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Copa do Mundo 2026

Trump pode estragar a Copa do Mundo? ONGs cobram da Fifa respeito aos direitos humanos

A situação nos Estados Unidos preocupa entidades da sociedade civil, e o Prêmio da Paz dado ao presidente despertou protestos

Donald Trump e Gianni Infantino, presidente da Fifa, na entrega do Prêmio da Paz ao presidente americano

Donald Trump e Gianni Infantino, presidente da Fifa, na entrega do Prêmio da Paz ao presidente americano



Com a Copa do Mundo 2026 se aproximando, organizações internacionais denunciam a Fifa por falhas no compromisso com os direitos humanos. A concessão de um prêmio a Donald Trump intensificou as críticas sobre o tratamento a torcedores, imigrantes e jornalistas durante o torneio, que terá os EUA como um dos páises-sede.


Faltando menos de seis meses para a Copa do Mundo 2026, que será realizada em três países – EUA, México e Canadá – o torneio de futebol está rodeado de polêmicas fora das quatro linhas e preocupações sobre o respeito aos direitos humanos sob Donald Trump.

Enquanto torcedores se revoltam com os altos preços dos ingressos – com entradas para a final custando até R$ 46 mil –, a ingerência do presidente Donald Trump na competição e questões como repressão a imigrantes e à liberdade de expressão acendem alertas.

Dez organizações não-governamentais lideradas pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), incluindo Anistia Internacional, Human Rights Watch e Repórteres Sem Fronteiras, acabam de divulgar um manifesto cobrando da Fifa a realização de uma Copa do Mundo que respeite os direitos dos torcedores, jogadores, trabalhadores, jornalistas e comunidades locais.

“Os ataques crescentes a imigrantes nos Estados Unidos, o “cancelamento” de mensagens contra discriminação e ameaças à liberdade de imprensa e aos direitos dos manifestantes pacíficos sinalizam um torneio que vai na direção errada”, disseram os grupos de direitos humanos e trabalhistas.

O Prêmio da Paz concedido pela FIFA a Donald Trump no dia do sorteio dos grupos, em 5 de dezembro, foi é um dos pontos que revoltou as entidades.

“O prêmio stá sendo concedido em um cenário de detenções violentas de imigrantes, implantações da guarda nacional em cidades dos EUA e o cancelamento de campanhas anti-racismo e anti-discriminação da própria Fifa, disse” Minky Worden, supervisora de Esportes na Human Rights Watch.

“Ainda há tempo de honrar as promessas da Fifa para uma Copa do Mundo não contaminada por abusos dos direitos humanos – mas o tempo está passando.”

A Human Rights Watch disse ter escrito para a FIFA  demandando explicações sobre o processo de escolha do homenageado, os critérios, os jurados e outros indicados ao Prêmio da Paz, mas não recebeu resposta.

Copa do Mundo, soft power e ingerências políticas

Apesar de a Copa não ser exatamente um encontro oficial entre países e nem ter foco político, os grandes eventos esportivos internacionais sempre foram observados como uma oportunidade de comunhão entre os povos, trocas, respeito e inclusão.

O que as organizações chamam atenção neste momento é para o risco de que essa edição seja apenas usada como uma demonstração de soft power – e até de poder tradicional – e abandone os ideais esportivos de paz, amizade e respeito aos direitos fundamentais.

A escolha do Catar como sede para o torneio de 2022 veio acompanhada de uma enxurrada de críticas, a maioria delas justamente associadas à questão dos direitos humanos, espirrando em personalidades que ajudaram a promover o torneio.

No país árabe, a população LGBT é criminalizada e homens e mulheres não têm direitos iguais. A liberdade de imprensa é limitada.

Fifa exigiu compromisso com direitos humanos em 2026

A próxima edição da Copa do Mundo  acontecerá em três países, mas são os EUA de Trump que trazem receios. Este ano, os alertas são para outros tipos de violações, especialmente relacionadas a direitos civis, como a liberdade de expressão.

Para se candidatar como sede da Copa do Mundo 2026 os países tiveram que, pela primeira vez, incorporar às suas propostas o compromisso com o respeito aos direitos humanos.

Desta vez, cada uma das cidades-sede é obrigada a desenvolver seu próprio “plano de ação em direitos humanos” para prevenir a discriminação, apoiar os direitos dos trabalhadores, proteger as crianças e combater o tráfico de pessoas.

No entanto, Andrea Florence, diretora-executiva da Sport & Rights Alliance, afirma que “a deterioração da situação dos direitos humanos nos Estados Unidos colocou esses compromissos em risco.”

Jamil Dakwar, diretor de direitos humanos da ACLU (American Civil Liberties Union) fez um apelo:

“A própria política da Fifa afirma que ela usará suas relações comerciais para mitigar os impactos negativos sobre os direitos humanos. Apelamos à Fifa para que honre seus compromissos com os direitos humanos e não ceda ao autoritarismo de Trump.”

Situação nos EUA no governo de Donald Trump

Entre os principais pontos destacados pelas entidades como de atenção em relação aos direitos humanos nos Estados Unidos estão os crescentes ataques contra imigrantes e as ameaças à liberdade de imprensa e aos direitos de manifestantes pacíficos.

Recentemente, a organização Free Press produziu um relatório que aponta como o discurso de liberdade de expressão do presidente é apenas retórico. Na prática, a ONG identificou uma “guerra à liberdade de expressão” no país.

Este mês, o governo Trump anunciou que pode adotar uma nova medida para a concessão de vistos, segundo a qual viajantes precisarão fornecer seu histórico dos últimos cinco anos nas redes sociais para serem autorizados a entrar no país, algo que afeta diretamente os torcedores da Copa do Mundo.

Propostas para garantias de direitos

As entidades elaboraram uma lista de recomendações para a Fifa com o objetivo de garantir que a competição aconteça sem violações de direitos humanos:

  • Restabelecer mensagens antidiscriminatórias;
  • Comprometer-se a garantir proteções eficazes contra a discriminação racial, detenção arbitrária e detenção ilegal de imigrantes durante o torneio;
  • Trabalhar em estreita colaboração com parceiros comunitários na finalização dos Planos de Ação de Direitos Humanos;
  • Tomar medidas eficazes para garantir o respeito aos direitos à liberdade de expressão e ao protesto pacífico;
  • Anunciar e implementar uma Política Abrangente de Proteção à Criança;
  • Garantir benefícios significativos para a comunidade com a Copa do Mundo de 2026;
  • Tomar medidas eficazes para garantir que a Copa do Mundo de 2026 não leve a abusos contra comunidades vulneráveis, incluindo o encarceramento de pessoas em situação de rua.

“Para que a Copa do Mundo realmente ‘una o mundo’, tanto a Fifa quanto os comitês organizadores precisam garantir que os direitos e a dignidade de todos, sejam residentes ou visitantes, sejam protegidos e não explorados”, disse Jennifer Li, coordenadora da Dignity 2026.


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