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Repressão

Detidos, revistados, deportados: ONGs condenam assédio a correspondentes da mídia internacional após captura de Maduro

14 jornalistas foram presos em Caracas e dois na fronteira com a Colômbia em meio à crise decorrente de ataque dos EUA

Manifestação em Caracas em destaque cartaz com foto de Nicolás Maduro

Manifestantes pro Maduro vão as ruas de Caracas exigindo a soltura e comemorando a posse da Presidente Delcy Rodrigues. Foto: RS/Fotos Públicas



Sociedade Interamericana de Imprensa e Colégio Nacional de Jornalistas instam autoridades venezuelanas a respeitar o exercício do jornalismo e a liberdade de imprensa após captura de Nicolás Maduro, em reação a detenções, confisco de equipamentos e até uma deportação de um profissional de imprensa.


Em meio à crise na Venezuela decorrente do ataque dos Estados Unidos e captura do presidente Nicolás Maduro, o jornalismo vira alvo novamente.

A repressão a jornalistas não é novidade no país e segue como regra nos primeiros dias após a queda de Nicolás Maduro, com registro de jornalistas que trabalham como correspondentes para veículos de mídia internacionais detidos e revistados e até deportados.

O que se vê esta semana não é inédito, mas o contexto de instabilidade contribui para a repressão e mostra que o governo anti-democrático de Maduro não era a única ameaça à liberdade de imprensa no país.

14 jornalistas foram detidos em Caracas

Durante a posse da presidente interina Delcy Rodriguez, 14 jornalistas e profissionais de imprensa foram detidos, sendo 13 correspondentes de agências e meios internacionais e apenas um funcionário de um veículo local.

A informação foi incialmente divulgada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP). A entidade afirmou que as detenções aconteceram dentro da Assembleia Nacional e nos arredores.

Segundo o SNTP, exigiram as senhas de acesso e inspecionaram os celulares dos profissionais, checando ligações e mensagens privadas.

Dos 14 detidos, 13, que são venezuelanos, foram liberados e um deles foi deportado, informou o Sindicato.

Dois foram presos na fronteira da Colômbia

Em paralelo às detenções na capital, outros dois profissionais de imprensa foram detidos na fronteira de Cúcuta (Colômbia) e San Antonio (Venezuela).

O SNTP informou que eles ficaram horas incomunicáveis, mas acabaram sendo liberados e se encontram na Colômbia.

“É um saldo alarmante”, escreveu o Sindicato em comunicado nas redes sociais. “Reiteramos nossa exgência de garantias para o exercício do jornalismo livre”, completa o texto.

Organizações pedem respeito

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), uma organização de defesa do jornalismo e da liberdade de imprensa sediada nos Estados Unidos, pediu respeito das autoridades venezuelanas ao exercício do jornalismo.

A entidade divulgou nesta terça-feira (6) um comunicado em seu site no qual chama a atenção para uma “crescente necessidade da população de acessar informações confiáveis, plurais e oportunas” em um contexto de “confusão” e “tensão informativa”.

Em seu posicionamento, a SIP demanda que as autoridades venezuelanas cessem qualquer ação que limite o exercício da liberdade de imprensa, garantam o devido processo legal aos jornalistas detidos e respeitem os padrões internacionais em matéria de direitos humanos e liberdade de expressão.

Da mesma forma, o Colégio Nacional de Jornalistas (CNP) compartilhou em suas redes sociais trechos da Constituição venezuelana, relembrando que a liberdade de imprensa é um direito.

Informação de qualidade é direito dos cidadãos

O presidente da SIP, Pierre Manigault lembrou que “o direito dos cidadãos de permanecerem informados adquire uma relevância ainda maior em momentos de incerteza institucional e política”.

“Obstruir o trabalho da imprensa apenas contribui para aprofundar a desinformação e a ansiedade social.”

Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, advertiu que “nenhuma circunstância justifica a detenção, intimidação ou criminalização de jornalistas por cumprirem seu trabalho informativo”.

“O jornalismo não pode ser tratado como uma ameaça, mas como um serviço público essencial”.

Venezuela tem histórico de repressão a jornalistas

Alvo de críticas globais e de cidadãos venezuelanos por seu governo anti-democrático, Maduro era conhecido também por atacar veículos de imprensa independentes e reprimir o exercício do jornalismo.

A Venezuela é o país da América Latina com o maior número de jornalistas presos por exercerem a profissão. Segundo o SNTP, hoje 23 profissionais estão atrás das grades.

Além disso, outras formas de repressão como agressões físicas e cancelamento de passaportes também são registradas.

No World Press Freedom Index, o índice global de liberdade de expressão organizado pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Venezuela ocupa a posição 160, de um total de 180. Quando Maduro assumiu o poder, em 2013, o país estava na posição 117.

À AFP, a diretora do veículo digital Noticias Ya, Patricia Rodríguez, resumiu a situação atual da profissão no país:

“Trabalhar na Venezuela implica altíssimo risco. É um cenário de guerra.”

Momento de tensão exige informação confiável

Em um momento de profunda incerteza como o que vive a Venezuela hoje, informações independentes e confiáveis se tornam ainda mais necessárias.

Um exemplo de desinformação em meio às tensões aconteceu na noite de segunda-feira (5), quando disparos foram ouvidos ao redor do Palácio de Miraflores, sede da presidência, em Caracas.

Na ocasião, cidadãos compartilharam vídeos nas redes sociais e logo se espalhou a informação de que os Estados Unidos atacavam a capital com drones. Porém, checagem jornalística mostrou que tudo não passou de uma falha de comunicação entre órgãos governamentais.

Os drones eram do Corpo de Investigações Científicas, Criminais e Forenses (CICPC), mas, desavisados, os seguranças de Miraflores reagiram para abater os objetos.

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