado pela inteligência artificial.
A revista também aponta uma mudança de comportamento da sociedade em relação à inteligência artificial:
“Este ano, o debate sobre como usar a IA de forma responsável deu lugar a uma corrida para implementá-la o mais rápido possível.”
É nesta reportagem que vemos os nomes de algumas dessas figuras consideradas pela publicação como as mais importantes do ano. O primeiro mencionado é o presidente da Nvidia, Jensen Huang.
Além dele, são citados também o CEO do SoftBank, Masayoshi Son, o CEO da OpenAI, Sam Altman, Elon Musk, Mark Zuckerberg, entre outros.
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A escolha da pessoa do ano
Todo ano desde 1927 a revista Time escolhe a “pessoa do ano” ou “personalidade do ano” e a decisão sempre tem repercussão global.
Nem sempre os escolhidos se destacaram positivamente e algumas vezes a publicação elegeu figuras controversas. Adolf Hitler (em 1938) e Josef Stálin (em 1939 e em 1942) são alguns destes nomes controversos. Outro é Donald Trump, que também foi escolhido duas vezes (em 2016 e em 2024).
2025 não foi o primeiro ano em que a Time escolheu um grupo não definido como personalidade do ano. Também figuram nesta lista soldados americanos (1950 e 2003), cientistas americanos (1960), mulheres americanas (1975) e pessoas que combateram o ebola (2014), entre outros.
Em 2006 aconteceu talvez a escolha mais inusitada: você. Sim, a revista se apoiou no boom de redes baseadas em conteúdos produzidos pelos próprios usuários (como Youtube, MySpace e Facebook) para escolher “você” para a capa da edição.
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