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Impunidade

Sob onda de violência após morte de ‘El Mencho’, México também é um dos países mais letais para jornalistas no mundo

Protesto por justiça para jornalista morto no México

Protesto contra morte de jornalista no México



A nova escalada de violência no México expõe um problema crônico: o país segue entre os mais perigosos do mundo para jornalistas, sobretudo fora dos grandes centros.


A onda de violência no México após a morte do traficante “El Mencho” não é novidade para organizações de liberdade de imprensa que monitoram a situação no país, um dos mais perigosos do mundo para o jornalismo.

O crime organizado e políticos a ele ligados são apontados como responsáveis pelo alto número de agressões e mortes de profissionais de imprensa que denunciam atos de violência contra a população, negócios ilegais e corrupção.

Os alvos principais são jornalistas independentes, donos de canais de notícias em redes sociais operando em regiões dominadas por cartéis, que não contam com a proteção de grandes organizações de mídia baseadas nos grandes centros.

Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras, o México encerrou 2025 como o segundo país do mundo mais perigoso para jornalistas, atrás apenas da Faixa de Gaza.

Foi o ano com mais mortes de profissionais de imprensa no país (9) nos últimos três anos, ainda que a presidente Claudia Sheinbaum tenha assumido compromissos de proteção quando assumiu o cargo.

O Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) lista o México como país mais mortal para jornalistas no hemisfério ocidental. E o coloca em oitavo lugar entre as nações em que assassinos de jornalistas têm maior probabilidade de ficar impunes.

Proteção a jornalistas não funciona no México

O assassinato mais recente aconteceu em janeiro. Carlos Castro, de 25 anos, diretor da página de notícias no Facebook Código Norte de Veracruz, focada em questões de segurança, foi morto a tiros por homens armados quando jantava em um restaurante.

Embora o México conte com um sistema de proteção a jornalistas sob ameaça – Castro chegou a fazer parte dele -, diversas mortes de profissionais incluídos no programa já foram registradas, duas delas depois que Claudia Shinbaum tomou posse.

Calletano de Jesús Guerrero, do Global México, foi assassinado a tiros no estacionamento de uma igreja na cidade de Teoloyucan em janeiro de 2025. Ele estava sob proteção federal desde 2014. Três meses antes, Mauricio Cruz Solís havia sido morto no estado de Michoacán, a despeito da escolta federal.

Em dezembro de 2025, o O Comitê para a Proteção dos Jornalistas e a Espacio OSC, uma coalizão de organizações da sociedade civil mexicana, fizeram uma declaração conjunta expressando “profunda preocupação com as irregularidades na implementação de medidas do  Mecanismo Federal Mexicano para a Proteção de Defensores e Jornalistas de Direitos Humanos”.

O mecanismo foi criado em 2022 em resposta à escalada da violência mortal contra jornalistas e defensores dos direitos humanos no México.

Administrado pela Secretaria Federal do Interior, ele fornece medidas de proteção a jornalistas e defensores de direitos humanos em risco, incluindo realocação, escoltas, casas seguras e botões de pânico, a mais de 2 mil pessoas, incluindo aproximadamente 500 jornalistas.

O CPJ e o Espacio OSC documentaram falhas na implementação de medidas básicas de proteção para pelo menos 10 jornalistas, a maioria dos quais recebeu ameaças de morte.

Entre os problemas relatados estavam veículos com falhas mecânicas, impedindo que guarda-costas cumprissem seu dever de proteger os jornalistas.


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