O cerco internacional contra o bilionário Elon Musk e suas empresas apertou nesta terça-feira (3), com autoridades da França e do Reino Unido reagindo simultaneamente aos escândalo de criação de imagens deepfake pela IA Grok da rede social X.
Em Paris, uma operação da unidade de cibercrime da Procuradoria de Paris, em coordenação com a Europol, culminou em uma batida policial nos escritórios do X.
A ação fez parte de uma investigação criminal sobre a disseminação de pornografia infantil e o uso da IA Grok para gerar deepfakes sexuais — imagens hiperrealistas construídas artificialmente que passam por autênticas.
No mesmo dia, o órgão regulador britânico Information Commissioner’s Office (ICO) anunciou a abertura de uma investigação formal contra a xAI e a X Internet Unlimited Company, afirmando ter “sérias preocupações” com o uso do Grok para gerar imagens sexualizadas de indivíduos, incluindo crianças, sem consentimento.
Segundo o regulador, essa prática que representa uma violação grave da legislação de proteção de dados e um risco significativo de dano ao público.
Musk e Yaccarino são intimados — e caso chega a repercutir nas redes
Autoridades francesas confirmaram que Elon Musk foi intimado a depor no âmbito da investigação.
Nas redes sociais, o empresário reagiu classificando as ações como um “ataque político”, sem entrar em detalhes sobre as acusações ou as buscas nos escritórios.
Linda Yaccarino, ex‑CEO do X, também foi intimada e deverá comparecer para esclarecimentos em abril, de acordo com confirmações das autoridades francesas. Até o momento, ambos os depoimentos são vistos como etapas formais do processo investigativo.
Pressão europeia já vinha crescendo
A batida policial em Paris ocorre após a União Europeia ter aberto, em 26 de janeiro uma investigação preliminar sobre o Grok, diante de denúncias de que o sistema de inteligência artificial teria sido usado para criar imagens sexualizadas de mulheres e menores sem autorização.
Analistas e reguladores viam essa investigação como um indicativo de que o caso poderia ganhar novos desdobramentos — e isso acabou se concretizando com as ações de 3 de fevereiro.
Consequências legais e impacto regulatório
As consequências potenciais para as empresas de Musk são severas e variam conforme o país.
Na França, caso a responsabilidade da plataforma na disseminação de material ilegal seja confirmada, Musk e seus executivos podem enfrentar processos criminais, que envolvem sanções penais além das administrativas.
No Reino Unido, o ICO tem a autoridade para aplicar multas pesadas em caso de violação de leis de proteção de dados e, em última instância, pode até restringir ou limitar o funcionamento do Grok e do X no território britânico.
Além disso, a Ofcom — o regulador de comunicações do Reino Unido — já havia sido autorizado em janeiro a utilizar todos os seus poderes contra o Grok, incluindo a possibilidade de solicitar ao Judiciário o bloqueio de acesso público à ferramenta caso entenda ser necessário para proteger o interesse público.
Embora Musk tenha se manifestado minimamente, alegando perseguição política, o cerco regulatório europeu se intensifica e poderá resultar em sanções financeiras e criminais de grande impacto.
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