A ferramenta de tradução e revisão de textos Grammarly foi obrigada a desativar o recurso de IA Expert Review depois de enfrentar críticas intensas de jornalistas e escritores, além de um processo coletivo movido pela jornalista investigativa americana Julia Angwin.
A remoção foi confirmada nesta terça-feira (12), após uma revolta com o recurso que utilizava nomes e estilos de autores reais sem autorização, apresentando revisões de textos supostamente “inspiradas” em profissionais que jamais haviam consentido com o uso de suas identidades.
Como funcionava o Expert Review que gerou a crise
O Expert Review oferecia aos usuários comentários e sugestões de escrita atribuídos a especialistas reconhecidos, como jornalistas, autores e acadêmicos, cobrando US$ 144 dos usuários por ano.
O sistema imitava o estilo desses profissionais e apresentava o feedback como se fosse baseado diretamente em suas vozes e métodos.
Em alguns casos, o recurso citava até especialistas falecidos, como Carl Sagan, o que ampliou as críticas sobre ética e transparência.
Profissionais como Casey Newton, ex-editor do The Verge e autor da newsletter Platafomer, afirmaram que foram transformados em “editores de IA” sem consentimento.
A jornalista que abriu o processo e sua trajetória
A ação coletiva foi movida por Julia Angwin, uma das jornalistas mais respeitadas na cobertura de tecnologia, privacidade e vigilância digital.
Angwin tem uma carreira consolidada: foi repórter do The Wall Street Journal, onde integrou a equipe vencedora do Prêmio Pulitzer; atuou como jornalista investigativa na ProPublica, onde novamente foi finalista do prêmio; fundou e dirigiu o The Markup, organização dedicada a investigar o impacto da tecnologia na sociedade; e é autora de livros de referência sobre vigilância digital.
Além disso, escreve regularmente para o The New York Times como colunista convidada.
Sua experiência e reputação tornam o processo particularmente significativo, já que ela própria dedicou grande parte da carreira a investigar práticas de coleta e uso indevido de dados.
Em um artigo no New York Times intitulado “Por que estou processando o Grammarly, a jornalista escreveu:
“Como todos os autores, vivo da minha inteligência. Minha capacidade de ganhar a vida depende da minha capacidade de criar uma frase, de sintetizar uma ideia, para fazer com que os leitores se preocupem com pessoas e lugares que eles só podem acessar através de palavras em uma página. O Grammarly não me consultou antes de usar meu nome. Só soube que uma empresa de IA estava vendendo um deepfake da minha mente dpor um artigo online.”
E em um comunicado do escritório de advocacia que a representa, Julia Angwin disse:
“Trabalhei por décadas aprimorando minhas habilidades como escritora e editora, e estou angustiada ao descobrir que uma empresa de tecnologia está vendendo uma versão impostora da minha experiência suada.”
Peter Romer-Friedman, fundador e sócio-gerente da Peter Romer-Friedman Law, explicou que há mais de 100 anos a legislação de Nova York proíbe empresas de usar o nome de uma pessoa para fins comerciais sem o seu consentimento.
“A lei não fornece uma exceção para empresas de tecnologia ou IA. Estamos entrando com esta ação hoje para proteger os direitos de repórteres, editores e autores trabalhadores para que eles possam decidir quando e como seus nomes serão usados”, completou.
As acusações do processo contra o Grammarly
A ação movida por Angwin alega que o Grammarly explorou comercialmente a reputação de escritores reais ao usar seus nomes e estilos como base para o Expert Review sem qualquer consentimento.
O processo alega violação de direitos de imagem, apropriação indevida de identidade e práticas enganosas, já que o recurso induzia usuários a acreditar que o feedback vinha de especialistas reais ou era diretamente inspirado por eles.
A indenização inicial estipulada na causa é de US$ 5 milhões pelos danos causados pelo uso não autorizado de sua identidade profissional, mas o valor pode ser aumentado depois da comprovação de ganhos da plataforma com o recurso.
Por ser uma ação coletiva, outros autores que também tenham tido seus nomes listados como experts poderão se juntar ao mesmo processo.
Em um artigo no New York Times intitulado “Por que estou processando o Grammarly, a jornalista escreveu:
“Como todos os escritores, vivo da minha inteligência. Minha capacidade de ganhar a vida depende da minha capacidade de criar uma frase, de sintetizar uma ideia, para fazer com que os leitores se preocupem com pessoas e lugares que eles só podem acessar através de palavras em uma página. O Grammarly não me consultou antes de usar meu nome. Só soube que uma empresa de IA estava vendendo um deepfake da minha mente dpor um artigo online.”
A resposta do Grammarly e os próximos passos
Diante da repercussão negativa, o Grammarly anunciou a desativação imediata do Expert Review e reconheceu publicamente que “falhou” ao lançar o recurso sem considerar o impacto sobre os especialistas envolvidos.
A empresa afirmou que pretende reformular a ferramenta para garantir que autores reais tenham controle sobre como seus nomes e estilos são utilizados.
As demais funções de IA do Grammarly — como correção gramatical, reescrita e ajustes de tom — permanecem ativas e não foram afetadas pela controvérsia.
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