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Inteligência artificial

Após negação de Musk, X anuncia bloqueio de edição de imagens sexualizadas no Grok

Medida foi anunciada poucas horas após Elon Musk, dono do X e do xAI, dizer que desconhecia imagens explícitas de menores geradas pelo Grok

Exemplo de imagem sexualizada pela IA Grok

Foto: Reprodução/X



O X anunciou restrições ao Grok para impedir a criação de imagem sexualizada de pessoas reais, após denúncias de edições indevidas e investigações sobre o uso da inteligência artificial na plataforma, embora horas antes Elon Musk tenha alegado desconhecer o problema.


O X anunciou nesta quarta-feira (14) que está implantando medidas que bloqueiam o Grok, bot de inteligência artificial, de remover roupas de pessoas reais e gerar imagens sexualizadas.

A regra chega quase duas semanas após o início da polêmica envolvendo o Grok, quando denúncias de usuários que tiveram suas fotos manipuladas sem consentimento ganharam tração.

Ela também é uma resposta às autoridades de todo o mundo, que criticaram a falta de controle da plataforma sobre o que é criado pelo Grok e abriram investigações para apurar negligência do X.

Entenda o bloqueio de imagens sexualizadas no Grok

A conta X Safety compartilhou um artigo anunciando as novas medidas para impedir a edição de imagens de pessoas reais. No texto, o braço de segurança da empresa afirma que o bloqueio se aplica a todos os usuários, incluindo assinantes pagos.

A proibição não é apenas de nudez completa ou para menores de idade. Segundo o X, a regra impedirá também a edição de pessoas reais com roupas reveladoras, como biquinis.

“Além disso, a criação e a edição de imagens por meio da conta Grok na plataforma X agora estão disponíveis apenas para assinantes pagos. Isso adiciona uma camada extra de proteção, ajudando a garantir que indivíduos que tentem abusar da conta Grok para violar a lei ou nossas políticas possam ser responsabilizados.”

Outra novidade é o bloqueio por meio de geolocalização para impedir que esse tipo de edição seja feita em locais onde é ilegal.

A plataforma explicou que isso não altera as regras do X e que a equipe continuará atuando para remover conteúdos problemáticos:

Nossa equipe de Segurança está trabalhando ininterruptamente para adicionar medidas de proteção adicionais, tomar medidas rápidas e decisivas para remover conteúdo ilegal e que viole as regras, suspender permanentemente contas quando apropriado e colaborar com governos locais e autoridades policiais, conforme necessário.

Elon Musk alegou desconhecimento

A medida também foi anunciada apenas horas após Elon Musk, dono do X e do xAI, se pronunciar sobre o caso dizendo não ter conhecimento de imagens sexualizadas de menores geradas pelo Grok. “Literalmente zero”, escreveu.

Ele também disse que o Grok não cria imagens espontaneamente, apenas responde a comandos, e que se recusa a criar conteúdo ilegal.

Musk demorou quase duas semanas para se pronunciar sobre o caso, que acumulava críticas e investigações ao redor do mundo.

Mais tarde no mesmo dia, ele criticou o primeiro-ministro do Reino Unido Keir Starmer por considerar regular o Grok, celebrou o grande volume de downloads do Grok em alguns países e descreditou as denúncias.

Musk compartilhou uma publicação de uma pessoa que dizia ter tentado criar imagens de pessoas nuas com o Grok e não ter conseguido, alegando que isso não era possível de verdade, apesar dos inúmeros registros compartilhados no próprio X.

O posicionamento de negação de Musk não foi corroborado pela própria empresa, que agiu para responder às críticas.

Investigações no Brasil e no Reino Unido

Mais cedo nesta quarta, a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) declarou que fez uma nova denúncia ao Ministério Público Federal e à Agência Nacional de Proteção de Dados pois as funções questionadas do Grok haviam sido monetizadas.

Anteriormente, Erika já havia denunciado o Grok às autoridades competentes brasileiras, solicitando que ele fosse desabilitado no país.

Da mesma forma, a Ofcom, agência reguladora de comunicações do Reino Unido, instaurou na segunda (12) uma investigação formal do X, de acordo com o Ato de Segurança Online. O objetivo é apurar se o X “cumpriu suas obrigações de proteger as pessoas no Reino Unido de conteúdo ilegal no país.”

A agência classificou as denúncias envolvendo o Grok como “profundamente preocupantes”.

No mesmo dia da abertura da investigação, o primeiro-ministro Keir Starmer falou sobre o caso, afirmando que o Grok “poderia perder o direito de se auto-regular” no país. A declaração foi alvo de Musk, que afirmou que a reação das autoridades do país eram uma desculpa para censura.

Na quarta (14), Starmer voltou a abordar o tema, afirmando que o X havia indicado a oficiais do governo britânico que estava atuando para bloquear a geração de imagens inapropriadas e colaborar com as leis do país, o que se confirmou com o anúncio da rede social.

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