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Risco à liberdade de imprensa

FBI faz busca e apreensão de computadores na casa de repórter do Washington Post que investigou demissões no governo

Jornal considerou a operação do FBI envolvendo a jornalista “incomum” e “agressiva”

Hannah Natanson, jornalista do Washington Post alvo de buscas do FBI

Foto: Reprodução/The Harvard Crimson



FBI entrou na casa da jornalista do Washington Post por causa de investigação criminal contra um funcionário do Pentágono, que teria vazado informações confidenciais.


O FBI (Federal Bureau of Investigation, semelhante à Polícia Federal nos Estados Unidos) fez buscas na casa da repórter Hannah Natanson, do Washington Post, na manhã desta quarta-feira (14).

Os agentes federais confiscaram dois computadores – um pessoal e um do Washington Post –, um celular e um smartwatch Garmin, geralmente usado para atividades físicas.

Hannah cobre o governo Trump e fez reportagens sobre a reformulação das estruturas de governo, incluindo demissões em massa, para promoção de uma agenda pró-Trump.

Segundo o FBI, Hannah não é o alvo principal da investigação, mas sim Aurelio Perez-Lugones, um funcionário do Pentágono, o Departamento de Guerra dos EUA. Ele tinha acesso a informações sigilosas e é acusado de levar documentos secretos para casa.

A jornalista não é acusada de nada e a queixa criminal contra Aurelio Perez-Lugones não o acusa de vazar informações sigilosas, apenas de tirá-las do local de trabalho.

Procuradora diz que jornalista estaria recebendo informações vazadas ilegalmente

A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, usou o seu perfil no X para falar sobre o caso. Ela confirmou que as buscas foram feitas na casa da jornalista e afirmou que o motivo foi o fato de que ela estaria recebendo e reportando sobre informações vazadas por um funcionário do Pentágono.

Por meio desta publicação, Pam Bondi informou que Aurelio Perez-Lugones está preso e o chamou de “vazador”.

Ela não se pronunciou sobre críticas de violação da liberdade de imprensa, mas aproveitou para defender a ação do ponto de vista do governo Trump:

“O governo Trump não tolerará vazamentos ilegais de informações confidenciais que, quando divulgadas, representam um grave risco à segurança nacional de nossa nação e aos bravos homens e mulheres que servem ao nosso país.”

Washinton Post classifica medida como ‘agressiva’

Na reportagem sobre o ocorrido, o Washington Post ressaltou que é “extremamente raro” que agentes da lei façam buscas na casa de repórteres.

Em um email enviado para a redação, o editor-executivo do jornal, Matt Murray, chamou as buscas de uma ação “incomum” e “agressiva”.

Ele também disse que o caso é “profundamente preocupante e levanta questões profundas sobre as proteções constitucionais ao nosso trabalho.”

“As regulamentações federais, destinadas a proteger a liberdade de imprensa, são elaboradas para dificultar o uso de táticas agressivas de aplicação da lei contra repórteres com o objetivo de obter a identidade de suas fontes ou informações.”

Operação alerta para risco de restrição da liberdade de imprensa

Assim como o Washington Post, outras organizações alertaram para o risco de restrição da liberdade de imprensa em ações como esta.

O Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) afirmou que a ação do FBI “ignora proteções de longa data ao material de trabalho dos jornalistas e à liberdade de imprensa em geral” e que “essa operação deveria preocupar todos os americanos”.

Katherine Jacobsen, coordenadora do programa para os EUA, Canadá e Caribe do CPJ argumentou que usar o FBI para apreender os equipamentos de trabalho de uma jornalista “é uma violação flagrante das proteções jornalísticas e mina o direito do público à informação”.

“Sem garantias de que os jornalistas possam proteger seus materiais de reportagem, o jornalismo investigativo sofrerá um grande revés, corroendo mais um mecanismo de responsabilização governamental.”

Liberdade de imprensa nos Estados Unidos enfrenta obstáculos

A operação do FBI é mais um item na lista crescente de riscos à liberdade de expressão e de imprensa nos Estados Unidos. Com o retorno de Donald Trump ao poder, ataques à imprensa têm se tornado mais frequentes nos EUA.

O país ocupa atualmente a posição 57, de um total de 180, no World Press Freedom Index, da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Em 2025, os EUA caíram duas posições em relação ao ano anterior e vêm traçando uma trajetória descendente no ranking.

“Após um século de expansão gradual dos direitos de imprensa nos Estados Unidos, o país está vivenciando seu primeiro declínio significativo e prolongado na liberdade de imprensa na história moderna, e o retorno de Donald Trump à presidência está agravando consideravelmente a situação”, explica a RSF.

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