A ferramenta de verificação reversa de imagens do Google está produzindo resumos imprecisos gerados por IA em consultas sobre a veracidade de fotos e vídeos supostamente retratando os conflitos no Oriente Médio após os ataques dos EUA e Israel ao Irã.
A constatação foi feita pela NewsGuard, organização dedicada a monitorar fake news e teorias da conspiração no ambiente digital.
Menos de uma semana após a guerra eclodir, em 28 de fevereiro, a NewsGuard identificou quatro casos em que o Google AI Overview (Modo IA, em português) repetiu uma falsidade relacionada à guerra no Irã que viralizou nas redes sociais, após um pedido de verificação reversa de imagem.
Os pesquisadores NewsGuard submeteram imagens que estavam sendo usadas para promover alegações falsas sobre a guerra ao recurso de pesquisa de imagens do Google, sem qualquer informação adicional para direcionar a consulta.
Nos quatro exemplos, a informação fornecida pelo Google sobre a cena estava errada, assegurando que seria atual ou que retratava um acontecimento em um lugar diferente da realidade, ou ainda uma extensão de danos muito maior do que um ataque verdadeiro ocasionou.
Mas em outro caso testado, o Modo IA informou corretamente que a cena de um navio afundando era proveniente de um videogame.
Como funciona a checagem de imagens
O Modo IA do Google oferece resumos automatizados gerados por inteligência artificial, que aparecem nos resultados de pesquisa — incluindo pesquisas reversas de imagem— para fornecer aos usuários um resumo rápido da pergunta feita.
Ele substitui o mecanismo tradicional de busca, que consistia em listar as fontes mais relevantes para o usuário clicar nelas e se informar melhor, indicando o caminho para sites de governos, de organizações independentes e de veículos de imprensa.
A pesquisa reversa de imagem é um recurso disponível na barra de pesquisa do Google para saber onde uma imagem apareceu online anteriormente.
O relatório da NewsGuard explica que além do Modo IA, o Google fornece uma lista em uma guia à direita da Visão Geral da IA de “Exact Matches” da imagem, que muitas vezes pode fornecer informações sobre as origens da imagem e fornecer pistas sobre sua autenticidade.
No entanto, os pesquisadores constataram que os resumos gerados por IA produzidos pela ferramenta de pesquisa reversa de imagens do Google podem descaracterizar o que as imagens realmente retratam, apresentando alegações falsas como alegações precisas.
Os quatro casos verificados pela NewsGuard
O NewsGuard disse ter submetido à ferramenta Google uma cena de um vídeo de um incêndio em um prédio residencial nos Emirados Árabes Unidos ocorrido em 2015, mas que foi usado esta semana por contas de mídia social pró-iranianas para afirmar que um prédio da CIA em Dubai foi atingido por um míssil iraniano.
O Google AI Overview respondeu:
“A imagem mostra um incêndio em um prédio residencial alto em Dubai, Emirados Árabes Unidos, supostamente ocorrido em 1º de março de 2026, após tensões regionais. … Surgiram relatórios conflitantes sobre a causa, com algumas fontes mencionando um ataque de drone e outras referindo-se ao edifício como uma instalação de inteligência específica.”

Os pesquisadores encontraram matérias da Associated Press sobre o incêndio publicadas em 2015, e não localizaram registros confiáveis de que alguma instalação americana em Dubai tenha sido danificada por mísseis iranianos.
12 mísseis em Tel Aviv?
Em outro caso, a NewsGuard colou na barra de pesquisa do Google uma captura de tela de um vídeo de IA que está sendo citado por contas de mídia social pró-Irã como evidência de que 12 mísseis do Irã teriam causado danos generalizados em Tel Aviv. A resposta foi:
“Esta imagem retrata um engajamento militar em Israel, provavelmente em 3 de março de 2026, em meio a uma escalada de hostilidades na região.”
Na verdade, segundo a organização, o vídeo tem uma probabilidade de 99 por cento de ser gerado por IA. Um míssil iraniano conseguiu ultrapassar a defesa aérea israelenses em 28 de fevereiro de 2026, resultando em dezenas de feridos e uma morte em Tel Aviv.
No entanto, como aponta a NewsGuard, o vídeo feito com IA retrata uma escala de destruição muito maior, mostrando pelo menos 12 mísseis atingindo uma área residencial em rápida sequência.

Dois outros videos submetidos pelos pesquisadores mostravam cenas apresentadas como sendo de um ataque de grandes proporções que teria provocado um incêndio na embaixada dos EUA em Riad. O Modo IA do Google informou que as imagens seriam de um ataque em 3 de março deste ano.
Mas um dos vídeos havia sido postado em 8 de fevereiro, enquanto o outro foi criado com a ferramenta Nano Banana do próprio Google.
Onde a IA do Google acertou
O relatório da NewsGuard destaca o valor da ferramenta de pesquisa de imagem reversa, apesar das falhas identificadas.
Uma das verificações resultou em uma resposta correta. O vídeo mostrava o que foi apontado como um incêndio no navio de guerra americano USS Abraham Lincoln depois de alvejado por um míssil iraniano.
O Modo IA do Google informou que a imagem era fabricada, provavelmente usando cenas de um videogame de simulação de batalhas.
Um porta-voz do Google disse à NewsGuard em um comunicado enviado por e-mail:
“A Lens [A ferramenta de imagem reversa do Google] foi construída para conectar pessoas com informações da web para ajudá-las a entender uma imagem. Quando não há muito contexto de alta qualidade para uma determinada imagem, o Modo IA pode refletir as informações limitadas disponíveis. Tomamos medidas quando encontramos violações de nossas políticas e usamos esses exemplos para melhorar nossos sistemas.”
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