O concurso de fotojornalismo World Press Photo Contest anunciou os vencedores da sua 69ª edição, destacando dois brasileiros entre os premiados da região América do Sul nas categorias melhor foto única e melhor série.
Ao todo, 42 profissionais foram reconhecidos, representando regiões como América do Norte e Central, África, Europa, Ásia e Pacífico e Oceania.
O fotojornalista da Folha de S.Paulo Eduardo Anizelli venceu na categoria séries com “Aqueles que carregam os mortos”. O trabalho documenta uma operação policial nas favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, realizada em outubro de 2025.

Já a documentarista Priscila Ribeiro foi premiada pela fotografia “Um território de esperança”, que retrata a crise habitacional em um assentamento informal em Colombo, no Paraná.
Reconhecido por valorizar o melhor do fotojornalismo e da fotografia documental, o concurso recebeu nesta edição mais de 57 mil imagens, enviadas por 3.747 fotógrafos de 141 países. O vencedor geral será anunciado no dia 23 de abril.
O impacto das imagens premiadas da operação policial no Complexo do Alemão
A série premiada no concurso de fotojornalismo de Eduardo Anizelli, “Aqueles que carregam os mortos”, registra uma das operações mais letais da história do Brasil.
Em outubro de 2025, mais de 2,5 mil policiais participaram de uma ação no Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, com o objetivo de capturar líderes do Comando Vermelho. O resultado foi trágico: 122 pessoas morreram.
Na imagem, um veículo incendiado por traficantes de drogas forma uma barricada, dificultando o acesso da polícia ao complexo da Penha. Queimar veículos é uma tática comum para atrasar o avanço das forças de segurança.

Policial aponta a arma para dois indivíduos durante a operação na favela.

Suspeitos sentam-se com a cabeça baixa para proteger suas identidades. As autoridades abordaram mais de 50 pessoas na operação, mas apenas alguns deles foram presos e nenhum foi morto.

As autoridades não conseguiram enviar equipes de perícia, obrigando a comunidade a suportar o peso físico e emocional de carregar seus próprios mortos.
Um corpo foi encontrado na floresta da Vacaria entre as favelas da Penha e do Alemão. A polícia emboscou indivíduos em fuga no local, deixando vítimas durante a noite.

Moradores carregam um corpo para fora da floresta de Vacaria. Na ausência de equipes estatais de resgate ou de perícia, a comunidade foi forçada a recuperar seus próprios mortos.

Mulher chora ao encontrar o marido morto.

Moradores do Complexo do Alemão colocam o corpo de um homem na caçamba de uma caminhonete.

A foto aérea mostra os corpos recuperados enfileirados na Praça São Lucas. Levou quatro dias para as autoridades identificarem oficialmente e liberarem todas as vítimas, atrasando os rituais de funerais e luto.

Trabalhadores municipais lavam o sangue na Praça São Lucas.

A tragédia superou, em número de vítimas, o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992. Ainda assim, o governo estadual classificou a operação como bem-sucedida, apesar de não ter capturado os principais líderes criminosos.
Documentarista brasileira foi premiada com uma foto sobre assentamento informal
Já o trabalho da documentarista Priscila Ribeiro registra a crise habitacional no Brasil, onde o déficit de moradias chega a 5,9 milhões de casas, levando cerca de 16,4 milhões de pessoas a viver em assentamentos informais.
A imagem vencedora no prêmio de fotojornalismo World Press Photo Contest retrata Sandra Mara Siqueira descansando ao lado dos netos Micael, Davi, Ana Flávia e Vitória. Ela mora no assentamento Parque dos Lagos em Colombo, Paraná, desde 2013.

No local, cerca de 200 famílias vivem sem acesso à regularização fundiária, o que impede a chegada de serviços básicos como água, esgoto e eletricidade.
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