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Marketing

Contra obesidade infantil, Reino Unido bane anúncios de junk food na internet e restringe exibição na TV

Propaganda mostrando produtos considerados ‘menos saudáveis’ só poderá aparecer na TV entre 21h e 5h30 da manhã

Homem mordendo sanduíche em propaganda do McDonald´s

Anúncios mostrando produtos que o governo classificar como junk food só poderão aparecer na TV depois de 21h.



Propaganda de produtos considerados junk food - incluindo fast food, biscoitos, refrigerantes, chocolates e até alguns cereais matinais - passa a ser proibida na internet no Reino Unido, como parte de um programa para reduzir a obesidade infantil. Na TV elas ainda poderão ser veiculadas, mas apenas à noite e de madrugada.


A partir desta segunda-feira (5), a publicidade paga de bebidas e alimentos classificados como  “menos saudáveis” na internet está proibida no Reino Unido. Na TV os anúncios só poderão ser veiculados entre 21h e 5h30. 

O banimento aplica-se a produtos que se enquadram em 13 categorias apontadas como as que mais contribuem para a obesidade infantil.

A lista inclui refrigerantes, chocolates e doces, pizzas, bolos, sorvetes, e também cereais matinais e mingaus, sanduíches, produtos de panificação adoçados e iogurtes.

Para definir se são menos saudáveis, os produtos passarão por uma avaliação atribuindo pontos de acordo com os níveis de nutrientes e de gordura saturada, sal e açúcar.

As regras serão aplicadas e fiscalizadas pela Autoridade de Padrões de Publicidade (ASA, na sigla em inglês).

Publicidade de junk food proibida para retirar calorias da alimentação infantil

Em comunicado anunciando a entrada da medida em vigor, o governo disse esperar que “a ação  decisiva e pioneira em nível mundial retire até 7,2 mil milhões de calorias da alimentação infantil por ano, reduza em 20 mil o número de crianças com obesidade e proporcione cerca de 2 bilhões de libras em benefícios para a saúde”. 

Segundo dados oficiais, 22,1% das crianças na Inglaterra apresentam sobrepeso ou obesidade ao iniciarem o ensino fundamental, número que sobe para 35,8% ao concluírem essa fase escolar.

A proibição se concentra nos meios de comunicação que crianças e jovens mais utilizam e nos horários em que os utilizam, segundo o governo. 

Brechas para empresas continuarem anunciando

As regras haviam sido anunciadas no ano passado, e mesmo antes da entrada em vigor algumas empresas já tinham aderido voluntariamente – mas começaram a procurar alternativas.

Segundo o jornal The Guardian, o McDonald’s é a empresa que mais aumentou o investimento em publicidade exterior (como outdoors), que é permitida se estiver a mais de 100 metros de escolas ou locais de lazer.

Outra brecha no pacote de medidas é a permissão de anúncios institucionais que não mostrem diretamente alimentos ou bebidas menos saudáveis, mas que são vistos por organizações não governamentais como capazes de incentivar a compra de produtos das marcas ou a ida a lojas de fast food.

A intenção inicial era de que também fossem restringidos, mas após ameaças de processos judiciais o governo voltou atrás.

Outra fragilidade é o horário de 21h. Embora a maioria das crianças menores não esteja vendo TV após este horário, os adolescentes – igualmente afetados pelo aumento da obesidade devido ao consumo de alimentos pouco saudáveis – poderão ser atingidos.

Governo afirma que restrições reduzirão exposição excessiva a anúncios

Ainda assim, o governo britânico defende a eficiência das restrições que entraram em vigor oficialmente nesta segunda-feira. A Ministra da Saúde, Ashley Dalton, disse:

“Ao restringir anúncios de junk food antes das 21h e proibir anúncios pagos online, podemos remover a exposição excessiva a alimentos não saudáveis – tornando a escolha saudável fácil para pais e filhos.”

O banimento de anúncios de junk food segue outras medidas já adotadas pelo governo anteriormente, como um imposto sobre refrigerantes, e que segundo as autoridades resultaram em melhorias nos produtos oferecidos ao público.

A taxação será estendida para cobrir mais produtos, incluindo bebidas açucaradas à base de leite, como milk shakes e lattes, além da proibição da venda de bebidas energéticas com alto teor de cafeína para crianças menores de 16 anos.

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