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Fotojornalismo

Dois brasileiros são premiados no World Press Photo com registros de violência policial e crise habitacional

Eduardo Anizelli e Priscila Ribeiro venceram nas categorias Série e Foto Única da etapa América do Sul do principal concurso internacional de fotojornalismo

Homens de cabeça abaixada durante operação policial no Complexo do Alemão no Rio de Janeiro

Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026




O concurso de fotojornalismo World Press Photo Contest anunciou os vencedores da sua 69ª edição, destacando dois brasileiros entre os premiados da região América do Sul nas categorias melhor foto única e melhor série.

Ao todo, 42 profissionais foram reconhecidos, representando regiões como América do Norte e Central, África, Europa, Ásia e Pacífico e Oceania.

O fotojornalista da Folha de S.Paulo Eduardo Anizelli venceu na categoria séries com “Aqueles que carregam os mortos”. O trabalho documenta uma operação policial nas favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, realizada em outubro de 2025.

Corpos dos 122 mortos durante ação policial no Complexo do Alemão e da Penha no Rio de Janeiro. A imagem venceu na região da América do Sul no concurso de fotojornalismo World Press PHoto Contest
Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026

Já a documentarista Priscila Ribeiro foi premiada pela fotografia “Um território de esperança”, que retrata a crise habitacional em um assentamento informal em Colombo, no Paraná.

Reconhecido por valorizar o melhor do fotojornalismo e da fotografia documental, o concurso recebeu nesta edição mais de 57 mil imagens, enviadas por 3.747 fotógrafos de 141 países. O vencedor geral será anunciado no dia 23 de abril.

O impacto das imagens premiadas da operação policial no Complexo do Alemão

A série premiada no concurso de fotojornalismo de Eduardo Anizelli, “Aqueles que carregam os mortos”, registra uma das operações mais letais da história do Brasil.

Em outubro de 2025, mais de 2,5 mil policiais participaram de uma ação no Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, com o objetivo de capturar líderes do Comando Vermelho. O resultado foi trágico: 122 pessoas morreram.

Na imagem, um veículo incendiado por traficantes de drogas forma uma barricada, dificultando o acesso da polícia ao complexo da Penha. Queimar veículos é uma tática comum para atrasar o avanço das forças de segurança.

Carro queimada serve de barricada na entrada da favela na Penha, no Rio de Janeiro. A foto foi premiada no World Press Photo Contest
Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026

Policial aponta a arma para dois indivíduos durante a operação na favela.

Policial aponta a arma para duas pessoas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro
Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026

Suspeitos sentam-se com a cabeça baixa para proteger suas identidades. As autoridades abordaram mais de 50 pessoas na operação, mas apenas alguns deles foram presos e nenhum foi morto.

Homens de cabeça abaixada durante operação policial no Complexo do Alemão no Rio de Janeiro
Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026

As autoridades não conseguiram enviar equipes de perícia, obrigando a comunidade a suportar o peso físico e emocional de carregar seus próprios mortos.

Um corpo foi encontrado na floresta da Vacaria entre as favelas da Penha e do Alemão. A polícia emboscou indivíduos em fuga no local, deixando vítimas durante a noite.

Corpo abandonado na floresta do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro. A imagem foi premiada no concurso de fotojornalsmo
Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026

Moradores carregam um corpo para fora da floresta de Vacaria. Na ausência de equipes estatais de resgate ou de perícia, a comunidade foi forçada a recuperar seus próprios mortos.

Pessoas carregam corpo de homem morto durante ação policial no Rio de Janeiro, Complexo do Alemão em outubro de 2025
Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026

Mulher chora ao encontrar o marido morto.

Mulheres choram diante de homem morto. A foto foi premiada no World Press Photo Contest
Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026

Moradores do Complexo do Alemão colocam o corpo de um homem na caçamba de uma caminhonete.

Moradores do Compelxo do Alemão colocam corpo na caçamba de um carro. A imagem foi premiada no concurso de fotojornalismo
Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026

A foto aérea mostra os corpos recuperados enfileirados na Praça São Lucas. Levou quatro dias para as autoridades identificarem oficialmente e liberarem todas as vítimas, atrasando os rituais de funerais e luto.

Imagem aérea dos mortos durante ação policial no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Imagem premiada no World Press Photo Contest
Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026

Trabalhadores municipais lavam o sangue na Praça São Lucas.

Garis fazem a limpeza da rua onde os mortos da ação policial no Complexo do Alemão,no Rio de Janeiro, ficaram. Imagem venceu na categoria séries, região América do Sul no World Press PHoto Contest
Foto: Eduardo Anizelli / World Press Photo Contest 2026

A tragédia superou, em número de vítimas, o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992. Ainda assim, o governo estadual classificou a operação como bem-sucedida, apesar de não ter capturado os principais líderes criminosos.

Documentarista brasileira foi premiada com uma foto sobre assentamento informal

Já o trabalho da documentarista Priscila Ribeiro registra a crise habitacional no Brasil, onde o déficit de moradias chega  a 5,9 milhões de casas, levando cerca de 16,4 milhões de pessoas a viver em assentamentos informais.

A imagem vencedora no prêmio de fotojornalismo World Press Photo Contest retrata Sandra Mara Siqueira descansando ao lado dos netos Micael, Davi, Ana Flávia e Vitória. Ela mora no assentamento Parque dos Lagos em Colombo, Paraná, desde 2013.

Imagem P&B de muolher cercada de crianças. A foto foi premiada no concurso de fotojornalismo World Press Photo Contest
Foto: Priscila Ribeiro / World Press Photo Contest 2026

No local, cerca de 200 famílias vivem sem acesso à regularização fundiária, o que impede a chegada de serviços básicos como água, esgoto e eletricidade.


 

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