Organizações de liberdade de imprensa voltaram a protestar contra ataques deliberados de forças militares de Israel contra profissionais de imprensa após a morte de três jornalistas em um só dia, no Líbano e em Gaza.
Os ataques aconteceram na quarta-feira (8), matando os jornalistas Mohammed Samir Washah, Ghada Dayekh e Suzan Khalil em uma acentuada escalada de ataques à imprensa. De acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), pelo menos um deles, Samir Washah, foi vítima de ataque direcionado.
Washah, correspondente da rede Al Jazeera, emissora estatal do Catar, foi morto quando seu carro foi alvo de um ataque de drones israelenses na cidade de Gaza.
Em um comunicado, a Al Jazeera Media Network disse “condenar veementemente o crime hediondo” contra seu jornalista, que trabalhava para a rede desde 2018.
“Isso constitui uma nova e flagrante violação de todas as leis e normas internacionais, e reflete uma política sistemática de mirar jornalistas e silenciar a voz da verdade”.
No Líbano, ataques israelenses separados mataram Dayekh, um apresentadora da Sawt Al-Farah, e Khalil, repórter e apresentadora da Al-Manar TV e da Rádio Al-Nour.
Mortes de jornalistas em meio a ataques de Israel ao Líbano após cessar-fogo
As mortes ocorreram em meio ao intenso bombardeio israelense em todo o Líbano, horas após um cessar-fogo entre Irã, Israel e Estados Unidos, incluindo mais de 100 ataques lançados em minutos, apesar dos anúncios de cessar-fogo.
“Esse padrão de ataques ressalta um pior clima de impunidade e um flagrante desrespeito pelo direito internacional. Ataques deliberados, indiscriminados ou desproporcionais a jornalistas — civis sob o direito internacional humanitário — são aparentes crimes de guerra e mandados de investigação”, disse o CPJ em um comunicado.
De acordo com a organização, a guerra de Gaza já é a mais mortal para jornalistas já registradas, com o assassinato de hoje elevando esse total para pelo menos 260 jornalistas mortos desde o seu início em 2023.
Desde a eclosão da guerra do Irã em 28 de fevereiro de 2026, mais jornalistas foram mortos no Líbano e em toda a região, elevando o número de mortos apenas no Líbano para pelo menos sete nas últimas semanas.
‘Mortes de jornalistas não são tragédias isoladas’
“Os jornalistas estão sendo mortos em um ritmo e escala que devem chocar a consciência do mundo. Essas não são tragédias isoladas; elas refletem uma falha sistemática em manter as proteções mais básicas devidas aos jornalistas civis sob o direito internacional”, disse a diretora regional do CPJ, Sara Qudah.
“O CPJ vem alertando consistentemente que, sem responsabilizações, esses ataques continuarão a aumentar, encorajando aqueles que buscam silenciar o jornalismo independente por meio da violência”.
O CPJ pediu uma ação internacional urgente para garantir a proteção dos jornalistas e interromper os ataques contínuos à imprensa.
E instou as autoridades internacionais a garantir que todos os casos de assassinatos direcionados da imprensa sejam investigados de forma independente e imparcial como crimes de guerra, “dada a falta de longa data de Israel em investigar e processar crimes cometidos por seus militares”.
“Os perpetradores — desde os indivíduos nas unidades das Forças de Defesa de Israel até o mais alto nível da cadeia de comando — devem ser responsabilizados”, diz o comunicado.
A organização Repórteres Sem Fronteiras já protocolou cinco queixas de crimes de guerra contra jornalistas no Tribunal Pena Internacional (a Corte de Haia).
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