Pelo menos oito jornalistas foram agredidos, ameaçados ou tiveram seus equipamentos roubados por membros de organizações criminosas no México enquanto cobriam os tumultos ocorridos após a morte líder do Cartel da Nova Geração de Jalisco (CJNG), Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”.
Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), foram registrados tiros direcionados a veículos de imprensa, espancamentos, câmeras e telefones celulares roubados e ameaças graves. A maioria dos casos ocorreu nos estados de Jalisco, Sinaloa e Tamaulipas.
“Os ataques a jornalistas por membros de grupos de crime organizado não apenas interrompem a cobertura de uma crise de enorme interesse público, mas confirmaram a alarmante normalização da violência contra a imprensa no México por mais de uma década”, apontou Artur Romeu, diretor da RSF para a América Latina.
Nove mortes de jornalistas foram registradas no México em 2025, colocando o país como o mais perigoso para o jornalismo fora de zonas de guerra.
A RSF lembrou que a presidenta Claudia Sheinbaum assinou durante a campanha eleitoral uma compromisso elaborado pela organização com medidas para proteger a liberdade de imprensa e a segurança dos jornalistas. Desde que ela se tornou presidente, no entanto, houve poucas evidências de progresso na tradução desse compromisso em ação concreta, afirma a organização.
Veja os casos de jornalistas atacados no México quando cobriam os confrontos
Em Jalisco, o repórter Otoniel Martínez, do canal de televisão Azteca Noticias, teve o veículo em que ele e sua equipe atingido por tiros durante a cobertura, sem registros de feridos.
Ele mostrou a reportagem e o carro com marcas de bala que atravessaram as duas janelas laterais na direção do banco traseiro.
Así terminó una cobertura en Guadalajara: en medio de una balacera.
Tras la caída de “El Mencho”, la violencia del CJNG se desató. Rumbo al Aeropuerto Internacional de Guadalajara, sujetos armados cerraron la carretera a Chapala y dispararon.
Una bala atravesó la camioneta en… pic.twitter.com/xAr8Jkjef5
— Azteca Noticias (@AztecaNoticias) February 23, 2026
No mesmo estado, a jornalista Lupita Martínez, da agência digital Vallarta Al Momento, foi forçada a sair de seu carro sob a mira de uma arma enquanto cobria as notícias.
Em Sinaloa, os jornalistas Belizario Reyes e Juvencio Villanueva, ambos do jornal Noroeste, foram agredidos enquanto denunciavam. O jornal informou à RSF que ambos foram espancados e despojados de seus equipamentos.
Em Tamaulipas, a jornalista Guadalupe Castorena, do jornal El Mañana de Reynosa, teve seu veículo e equipamento retirados à força enquanto cobria os bloqueios.
Jornalista de Reynosa disse ter sido agredido
Em Reynosa, o jornalista Jesús Humberto González, da agência digital Cambio Press, disse à RSF que foi brevemente detido por membros de grupos de crimes organizados em um posto de controle, que ameaçaram o jornalista e sua família, que estava com ele quando ele parou para gravar eventos para sua agência. Mais tarde ele foi libertado, mas relatou à organização que havia sido agredido fisicamente.
Em Guanajuato, colegas do jornalista Ian Martínez, do jornal Correo, disseram à RSF que ele foi ameaçado por homens viajando em uma caminhonete, que ordenaram que ele parasse de cobrir os confrontos.
Em Michoacán, a RSF verificou um oitavo caso de intimidação contra um jornalista que solicitou anonimato por razões de segurança. O profissional de notícias recebeu uma ligação anônima ameaçando-o a não publicar informações sobre o que estava acontecendo.
A Repórteres Sem Fronteiras instou as autoridades mexicanas conduzirem uma investigação eficaz sobre esses incidentes e a tomarem medidas urgentes para proteger a imprensa do país, “que está trabalhando em um ambiente extremamente perigoso”, ressaltou.
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