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Liberdade de imprensa

Javier Milei faz novo ataque a jornalistas durante entrevista na TV: ‘95% são delinquentes’

Declarações foram dadas dois dias depois de profissionais de imprensa terem sido barrados na Casa Rosada em meio a uma denúncia de operação de influência russa

Javier Milei em entrevista em que voltou a atacar jornalistas

Javier Milei fez novos ataques contra jornalistas em entrevista à TV pública argentina (Foto: X)




O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar a imprensa ao afirmar que “95% dos jornalistas são delinquentes” durante entrevista à Televisión Pública argentina exibida na noite desta quarta-feira (8).

As declarações foram feitas durante uma conversa pré-gravada para uma série intitulada Economistas, em que foi entrevistado por dois economistas e empresários que o apoiam.

Milei defendeu a condução econômica de seu governo e levantou suspeitas sobre os jornalistas que a questionam.

“Há meios de comunicação que têm conflitos porque têm benefícios ou respondem a empresários que recebem benefícios e vantagens.”

O presidente comparou políticos e jornalistas, e fez seu julgamento:

“Muitas pessoas na política são um lixo, mas muitos dos jornalistas são piores. As pessoas são enganadas pelas mentiras que dizem na imprensa. Eles sabem que estão mentindo e ainda assim continuam dizendo coisas falsas.”

Para Milei, o governo está sofrendo o que chamou de “ataque midiático”, atribuído por ele em parte ao ter cortado verbas oficiais.

Inconformado com as notícias desfavoráveis, o presidente argentino disse achar que o jornalismo “está generalizando muito”, procurando erros e generalizando-os.

“95% estão envenenados e envenenam as pessoas.”

Milei fez uma ressalva a poucos que disse considerar profissionais, afirmando que “há uma parte (dos jornalistas) que são bons e eu os respeito”.

Mas afirmou que, por não ceder a privilégios, “estão me mandando a conta”. E voltou a falar em  suposta corrupção da mídia, afirmando que “há jornalistas que têm cúmplices na política’.

Caso da Casa Rosada antecedeu novo ataque  de Milei

O novo ataque de Milei contra jornalistas ocorreu dois dias depois de profissionais de imprensa credenciados terem sido impedidos de entrar na Casa Rosada, sede do governo argentino, em meio à repercussão de uma denúncia sobre uma suposta operação russa de desinformação voltada contra Milei.

Ele também falou sobre o caso na entrevista de quarta-feira, afirmando que “não vai ceder a forças estrangeiras entrando em um país e tentando desestabilizar um governo”.

A denúncia sobre a operação russa veio a público no dia 3 de abril. Segundo a apuração de um consórcio internacional de jornalismo investigativo, um grupo de espionagem russo teria impulsionado a publicação de mais de 250 textos em meios digitais argentinos entre junho e outubro de 2024, numa ação para desgastar o governo argentino.

A restrição de acesso foi aplicada em 7 de abril a jornalistas de veículos ligados às reportagens sobre a suposta operação. A medida foi apresentada como “preventiva” e executada com controle nos acessos por agentes de segurança.

Depois da repercussão, entidades do setor de imprensa manifestaram preocupação com a medida e defenderam o livre exercício do trabalho jornalístico.

Em nota, o SiPreBA (Sindicato de Prensa de Buenos Aires) afirmou que o governo tentava “silenciar o jornalismo crítico” e exigiu a restituição do acesso aos credenciados.


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