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Inteligência artificial

IA chinesa DeepSeek e Grok de Musk são os chatbots mais bloqueados do mundo, revela pesquisa

Os quatro chatbots de IA mais populares já enfrentaram proibições ordenadas por governos 14 vezes, em 13 países

IA da China DeepSeek em smartphone

Foto: Unsplash




A plataforma de inteligência artificial generativa DeepSeek, da China, é a mais bloqueada do mundo, segundo um levantamento da empresa de segurança digital Surfshark que analisou restrições aos chatbots de IA desde 2022.

O Grok, que faz parte da rede social X, de Elon Musk, aparece em segundo lugar. O chatbot sofreu restrições recentes em vários países, em reação ao recurso que permite criar imagens sexualizadas a partir de fotos reais dos usuários, incluindo crianças.

De acordo com o estudo, os quatro chatbots de IA mais populares já enfrentaram proibições ordenadas por governos 14 vezes, em 13 países. O pioneiro foi o ChatGPT, proibido temporariamente na Itália em 2023.

Criada há três anos,  a DeepSeek ganhou visibilidade global em 2025, quando lançou novos modelos de linguagem capazes de competir com as plataformas internacionais, e entrou na mira de governos.

Segundo a Surfshark, ela  já enfrentou proibições ou restrições em pelo menos nove países: Itália, Coreia do Sul, Austrália, Taiwan, Bélgica, República Checa, Países Baixos, Canadá e vários estados dos EUA.

Indisponibilidade dos chatbots em mais de 60 países ou regiões

As restrições mapeadas pela empresa de segurança digital atingem chatbots independentemente do país de origem. ChatGPT, Gemini, Grok e DeepSeek aparecem como “indisponíveis”, “restringidos” ou “proibidos” em mais de 60 regiões, o que impactaria quase 40% da população mundial, diz a Surfshark.

O relatório destaca que, entre os quatro líderes globais, três já sofreram algum tipo de bloqueio direto pelo menos uma vez: ChatGPT, Grok e DeepSeek.

A Surfshark ressalva que esse número exclui casos em que as empresas por trás dos chatbots (como o Google) já eram restritas antes, o que teria impedido o lançamento de novos produtos nesses mercados.

Embora proibições sejam frequentemente associadas a preocupações de segurança, o estudo sugere que a ausência recorrente de chatbots dos EUA em países autoritários pode indicar também razões políticas.

“As restrições atuais a chatbots de IA são só o começo”, diz Tomas Stamulis, diretor de Segurança da Surfshark.

Para ele, a principal questão é segurança de dados: ainda existe incerteza sobre que tipo de informação esses sistemas coletam, onde os dados ficam armazenados e como podem ser usados.

Ele afirma que, conforme as pessoas compartilham mais informações sensíveis com ferramentas de IA, cresce a preocupação de governos com riscos de privacidade e uso indevido — inclusive para influência e propaganda política.

DeepSeek é o principal alvo de bloqueios

Para chegar aos resultados, a Surfshark pesquisou notícias de bloqueios desde 2022 por meio do Google. Em seguida, verificou as listas de países disponíveis nos próprios chatbots e a presença deles em lojas de aplicativos. O Brasil não aparece na lista de bloqueios.

De acordo com a Surfshark, as regiões que proibiram ou restringiram parcialmente a DeepSeek o fizeram por riscos de segurança.

O levantamento diferencia os níveis de veto: apenas Itália e Coreia do Sul teriam imposto uma proibição em nível nacional, enquanto os demais casos citados seriam restrições limitadas a sistemas ou dispositivos do governo.

A Surfshark afirma ainda que, segundo um “estudo de privacidade de chatbots”, o DeepSeek coleta 11 tipos de dados únicos, como a entrada do usuário (incluindo histórico de chat), e declara reter informações pelo tempo necessário, armazenando-as em servidores na República Popular da China.

Stamulis também afirma que, diferentemente de chatbots como ChatGPT e Gemini, que operariam sob a lei federal dos EUA e com interação com reguladores, a DeepSeek não estaria sujeito a marcos comparáveis — e que essa falta de supervisão aumentaria preocupações sobre responsabilização e proteção de dados.

Mesmo assim, o estudo diz que o DeepSeek parece ser popular não só na China, mas também em territórios onde chatbots americanos não estão disponíveis.

Restrição a chatbots dos EUA: ChatGPT, Gemini e Grok

O relatório faz um histórico dos banimentos que começaram na Itália. Em março de 2023, o país impôs ao ChatGPT uma proibição que durou quase um mês, com a autoridade de proteção de dados citando coleta ilegal de dados e ausência de verificação de idade.

A Surfshark também menciona que a OpenAI mantém uma lista oficial de países e territórios em que o ChatGPT é suportado, indicando onde ele não está disponível.

O estudo diz que essa indisponibilidade inclui países como China, Rússia, Belarus, Irã, Venezuela, Coreia do Norte, Síria e Cuba, além de regiões como Hong Kong, Macau e Kosovo, e afirma que ao menos 40 territórios ou países ficariam fora da lista.

Sobre o Google Gemini (lançado inicialmente como Bard, em março de 2023), o levantamento afirma que não houve proibições específicas, mas que a entrada na União Europeia foi adiada até o Google responder a preocupações de privacidade levantadas pela Comissão de Proteção de Dados da Irlanda.

O texto diz que, atualmente, o Gemini estaria acessível em quase 240 países e territórios, mas seguiria indisponível em áreas como China, Rússia, Belarus, Irã, Afeganistão, Coreia do Norte, Síria, Cuba, Hong Kong e Macau.

Restrições ao Grok de Elon Musk

Já o Grok teria sido proibido recentemente na Indonésia, Malásia e Filipinas, por preocupações com potencial de gerar deepfakes sexualmente explícitos, o que resultou em restrições que duraram várias semanas. O estudo afirma que novas sanções podem ocorrer se investigações em outros países avançarem.

O texto acrescenta que a Turquia, em 2025, teria ordenado a proibição de parte do conteúdo compartilhado por Grok, sendo apontada como o primeiro país a censurar oficialmente o chatbot.

Na época da pesquisa, a Surfshark diz não ter identificado uma lista oficial de países compatíveis com o Grok. Ainda assim, o estudo afirma que “o Grok está disponível em todos os países onde o X (antigo Twitter) está disponível”, sugerindo que, se o X estiver bloqueado, o Grok também ficará — sobretudo na integração com a plataforma.

Com base no “Rastreador de cortes de internet” da Surfshark, o estudo diz que o X foi restringido pelo menos 16 vezes desde o lançamento do Grok, em países como República Democrática do Congo, Maurício, Uganda, Tanzânia, Índia, Nepal, Paquistão, Turquia, Brasil e Venezuela.

No total, a plataforma teria enfrentado 78 restrições no mundo, com restrições em andamento em oito países: Uganda, Tanzânia, China, Coreia do Norte, Irã, Myanmar, Turcomenistão e Rússia.


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