As grandes plataformas digitais cancelaram mais de 4,7 milhões de contas em redes sociais na Austrália apenas nos primeiros dias após a implementação da proibição de uso para menores de 16 anos de idade.
Os dados divulgados nesta quinta-feira (15) são do eSafety Commissioner, a agência reguladora de segurança digital da Austrália.
Os números foram fornecidos ao órgão regulador pelas próprias plataformas. O compartilhamento deste tipo de dado está previsto na lei que determinou a proibição.
A proibição do uso de redes sociais para menores de 16 anos entrou em vigor no dia 10 de dezembro e engloba todas as principais redes sociais. O site do eSafety Commissioner traz a seguinte lista:
- Kick
- Snapchat
- Threads
- TikTok
- Twitch
- X (antigo Twitter)
- YouTube
Aplicativos de mensagens como Whatsapp, Discord e Messenger estão liberados, assim como Pinterest, Youtube Kids e até Roblox, plataforma envolvida em inúmeras denúncias de assédio a menores de idade.
Órgão regulador avalia medida positivamente
O eSafety Commissioner reconheceu que as principais plataformas estão colaborando com a implementação da regra. A comissária da eSafety, Julie Inman Grant, disse estar satisfeita com os resultados até o momento.
“É evidente que as orientações regulatórias da eSafety e o engajamento com as plataformas já estão produzindo resultados significativos.”
Grant se mostrou despreocupada com o fato de que algumas pessoas vão dar um jeito de burlar as regras. Ela comparou a nova lei com os limites de velocidade das ruas, dizendo que embora algumas pessoas os desrespeitem, de forma geral eles tornam as vias mais seguras.
“O sucesso é medido pela redução de danos e pela redefinição de normas culturais. […] Com o tempo, o cumprimento das regras aumenta, as normas se consolidam e os benefícios para a segurança crescem.”
Ela também reconheceu que mudanças mais profundas podem demorar anos e explicou que esse é um dos motivos do eSafety estar desde já conduzindo estudos para avaliar os impactos.
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Meta pediu para Austrália ‘repensar’ regra
A Meta, dona do Facebook, do Instagram e do Threads, enviou diversos pedidos para que o governo australiano repense a regra. A empresa já bloqueou mais de 500 mil contas de adolescentes em duas plataformas.
Em comunicado publicado no último domingo (11), a empresa afirmou que solicitou ao governo que fosse encontrado um caminho intermediário para lidar com a exposição de menores de 16 anos em redes sociais:
“Apelamos ao governo australiano para que dialogue construtivamente com a indústria a fim de encontrar um caminho melhor a seguir, como incentivar toda a indústria a elevar o padrão no fornecimento de experiências online seguras, que preservem a privacidade e sejam adequadas à idade, em vez de proibições generalizadas.”
Anteriormente, a Meta já havia se posicionado de forma contrária à regra: “Afastar os adolescentes de seus amigos e comunidades não é a solução”.
A empresa também ressaltou que os menores encontrariam maneiras de burlar a proibição.
Segundo a mídia local, alguns adolescentes estão usando redes sociais novas e menores, que ainda não estão na lista de aplicativos proibidos. Por isso, a Meta sugeriu que o controle deveria ser feito na loja de aplicativos, ao invés de diretamente nas redes sociais listadas.
‘Mudança não acontece da noite para o dia’, disse o primeiro-ministro
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, se manifestou no mesmo sentido da comissária do eSafety, com uma visão otimista e paciente em relação à nova lei.
“A mudança não acontece da noite para o dia. Mas esses sinais iniciais mostram que é importante termos agido para promover essa mudança.
Nós queremos que nossas crianças tenham infância e que os pais saibam que podem contar conosco.”
A ministra da Comunicação, Anika Wells, classificou o número de contas canceladas como uma “enorme conquista”. “Ainda que seja cedo, cada conta desativada pode significar um jovem a mais com mais tempo livre para construir sua comunidade e identidade fora da internet”, disse.
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