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Inteligência artificial

Usando IA demais no trabalho? Cuidado, isso pode ‘fritar’ seu cérebro, diz pesquisa de Harvard

Estudo publicado na Harvard Business Review mostrou que, apesar de poder minimizar tarefas repetitivas, uso da IA deve ter limites para não se transformar em risco

Mulher diante de computador com as mãos no rosto demonstrando preocupação

Foto: Vasilis Caravitis / Unsplash



Segundo a análise do impacto da IA no ambiente profissional feita por pesquisadores de Harvard, aqueles que supervisionam equipes que usam chatbots são os mais afetados, principalmente no setor de marketing. O estudo pode ser um ponto de partida para definir um limite saudável para uso da inteligência artificial em escritórios.


Usar IA demais no ambiente de trabalho pode deixar o seu cérebro ”frito’, mostra um estudo publicado nesta semana pela Harvard Business Review.

A pesquisa, que ouviu 1.488 profissionais de hierarquias e áreas diferentes nos Estados Unidos, mapeou o impacto das tecnologias em ascensão no mundo corporativo e fez um diagnóstico preocupante.

Segundo a análise, quando utilizada em excesso e de forma inadequada, a inteligência artificial generativa vira inimiga no escritório. Com isso, o que era para ser uma facilidade acaba sendo desmotivador, exaustivo e arriscado.

A sensação de cérebro frito

O “cérebro frito” de IA é um termo usado pelos pesquisadores para definir a fadiga mental de lidar diretamente com a inteligência artificial. Alguns dos funcionários relatam uma espécie de névoa mental, ocasionando dificuldade extrema de concentração e afetando tomada de decisão.

Apesar de estar ligada a uma sensação de cansaço, o cérebro frito não é igual ao burnout.

Enquanto nos trabalhadores diagnosticados com burnout o estado de stress é crônico, envolvendo sensações físicas e emocionais, no cérebro frito a sensação é mental e cognitiva, como se o paciente tivesse várias “abas abertas” na cabeça.

Aumento de erros e problemas

O funcionário diagnosticado com cérebro frito pelo uso de IA tem 33% mais chances de ter fadiga de decisão. Ou seja: ele gasta tanto tempo lidando com a supervisão das ferramentas de IA que acaba sem energia cognitiva para fazer escolhas estratégicas.

A fadiga de decisão, por sua vez, está diretamente ligada ao aumento de erros simples, que segundo o estudo, têm 11% mais chance de acontecer, e ao aumento de erros graves, com 39% mais chance de ocorrer.

Um entendimento fundamental para os pesquisadores é de que humanos precisam de atenção focada, que é um bem finito, para tomar decisões importantes. Quando ele gasta essa atenção para supervisionar máquinas, ele coloca a empresa em risco.

Os grupos e profissões mais vulneráveis

Um perfil de profissional está mais vulnerável ao “cérebro frito” no uso de IA: quem supervisa ferramentas de inteligência artificial. Segundo a pesquisa, os trabalhadores que têm alta demanda de supervisão despendem 14% a mais de esforço mental. Além disso, eles têm 12% a mais de fadiga mental lidando com a IA.

Marketing e RH são as duas áreas de serviço com maior propensão ao cérebro frito. Isso não é por acaso.

As funções costumam lidar com uma gama maior de serviços de IA, que são inseridas, muitas vezes, sem preparo ou contexto adequado. É comum que as pessoas pensem que um profissional de comunicação saberá lidar melhor com uma ferramenta nova, mas, sem instrução, ninguém aprende.

A falta de instrução e de apoio de supervisores, inclusive, é um ponto que faz mal ao desempenho do funcionário, mostra a pesquisa. O estudo chamou atenção para a existência de “órfãos de IA”.

Esse é o nome dado aos funcionários cujos chefes esperam que o aprendizado em torno das ferramentas aconteça sozinho. Outro grupo que relata exaustão é o daqueles que não recebem explicações claras sobre o papel das ferramentas de IA nas empresas.

Em resumo, a premissa é uma: se você foi bem instruido sobre a função daquele serviço, ele vai ser mais um auxílio e, ao mesmo tempo, menos pesado.

IA para o bem

Apesar dos dados alarmantes e da teoria do cérebro frito, a pesquisa também listou pontos positivos da IA no ambiente de trabalho.

Quando usada com moderação, a IA tem potencial de diminuir os níveis de burnout em 15%, segundo a análise. Além disso, quando usada para diminuir tarefas repetitivas antes exercidas manualmente, elas têm potencial de causar sensações mais positivas,

Número mágico

Para os pesquisadores, há um número máximo de ferramentas de IA no trabalho para evitar o cérebro frito. Uma ou duas são consideradas boas para aumentar a produtividade. Quando o funcionário usa três, ele segue com produtividade crescente, apesar de em menor quantidade.

Já quando o número de ferramentas de IA usadas ou supervisionadas passa para quatro, essa produtividade vira acúmulo de tarefas, desmotivação e exaustão, revelou o estudo.

O que fazer para melhorar os dados

Os pesquisadores listaram uma série de sugestões para que a IA não vire inimiga no ambiente de trabalho. Uma delas é definir um limite para a quantidade de ferramentas supervisionadas por uma pessoa. Outra é dedicar tempo para ensinar aos funcionários como usar as ferramentas.

Parar de recompensar o volume de uso das ferramentas de IA e passar a recompensar os resultados dessas ações também é uma boa pedida. Por fim, uma dica é tratar o cansaço mental das ferramentas como um novo risco ocupacional, monitorando a carga cognitiva do funcionário.


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