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Liberdade de imprensa

Jornalista iraniano defensor dos direitos humanos é preso na Turquia e pode ser deportado

País emitiu ordem de deportação para o Irã sob o argumento de ameaça à segurança nacional

Kaveh Tavari, jornalista iraniano preso na Turquia

Kaveh Taveri já passou quase um ano preso no Irã (foto: divulgação CPJ)



Kaveh Taheri, jornalista iraniano, foi detido na Turquia e enfrenta possível deportação para o Irã, onde corre risco de perseguição pelo governo que já o manteve preso por quase um ano.


O jornalista iraniano Kaveh Taheri foi preso na Turquia e corre o risco de ser deportado para o Irã, onde enfrenta sérias ameaças, alertou o Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ).

Jornalista independente e colaborador para veículos internacionais como Huff Post e The Times of Israel, Taheri é um defensor dos direitos humanos e foi reconhecido como refugiado pela Alto Comissário para Refugiados (ACNUR) da ONU.

Ele foi detido no dia 26 de janeiro na cidade de Sakarya, no noroeste da Turquia, quando viajava de ônibus para Istambul para uma consulta de visto no Consulado Francês, disse seu advogado, Salih Efe, ao CPJ. O jornalista foi levado para  o Centro de Remoção de Kocaeli.

Efe informou disse que as autoridades emitiram uma ordem de deportação em 28 de janeiro, citando motivos de “segurança nacional”, que ele afirma ser uma “justificativa padrão frequentemente usada contra jornalistas e aqueles que as autoridades desfavorecem”.

Quem é o jornalista iraniano preso na Turquia

Kaveh Taheri criou o canal ICBPS no YouTube, que se concentra em notícias e análises geopolíticas, e contribuiu para vários meios de comunicação internacionais.

Mais recentemente, ele escreveu sobre assuntos iranianos e internacionais em sua conta no Substack, incluindo denúncias de orrupção governamental e abusos de direitos humanos.

O jornalista foi preso pela inteligência iraniana em 2012 e passou quase um ano na Prisão Adel Abad de Shiraz, relatando ter sido torturado e forçado a fazer uma falsa confissão.

“Deportar Kaveh Taheri para o Irã pode colocar sua vida em sério risco”, disse a diretora regional do CPJ, Sara Qudah.

“As autoridades turcas devem honrar suas obrigações internacionais, interromper imediatamente todos os processos de deportação e permitir que Taheri busque segurança em um terceiro país sem mais assédio.”

O Irã vive um aumento da repressão a ativistas e jornalistas desde que uma nova onda de protestos eclodiu no fim de 2025. O país tem histórico de perseguir jornalistas independentes exilados, com casos registrados de tentativas de assassinato ou agressão a profissionais de imprensa em Londres e em Nova York.

E a Turquia é um país notório pela perseguição a jornalistas que criticam o presidente Recep Erdogan, incluindo correspondentes estrangeiros.

‘Deportação para o Irã seria fatal’, diz irmã do jornalista

A irmã de Taheri, Laleh, expressou a profunda angústia da família após se comunicar com ele por WhatsApp.

“Ele me enviou uma mensagem curta dizendo que foi preso”, disse ela ao CPJ. “Estamos realmente preocupados. Ele está prestes a ser deportado para o Irã, o que seria fatal.”

Seu advogado disse que o jornalista foi detido “ilegal e arbitrariamente”, apesar de possuir uma autorização de viagem válida para uma visita ao consulado.

“Embora um colega tenha conseguido visitá-lo pessoalmente e ter acesso ao processo, não vimos nenhum relatório de inteligência para justificar essas acusações, nem houve nenhuma audiência ou explicação adicional fornecida para sua prisão repentina”, disse Efe, acrescentando que nenhuma data foi definida para uma audiência.

Efe observou que decisões judiciais anteriores bloquearam tentativas anteriores de deportação e que Taheri permanece “preso em um ciclo de assédio administrativo”.

Nem a Direção Geral de Gestão de Migrações da Turquia nem o Consulado Francês em Istambul responderam aos pedidos de comentários do CPJ sobre a detenção e o pedido de visto de Taheri.

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