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Liberdade de imprensa

Em derrota para Trump, juiz manda governo recontratar jornalistas da Voz da América e retomar transmissões

Justiça considerou demissão de funcionários da rede pública de TV criada na Segunda Guerra Mundial “arbitrária e fruto de capricho”

Tela inicial da Voz da América




Um juiz federal americano determinou ao governo Trump que os funcionários da emissora pública internacional Voice of America (Voz da América, ou VoA) voltem ao trabalho até segunda-feira (23), e que as transmissões sejam retomadas.

A derrota na tentativa de desmonte do sistema de mídia de serviço público nos EUA segue-se a outra decisão judicial desfavorável na semana passada pelo mesmo magistrado, Royce Lamberth.

A contratação da CEO da Agência de Mídia Global dos EUA (USAGM), Kari Lake, foi considerada ilegal e ela teve que ser substituída. Lake vinha operando o corte de verbas e de funcionários nas redes subordinadas à agência, incluindo a VoA, mas o mesmo juiz que deu a nova ordem entendeu que ela não tinha autoridade para fazer demissões.

A Repórteres Sem Fronteiras, autora do processo junto com profissionais da Voice of América e vários sindicatos, comemorou a decisão. O Diretor Geral da entidade, Thibaut Bruttin, disse:

“O tribunal federal deixou claro: os ataques do governo Trump à VoA, incluindo a demissão de praticamente todos os seus funcionários, foram ilegais.

Isso é, é claro, o que sabíamos ser verdade o tempo todo, e ficamos muito orgulhosos de estar ao lado dos jornalistas da VoA nessa luta.”

Brutin afirmou que a entidade combaterá qualquer tentativa de desmantelar a Voz da América ou de “transformá-la em um braço de propaganda da Casa Branca de Trump”.

“O governo dos EUA deveria abandonar sua vingança contra a imprensa e deixar os jornalistas da VoA voltarem ao trabalho imediatamente”, cobrou.

O processo contra o fechamento da VoA

O processo contra a demissão de funcionários e fechamento da VoA  foi aberto em março de 2025 por funcionários da rede e por organizações como Repórteres Sem Fronteiras (RSF), American Federation of Government Employees (AFGE), American Foreign Service Association (AFSA) e o sindicato de jornalismo  The Newsguild-CWA.

O governo Trump chegou a ter uma vitória no mês seguinte, revogando uma sentença anterior que havia determinado a reintegração da equipe e corte de verbas.

Desde então, todos os prestadores de serviço da VOA foram dispensados, enquanto seus mais de 500 funcionários estatutários  foram colocados em licença administrativa. Os canais em mídias sociais pararam de publicar conteúdo atualizado.

O governo Trump retomou esporadicamente algumas transmissões limitadas para atender às suas necessidades políticas, de acordo com a RSF, como a programação em língua farsi que apoiou explicitamente os ataques aéreos EUA-Israel no Irã.

Em sua sentença, o juiz afirmou que a decisão de demitir os jornalistas foi “arbitrária e fruto de capricho”, acrescentando que o governo não levou em consideração a legislação que determina quais idiomas e regiões a VOA deve servir.

Mas a entidade acredita que o governo dos EUA apele da nova decisão, o que pode atrasar o retorno dos jornalistas da VOA ao trabalho.

O papel estratégico da Voice of America

A Voice of America, fundada em 1942, é uma emissora pública voltada para audiências internacionais, especialmente em países onde a liberdade de imprensa é limitada.

Ao longo das décadas, se consolidou como fonte confiável de notícias globais, com mais de mil funcionários e noticiário em dezenas de idiomas e como um braço importante para o soft power americano – que este ano caiu.

Sob o governo Trump, no entanto, a VoA e outras emissoras associadas enfrentaram reestruturações administrativas. Em março de 2025, uma ordem executiva dissolveu a liderança da USAGM e promoveu mudanças profundas na gestão das redes estatais.

A decisão foi tomada no âmbito dos cortes de verbas realizados pelo departamento de eficiência governamental (DOGE, na sigla em inglês), na época liderado pelo bilionário Elon Musk.

Donald Trump justificou o ato como parte de um esforço para reduzir o que ele chamou de “propaganda antiamericana” financiada pelos contribuintes. Ele descreveu a VoA como a “Voz da América Radical”.

Elon Musk apoiou a decisão, chamando a Voice of America de “um grupo de pessoas radicais de esquerda queimando dinheiro dos contribuintes”.


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