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Sustentabilidade ambiental

Muitas fotos nas festas de fim de ano? Veja como evitar o impacto ambiental de imagens esquecidas no celular

Estudo apontou “hábitos sujos” no uso de telefones, redes sociais e streaming que causam aumento de emissões de carbono

Jovens fazendo selfie, que muitas vezes ficam armazenadas e aumentam a pegada de carbono pelo consumo de energia

Foto: Rendy Novantino /Unsplash



Com celulares em mãos durante o Natal e o Ano Novo, muita gente registra cada momento sem imaginar que isso pode contribuir para o aquecimento global. O impacto das fotos no meio ambiente é invisível, mas real — e pode ser reduzido com atitudes simples.


Quem registra os momentos das festas de fim de ano com muitas fotos pode estar contribuindo, sem saber, para um problema que afeta o mundo inteiro: o impacto sobre o meio ambiente causado pelo aumento das emissões de carbono.

Embora pareça uma prática inofensiva, guardar milhares de imagens repetidas no celular ou na nuvem tem impacto real no meio ambiente. E pior: a maioria das pessoas não sabe disso.

Comportamentos digitais cotidianos, como tirar várias fotos até escolher uma para postar, têm custo energético alto — e evitável.

Armazenar fotos tem custo ambiental invisível

Uma pesquisa do Instituto de Engenharia e Tecnologia (IET) do Reino Unido revelou que o armazenamento excessivo de fotos digitais contribui com centenas de milhares de toneladas de CO2 por ano.

O estudo, feito em 2021, mostrou que usuários tiram em média cinco fotos para cada uma publicada. Apenas uma minoria exclui as imagens extras, o que gera acúmulo de arquivos duplicados que precisam ser mantidos em servidores de alto consumo energético.

Esses servidores, espalhados em centros de dados pelo mundo, funcionam 24 horas por dia, exigindo resfriamento constante e energia — muitas vezes de fontes poluentes.

Previsão de aumento nas emissões digitais até 2025

Quando publicou o estudo, o IET alertava que, com base nos hábitos de uso da tecnologia, as emissões relacionadas ao setor digital poderiam dobrar até 2025.

Na época, os especialistas destacaram que quase 80% das pessoas deixavam de considerar o impacto ambiental ao usar a internet, contribuindo silenciosamente para emissões globais em níveis comparáveis aos de setores tradicionalmente vistos como vilões do clima, como a aviação internacional.

Segundo o instituto, os gadgets, a internet e os sistemas que os sustentam já eram responsáveis por 3,7% das emissões globais de gases de efeito estufa — uma proporção relevante no contexto da crise climática.

O alerta, feito antes mesmo da ascensão da inteligência artificial generativa — que tornou mais fácil e comum a criação de fotos e vídeos por meios automatizados —, se mostra ainda mais atual ao se observar outros comportamentos digitais corriqueiros que também contribuem para emissões invisíveis.

Outros hábitos digitais também geram emissões

Entre os chamados “hábitos sujos” digitais identificados pelo IET estavam o uso simultâneo de dois ou mais dispositivos, a prática do streaming passivo (assistir a vídeos enquanto se usa o celular para outra atividade), e o acúmulo de arquivos e mensagens antigas em aplicativos como WhatsApp e Facebook Messenger.

Essas ações, isoladamente inofensivas, se multiplicam em escala global e exigem volumes significativos de armazenamento e transferência de dados.

O instituto estimou que uma hora de streaming de vídeo em plataformas como YouTube ou TikTok poderia gerar cerca de 55g de CO2.

Uma pessoa passando cerca de 40 horas semanais assistindo a vídeos online geraria uma pegada de carbono anual superior a 113 kg.

Outro dado chamou atenção no estudo: 63% das pessoas não limpavam arquivos de aplicativos de mensagem, e mais da metade mantinha mensagens de texto antigas.

Apenas 16% dos entrevistados tomavam esse tipo de medida pensando no meio ambiente. A maioria fazia isso apenas por falta de espaço nos dispositivos.

Confira como reduzir o impacto das fotos no meio ambiente

A boa notícia é que atitudes simples podem diminuir significativamente esse impacto, especialmente em épocas como o fim de ano, quando o uso de celulares para fotos e vídeos se intensifica. Veja algumas dicas práticas apontadas pelo IET:

    • Armazenamento de fotos: crie o hábito de excluir todas as suas fotos duplicadas. Não há problema em aperfeiçoar a foto perfeita para o Instagram, mas simplesmente excluir as fotos indesejadas por fazer uma grande diferença na sua pegada de carbono.
    • Faxina na Nuvem: Limpe regularmente seus arquivos para economizar espaço de dados e reduza suas emissões no processo.
    • Limpe o WhatsApp: a maioria dos textos, mensagens de serviço e de WhatsApp de 2015 provavelmente não precisam ser guardados. O IET recomenda uma faxina e a adoção do hábito de excluir grupos antigos.
    • Dia livre: tenha um dia de ‘vídeo off”’ quando puder. Se você não precisa da câmara ligada para reuniões, desligue-a  para consumir menos dados.
    • Afaste-se do telefone: ao assistir TV ou um serviço de streaming, coloque o telefone de lado. Você aproveitará mais o que assiste  e reduzirá suas emissões de carbono com um simples movimento.
    • Reprodução automática, desligado: Desligue a função ‘reprodução automática do próximo episódio’ nos seus serviços de streaming e use o temporizador em seus dispositivos se você ouvir música ou podcasts enquanto adormece.

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