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Pressão legal

Condenada por design viciante, Meta está derrubando anúncios de advogados recrutando clientes para processá-la

Ao menos 12 anúncios, alguns deles publicados por grandes empresas de advocacia, foram excluídos em um só dia, segundo levantamento do site Axios

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, usando óculos escuros

Mark Zuckerberg, CEO da Meta (foto: perfil Instagram)




Após a derrota em um processo considerado histórico por ser o primeiro a condenar plataformas de mídia social por design viciante, a Meta (dona do Facebook, Instagram e Whatsapp) confirmou que vem apagando anúncios de advogados que tentam recrutar clientes para novas ações legais contra a empresa.

A informação foi revelada pelo site de notícias Axios.

Um levantamento feito do Axios mostrou que, somente em um dia, a empresa apagou mais de 12 anúncios do tipo nas suas plataformas. Alguns deles de grandes empresas de advocacia norte-americanas, como a Morgan & Morgan, da Flórida, e a Sokolove Law, de Massachusetts.

As exclusões são baseadas nos próprios termos de uso da marca e foram confirmadas pela Meta.

Elas acontecem ao mesmo tempo em que decisões de júris na Califórnia e no Novo México abrem precedente para condenações financeiras milionárias para jovens que tiveram as vidas afetadas pelas big techs.

Anúncios apagados

Os anúncios dos escritórios tentando atrair clientes para novas ações, já que o veredito do processo encerrado em março é referência para queixas semelhantes, usam como argumento o fato de as redes sociais sabiam dos riscos causados pelo seu design e não fizeram nada para resolver isso.

Além da plataforma de maior acesso da empresa, o Facebook, as divulgações também aconteciam no Instagram, Threads, Messenger e na Audience Network.

Um dos anúncios destacados pelo Axios dizia:

“Ansiedade. Depressão. Isolamento. Automutilação. Estas não são apenas fases adolescentes — são sintomas ligados ao vício em mídias sociais em crianças. As plataformas sabiam disso e continuaram visando crianças de qualquer maneira.”

Algumas delas seguiam ativas na manhã desta quinta-feira (9), quando a Axios divulgou o balanço. Elas não devem, porém, durar muito tempo ativas, já que a Meta declarou publicamente a sua guerra aos advogados.

Meta confirmou exclusão dos posts

Procurada pelo Axios, a companhia de Mark Zuckerberg não só confirmou que apagou as propagandas, como também explicou o que motivou a decisão.

De acordo com um porta-voz da empresa, eles “se defendem ativamente” das acusações e não permitirão que advogados lucrem com um problema que eles próprios criticam.

“Não permitiremos que advogados lucrem com as nossas plataformas enquanto afirmam que elas são prejudiciais.”

Além disso, os próprios termos de serviço da Meta dão espaço para a exclusão das postagens. Na seção 3.2 do documento, ela menciona que tem o poder de remover publicações para evitar o “uso indevido dos serviços” ou “impactos jurídicos à empresa”.

Condenações históricas 

No mês passado, um júri da Califórnia condenou a Meta e o Google por desenvolverem redes sociais com design viciante para crianças e adolescentes.

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