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Crianças nas redes

Novo guia do governo britânico condena IA e vídeos acelerados para crianças pequenas; veja as diretrizes

Diretrizes indicam evitar dispositivos digitais antes dos 2 anos, limitar o uso entre 2 e 5 anos e evitar vídeos acelerados

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Foto: Unsplash




O governo do Reino Unido publicou seu primeiro guia oficial voltado a pais e cuidadores de crianças menores de 5 anos sobre uso de telas, com recomendações objetivas para a rotina familiar.

A principais diretrizes contidas no documento lançado nesta sexta-feira (27) são evitar telas antes dos 2 anos, salvo em situações compartilhadas, como videochamadas com familiares, e limitar o uso a até 1 hora por dia entre 2 e 5 anos.

O guia também recomenda evitar vídeos acelerados no estilo das redes sociais como os do TikTok, desencorajar o uso solitário de dispositivos, tirar as telas das refeições e da hora de dormir e priorizar conteúdos lentos.

Conclusões dos especialistas sobre tempo de tela

As orientações são sustentadas pelas conclusões de um relatório do painel de especialistas liderado pela Comissária da Criança, Rachel de Souza, e pelo professor Russell Viner, pediatra e especialista em saúde infantil.

Os integrantes do grupo e trabalho analisaram as evidências científicas mais recentes sobre o uso de telas em menores de 5 anos, e descobriu que longos períodos de tempo gasto apenas nas telas podem atrapalhar atividades críticas para o desenvolvimento, como sono, atividade física, brincadeiras criativas, aprendizado e interação com os pais.

Um relatório da ONG Kindred Squared dos primeiros anos revelou que 28% das crianças do Reino Unido que entram no sistema educacional não conseguem usar um livro corretamente, com muitas tentando tocar em páginas físicas como um tablet.

Mas nem todo o uso da tela é igual. As evidências mostram que assistir telas com um adulto engajado onde os pais conversam e fazem perguntas está ligado a um melhor desenvolvimento cognitivo do que ao uso solo.

E que o conteúdo lento é muito melhor para o desenvolvimento do que vídeos acelerados e muito estimulantes. Eles são apontados como prejudiciais para crianças pequenas aprenderem a se concentrar.

Outra indicação é de que limites de tempo não devem ser aplicados da mesma forma para tecnologias assistivas baseadas em telas para apoiar crianças com necessidades especiais.

A ideia é simples: nessa fase, sono, brincadeira, interação com adultos e desenvolvimento da linguagem devem vir antes do tempo de tela.

As orientações: tempo de tela e tipo de conteúdo assistido

Veja as recomendações, reunidas em um site na internet.

Menores de 2 anos: Evitar uso de dispositivos que não sejam para atividades compartilhadas que incentivem o vínculo, a interação e a conversa. A orientação é igual à do guia para pais publicado em 2025 pela governo brasileiro.

Crianças de 2 a 5 anos: Limitar o tempo de tela a no máximo uma hora por dia. Evitar dispositivos digitais na hora das refeições e na hora antes de dormir.

Conteúdo: Escolher conteúdo lento e adequado à idade. Vídeos em ritmo acelerado, no estilo de mídia sociais como o TikTok.  Os especialistas recomendam conteúdos com histórias simples, menos mudanças de cena e personagens falando devagar. Deve ser fácil ouvir o que as pessoas estão dizendo e ver as emoções nos rostos dos personagens. 

 Evite IA: Não deixe que crianças pequenas usem brinquedos, ferramentas ou chatbots de IA até que haja mais evidências sobre como eles as afetam. Isso inclui dispositivos ou aplicativos, como robôs interativos, alto-falantes inteligentes ou aplicativos de bate-papo de IA.

Co-visualização: Assistir ou usar telas junto com as crianças. Pais e cuidadores são orientados a conversar, fazer perguntas e se envolver com o conteúdo – é melhor para o desenvolvimento das crianças do que o uso da tela sozinha, como uma babá digital.

Por que tempo de tela ganhou força agora

A publicação do guia ocorre em uma semana de pressão internacional renovada sobre as plataformas digitais.

Nos Estados Unidos, um júri em Los Angeles concluiu que Meta e Google foram responsáveis por danos ligados ao desenho e à operação de Instagram e YouTube em um caso considerado histórico sobre vício em redes e saúde mental de jovens usuários.

Ao mesmo tempo, o debate político britânico também se intensificou.

O governo de Keir Starmer vem defendendo medidas mais duras para proteger crianças da lógica viciante das plataformas, e a discussão pública passou a incluir restrições mais amplas ao acesso de menores às redes sociais.

Consulta pública no Reino Unido pode endurecer regras para menores

O governo britânico abriu neste mês uma consulta pública para discutir medidas adicionais de proteção digital para crianças e adolescentes.

Entre as propostas em debate estão restrições ao uso de redes sociais por menores, como fez a Austrália, e limites a mecanismos associados à retenção compulsiva de atenção, como autoplay e rolagem infinita.

Nesse contexto, o novo guia para pais funciona como uma resposta prática e imediata enquanto o debate regulatório mais amplo no país e processos judiciais contra as Big Techs em vários países continuam a pressioná-las.


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