O ano de 2025 ainda não terminou, mas o Comitê de Proteção de Jornalistas (CPJ) já contabilizou 126 jornalistas e profissionais de imprensa mortos em serviço no mundo, igualando o total de mortes registradas em 2024.
A organização apontou que os números deste ano foram impulsionados por ataques de Israel em Gaza, no Irã e no Iêmen. Outro lugares que contribuíram para o alto número de mortes em 2025 foram Sudão, México, Ucrânia e as Filipinas.
O Brasil não teve mortes registradas este ano.
A CEO do CPJ, Jodie Ginsberg, destacou a relevância do trabalho jornalístico atualmente:
“Em um momento de crescente instabilidade global, o acesso a informações precisas é mais importante do que nunca – no entanto, jornalistas continuam sendo assassinados em números recordes”.
Ela também cobrou que medidas mais efetivas de proteção sejam implementadas:
“Em muitos casos, os responsáveis pelas mortes de jornalistas estão saindo impunes. Mais um ano recorde de assassinatos mostra que não se está fazendo o suficiente globalmente para combater os ataques à imprensa.”
Mortes causadas por Israel
Desde o início da guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza em 2023, 250 jornalistas e profissionais de imprensa morreram no conflito.
O número é maior do que a quantidade de jornalistas mortos por qualquer outra nação desde 1992, quando o CPJ começou a compilar dados.
Só este ano, foram ao menos 86 profissionais, incluindo jornalistas que morreram em Gaza após o cessar-fogo. Em muitos casos, jornalistas foram deliberadamente escolhidos como alvo.
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Mortes acontecem em zonas de conflito
Além de Israel, outros conflitos também impulsionaram a letalidade de jornalistas em 2025.
No Sudão, foram nove mortos este ano. A guerra civil no país já dura dois anos, com um total de 15 profissionais de imprensa assassinados.
Há também registros de outros tipos de violência contra jornalistas: sequestros, estupros e perseguições que obrigam profissionais a fugir.
Na Ucrânia, a situação este ano também foi muito pior do que em 2024. No anterior foi registrada uma morte, já em 2025 foram quatro.
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Violência política e de facções também são fator
Em lugares como o México e as Filipinas, as mortes causadas por violência política ou por facções criminosas são alimentadas por uma falha na resolução dos casos.
No México, seis mortes de jornalistas foram registradas em 2025, uma a mais do que as cinco de 2024. Já nas Filipinas, foram três mortes este ano, ao passo que em 2024 nenhuma havia sido registrada.
A taxa de solução dos casos é baixíssima. Apenas uma pessoas foi presa nas Filipinas – sem nenhuma confirmação de que os assassinatos estivessem relacionados ao trabalho dos jornalistas – e no México não houve nenhuma prisão.
Iraque, Índia e Paquistão completam a lista de lugares que mantiveram seu histórico consistente de assassinatos de jornalistas, uma prática que já dura quase três décadas.
Metodologias diversas
Assim como o CPJ, outras organizações e órgãos de governo compilam o número de mortes de jornalistas anualmente. Porém, cada entidade tem sua própria metodologia, o que resulta em uma variação no número total.
Um dos fatores que podem influenciar a contagem é a forma como jornalistas com mais de uma nacionalidade ou que vivem fora de seu país de origem são contabilizados.
Outra é que em alguns lugares, a morte de jornalistas independentes pode acabar passando despercebida ou, mesmo que o assassinato seja registrado, ele figure apenas como um homicídio comum e não seja feita a relação com a prática do jornalismo.
Há ainda organizações que contam apenas casos que foram confirmados pela polícia como de morte de profissionais no exercício da profissão, o que em muitos lugares pode significar uma subnotificação, devido à falta de independência da polícia.
Os números divulgados pela CPJ no início de dezembro são preliminares. A organização informou que um relatório detalhado sobre o tema será divulgado no início de 2026.
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