A ex-editora da Vogue, Anna Wintour, apareceu pela primeira vez na capa da revista que ela comandou por quase 40 anos. A aparição aconteceu ao lado de Meryl Streep, atriz que interpretou Miranda Priestly, uma personagem muitas vezes apontada como inspirada na editora britânica.
Clicadas pela célebre fotógrafa Annie Leibovitz, as duas surgiram na capa da nova edição vestindo Prada e com sapatos, óculos e acessórios de outras marcas de luxo. As duas deram uma entrevista juntas à diretora Greta Gerwig, de Barbie.
A capa, sob o título “Quando Miranda conhece Anna”, é quase uma propaganda do lançamento do filme “O Diabo Veste Prada 2”, previsto para o final deste mês – e uma demonstração de que em vez de brigar com a versão de que seria uma megera, Wintour habilmente aproveitou para mostrar seu lado da história de forma elegante.
Ela abre a entrevista dizendo:
“Em primeiro lugar, gostaria de dizer que é uma honra ser interpretada por Meryl, por mais distante que Miranda esteja de mim. Quem não acharia esse o presente mais extraordinário?”
Para alguns, a atípica aparição de uma ex-editora na capa de uma revista é um sinal de uma campanha de marketing bem sucedida. Para outros, é o significado de que Wintour ficou maior do que a revista que ela mesma revolucionou.
Wintour ficou maior do que a Vogue?
Anna Wintour deixou o cargo de editora-chefe da Vogue pouco mais de um ano antes de virar capa da revista, em junho de 2025. Apesar disso, ela seguiu no cargo de diretora editorial global da empresa e continua sendo diretora de conteúdo da Condé Nast, que é dona da Vogue.
Além disso, ela afirmou em comunicado ao anunciar sua saída, que seguiria como editora de teatro e de tênis da revista “para sempre”. Fora das revistas, Wintour segue sendo a diretora do Met Gala, maior evento de moda do mundo, cargo que ela assumiu em 1995.
Alguns viram o afastamento parcial dela como uma tentativa de seguir no controle, mesmo após entregar o cargo a Chloe Malle, 40. “A Vogue de Malle é, pelo menos neste mês, a Vogue de Wintour”, afirma o crítico da Variety, Daniel D’Addario.
Seja nas decisões editoriais ou na capa, o fato é que, em mais de 40 anos de carreira no mundo da moda, ela se tornou uma referência no assunto. Agora, após conquistar todo o reconhecimento possível, ela parece empenhada em abraçar a propaganda de um filme que já a taxou como uma pessoa horrível.
Por que se ligar ao filme?
A aparição ao lado de Streep chega a ser irônica. Afinal, “O Diabo Veste Prada” foi baseado em um livro escrito por Lauren Weisberger, ex-assistente de Wintour.
Apesar de negar que a produção era sobre a editora da Vogue, a suposta ligação do livro com Wintour era tão forte que se tornou um percalço na produção do primeiro filme, como lembrado por Meryl Streep na entrevista de capa:
“Todo mundo tinha medo da Anna no primeiro [filme], então não conseguíamos encontrar nenhuma roupa. Ninguém queria nos dar roupas.”
Anna embarca no filme
Ao contrário do primeiro filme, Wintour embarcou com tudo na divulgação do novo “O Diabo Veste Prada 2”.
Antes de estrelar a capa da revista, ela subiu ao palco do Oscar 2026 ao lado de Anne Hathaway para anunciar o prêmio de melhor figurino e melhor maquiagem. A capa “icônica” parece ser um novo passo, nada discreto, nessa propaganda.
Para alguns, ela viu a oportunidade de abraçar a personagem e mostrar quem ela é verdadeiramente. Para outros, essa pode ser uma forma de controlar a produção a favor dela. Na própria entrevista, Wintour fala que ligou para Meryl Streep ao saber que a sequência do filme seria produzida.
“Quando ouvi rumores de que esse novo filme poderia acontecer, liguei para Meryl para perguntar se era verdade. Eu sabia que ela me diria se tudo ficaria bem. Ela ainda não tinha lido o roteiro, então disse que me ligaria de volta. E foi exatamente o que ela fez. Ela leu o roteiro, me ligou de volta e disse: Anna, acho que vai dar tudo certo.”
Apesar de estar presente na divulgação do filme, a ex-editora da Vogue negou qualquer intenção de se tornar atriz, afirmando que não tem talento.
Wintour não se vê em Miranda
Apesar de falar que tem honra em ser representada por Meryl Streep no filme, Anna Wintour diz que é bem diferente da personagem interpretada pela atriz.
No primeiro “O Diabo Veste Prada”, ela aparece como uma mulher perfeccionista e fria, que impõe medo nos funcionários. Além disso, a personagem fictícia é solitária e sacrifica a vida pessoal em prol da carreira. Esse sacrifício, de acordo com Wintour, não fez parte da vida dela.
“Eu fazia questão de ir aos jogos e às reuniões de pais e professores, estando presente quando era importante. Eu sentia que a Vogue podia sempre esperar e que tudo bem ser uma mãe ocupada. Você dá um jeito de fazer funcionar.”, afirmou.
Wintour tem dois filhos: Charles, 41, que é médico, e Katherine, 38, que é produtora da Broadway.
Um hit nas redes sociais
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O anúncio da nova capa na página de Instagram da Vogue é um capítulo que merece destaque. O alcance da publicação foi tão grande que reuniu não só famosos em seus comentários, mas também a personificação de marcas diversas.
Os comentários vão desde a Victoria’s Secret, de lingerie, até a Grey Goose, de vodka. “TÃO icônico”, afirmou o perfil oficial da Victoria’s Secret. “Nosso duo favorito”, disse a marca de vodka.
A Abercrombie, de roupas, Clinique, de dermocosméticos e a revista Essence, voltada para mulheres negras dos EUA, também comentaram no post. “Isso é uma aula de narrativa visual”, afirmou o perfil da multinacional Adobe.
Esses comentários mostram, acima de tudo, que a sequência de O Diabo Veste Prada chega aos cinemas em um mundo muito diferente do primeiro filme. Quando o primeiro filme chegou ao cinema, o Instagram sequer existia.
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