Dois jornalistas, a alemã Eva Maria Michelmann e o curdo-turco Ahmed Polad estão desaparecidos desde janeiro na Síria, quando a cidade de Raqqa, no nordeste do país, foi tomada por forças do governo em uma ofensiva contra as Forças Democráticas Sírias lideradas pelos curdos.
Eles trabalham para a Agência de Notícias socialista Etkin (ETHA), com sede em Istambul, e a Özgür TV, que opera em várias cidades da Europa.
Segundo o Comitê Para a Proteção de Jornalistas (CPJ), os profissionais foram vistos pela última vez deixando um prédio afiliado às autoridades curdas com civis fugindo da cidade, quando foram separados da multidão e colocados em um veículo militar, supostamente pertencente às forças do governo sírio, de acordo com a ETHA e com o advogado da jornalista.
Família de jornalista desaparecida pede apoio na Alemanha
Nesta quarta-feira, a família de Eva Maria Michelmann deu uma entrevista coletiva em Colônia, na Alemanha, fazendo um apelo urgente de ajuda direcionado ao governo alemão e à comunidade internacional.
Roland Meister, advogado de Michelmann, disse ao CPJ que eles estão em contato com o governo sobre o caso dela, mas “não receberam nenhuma informação até agora”.
“O desaparecimento de Eva Maria Michelmann e Ahmed Polad em Raqqa levanta sérias preocupações sobre a segurança dos jornalistas que trabalham na Síria”, disse Joud Hasan, Coordenador do Programa Levante do CPJ.
“As autoridades sírias devem esclarecer urgentemente o que aconteceu com os jornalistas, incluindo se eles foram detidos, e garantir sua segurança.”
O trabalho dos jornalistas desaparecidos na Síria
Serpil Arslan, editor-chefe da Özgür TV, disse ao CPJ que Polad, que trabalhou como produtor e repórter de programas ao mesmo tempo em que contribuía para a ETHA, foi a Raqqa para cobrir os combates na cidade e desapareceu quando a SDF se retirou das áreas e concordou em integrar suas forças às instituições estatais sírias, permitindo que Damasco restabelecesse o controle sobre a cidade e as áreas vizinhas.
“Ele tentou transmitir ao vivo, mas à medida que os confrontos se intensificaram, isso não foi possível. Em vez disso, ele nos enviou imagens dem vídeo”, disse Arslan, acrescentando que algumas horas depois, o jornalista informou que o prédio em que ele estava com civis havia sido cercado antes que a comunicação fosse cortada.
Eva Maria Michelmann trabalhava em Rojava há anos como assistente social e jornalista independente, informando sobre os direitos das mulheres, a dinâmica social e os modelos de autogestão democrática. Colaborou com suas reportagens em plataformas como ETHA e Perspektive Online.
Arzu Demir, jornalista e membro do conselho editorial da ETHA, que também produz um programa para a Özgür TV, disse à CPJ: “Maria enviava notícias para nossa agência há cerca de quatro anos. Por motivos de segurança, publicamos as reportagens dela anonimamente.”
Contactado pelo CPJ, Omar Haj Ahmed, diretor-geral de assuntos de imprensa do Ministério da Informação da Síria, disse que “o ministério não tem nenhuma informação sobre o incidente ou os indivíduos, e ninguém enviou qualquer solicitação ou tomou qualquer ação formal”.
Morhaf al-Hussein, Diretor de Mídia do Governo de Raqqa, também disse ao CPJ pelo WhatsApp que estava acompanhando o caso.
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