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Liberdade de imprensa

Sequestro de dois jornalistas no centro de Porto Príncipe expõe colapso da segurança no Haiti

Osnel Espérance e Junior Célestin desapareceram durante reportagem na capital haitiana, em meio ao avanço da violência de gangues.

Jornalistas Osnel Esperance e Junior Célestin, sequestrados no Haiti

Osnel Esperance e Junior Célestin, jornalistas sequestrados no Haiti (foto: CPJ)




Em mais um episódio da escalada de violência no Haiti, dois jornalistas foram sequestrados enquanto faziam uma reportagem no centro de Porto Príncipe e seguem desaparecidos, segundo organizações de defesa da liberdade de imprensa e a mídia haitiana.

Osnel Espérance e Junior Célestin foram capturados no centro da capital na sexta-feira, 13 de março, em meio ao avanço da violência armada praticada por gangues.

Espérance é  jornalista da Radio Uni FM, e Célestin trabalha para a Radio Télévision Megastar.

Sequestro de jornalistas no Haiti ocorreu durante reportagem

O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) informou que os jornalistas foram interceptados perto de uma área controlada por grupos criminosos.

A organização apontou que o caso pode estar relacionado à ofensiva da polícia haitiana contra a coalizão criminosa Viv Ansanm, em Porto Príncipe, e afirmou que a escalada da violência tem tornado o trabalho jornalístico cada vez mais arriscado no país.

Os sequestros ocorreram um dia após outro ataque contra o jornalista da Marvel Dandin, diretor da Rádio Kiskeya.

Na noite de 12 de março, pelo menos sete homens armados tentaram invadir sua casa no bairro Soisson de Thomassin, em Pétion-Ville, de acordo com a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), citando relatos da mídia local.

“A violência no Haiti está em um nível intolerável, tornando quase impossível para os jornalistas fazerem seu trabalho com segurança. É vital que as autoridades haitianas ajudem a trazer os repórteres Osnel Espérance e Junior Célestin para casa em segurança e restabeleçam a ordem em áreas controladas por gangues”, afirmou Katherine Jacobsen, coordenadora do CPJ para Estados Unidos, Canadá e Caribe.

ONGs cobram libertação imediata dos jornalistas sequestrados no Haiti

A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) também cobrou ação imediata das autoridades haitianas e disse estar profundamente preocupada com o paradeiro dos dois jornalistas.

A organização afirmou que o episódio mostra o grau de vulnerabilidade da imprensa no Haiti, especialmente entre profissionais que cobrem a atuação de gangues e a deterioração da segurança pública.

“A RSF condena o sequestro de Osnel Espérance e Junior Célestin e está profundamente preocupada com seu destino e paradeiro. Exigimos que as autoridades haitianas ajam imediatamente para encontrá-los, façam tudo ao seu alcance para garantir que estejam sãos e salvos e protejam suas famílias e colegas”, declarou Artur Romeu, diretor do escritório da RSF para a América Latina.

‘Risco extremo’ para jornalistas no país

A SIP também pediu a libertação imediata dos jornalistas e associou o caso ao ambiente de ameaça constante enfrentado por repórteres e comunicadores no Haiti.

Para a entidade, o sequestro evidencia o nível extremo de risco a que está submetida a imprensa em um país onde grupos armados ampliaram seu controle territorial e sua capacidade de intimidação.

O presidente da SIP, Pierre Manigault, cobrou “a libertação imediata e com vida de ambos os jornalistas, assim como garantias urgentes para sua segurança”.

A entidade afirmou ainda que acompanha o apelo das famílias para que o governo haitiano atue “com a maior urgência” para localizar os profissionais, assegurar sua libertação e levar os responsáveis à Justiça.

Violência contra a imprensa no Haiti documentada por ONGs

O Haiti figura nas piores posições em avaliações de liberdade de imprensa e de expressão.

A mais recente delas, divulgada pela Sociedade Interamericana de Imprensa,  classifica o país na categoria de Alta Restrição.

O relatório afirma que “a grave crise política, econômica e de segurança que atravessa esta nação, com um Estado impotente diante de crimes, coloca a impunidade em crimes contra a população e a imprensa, como um dos principais agravantes”.

O Haiti está em 111º lugar no Índice Global de Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras, que lista 180 nações.


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