Fotógrafos palestinos que documentam a guerra em Gaza foram os grandes vencedores do Istambul Photo Awards 2026, concurso que reconhece as melhores imagens produzidas para a imprensa em 2025, ano em que o conflito gerou algumas das cenas mais dramáticas da história do fotojornalismo de guerra.
A principal premiação, a Foto do Ano, foi para Haitham Imad, da Agência de Proteção Ambiental (EPA), com a imagem “Gaza, sem esperança”.
A fotografia mostra uma mãe segurando a filha Sham, de 2 anos, com o corpo deformado pela má nutrição, no Hospital Nasser, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza.

Organizada pela agência de notícias turca Anadolu, a 12ª edição do concurso premiou 26 fotógrafos em 10 categorias e recebeu cerca de 19 mil imagens de profissionais de todo o mundo.
Reportagem Fotográfica | Jehad Alsharfi, Associated Press
Na categoria Reportagem Fotográfica o vencedor foi outro palestino, Jehad Alsharfi, da Associated Press (AP), com a série “Morte Eterna”, abordando de forma impactante a questão da fome na Faixa de Gaza.
A população de Gaza sofre com a fome: um terço dela dorme sem comida, e cada imagem testemunha uma realidade desumana enquanto a última imagem permanece um final em aberto para uma batalha sem fim contra a fome.

O fotógrafo relatou o que viu e sentiu.
“Em Gaza, a fome se tornou uma cena diária de morte. As pessoas correm atrás de caminhões de ajuda, algumas voltam feridas enquanto outras nunca retornam.
Quando pacotes de ajuda caem do céu, corpos exaustos colidem, os gritos de fome se misturam com o cheiro de sangue, e o pão se torna mais precioso que a vida.”
Conheça as outras fotos premiadas no concurso da Anadolu
Além dos vencedores principais, outras imagens destacadas no concurso da Anadolu também documentaram a guerra em Gaza, outros conflitos e cenas de esportes e meio ambiente. Confira as premiadas.
Retrato (foto única) | Saher Alghorra, The New York Times
A imagem premiada como o melhor retrato do ano também registra a crise da fome na Palestina. 
Foto: Saher Alghorra (NYT) / Istambul Photo Awards 2026Yazan Abu Foul, de 2 anos, nos braços de sua mãe Naima, sofre de desnutrição severa em meio à deterioração das condições de saúde na Faixa de Gaza.
Ele e sua família vivem nos restos de sua casa destruída no campo de refugiados de Al-Shati, a oeste da Cidade de Gaza. A cena foi registrada em 19 de julho de 2025.
Retrato (série narrativa) | Arez Ghaderi
A séria intitulada “Infância perdida” mostra retratos de crianças trabalhando em olarias. O fotógrafo alemão Arez Ghaderi fez os registros na vila de Sultanpur em Sarkhrod, Nangarhar, no Afeganistão, onde mais de 150 olarias operam.

Muitas famílias dependem desse trabalho, e as crianças começam antes do amanhecer, trabalhando com seus pais até cumprir a cota diária. Um pai e seus filhos podem produzir cerca de 1 mil tijolos por dia por pouco pagamento.
Com a única escola da vila fechada devido à falta de apoio, a educação parou, e a fabricação de tijolos define a vida cotidiana. Combustível de baixa qualidade enche o ar com fumaça densa, prejudicando o meio ambiente e a saúde das crianças.
Vida Cotidiana (foto única) | Diego Ibarra, The New York Times
A imagem premiada intitulada “Educação no Afeganistão” documenta uma escola informal ao ar livre para meninas afegãs, no distrito de Chapar Har.

A falta de recursos e a proibição da educação para meninas continuam a comprometer o direito à educação, afetando quase 2,2 milhões de estudantes.
O Afeganistão permanece como o único país do mundo onde meninas e mulheres são proibidas de frequentar o ensino médio e superior.
Vida Cotidiana (série narrativa) | Diego Ibarra, The New York Times
O fotógrafo espanhol Diego Ibarra também levou o primeiro lugar na categoria “Vida cotidiana narrativa”, com a série “Reimaginando a Síria”, fotografada para o The New York Times.
O ensaio fotográfico tem como objetivo de capturar a vida cotidiana em Latakia, Idlib, Aleppo e Damasco. Reflete a vontade de um povo que busca avançar além da ditadura e do isolamento em direção a um novo começo, mesmo com desafios profundos ainda presentes.

Natureza e Meio Ambiente | Olesya Kurpyayeva, Agence France-Presse
A imagem premiada intitulada “Bebê manute Yana” mostra um fóssil de um filhote de mamute. Os cientistas realizam uma necropsia no filhote na Universidade Federal do Nordeste em Yakatsk, Rússia.

O registro, feito em março de 2025, mostra a carcaça que foi desenterrada no verão perto da estação de pesquisa Batagaika na região da Yakútia. A idade geológica de Yana foi inicialmente estimada em 50 mil anos, mas posteriormente foi atualizada para mais de 130 mil anos.
Reportagem de Natureza e Meio Ambiente | Josh Edelson, Agence France-Presse
O fotógrafo americano Josh Edelson retratou os devastadores incêndios florestais na Califórnia.

O incêndio em um subúrbio de Los Angeles atingiu edifícios e provocou evacuações em 7 de janeiro, enquanto ventos com força de furacão varriam a região.
Mais de 80 hectares queimaram em Pacif Palisades, um local de casas de luxo nas montanhas de Santa Monica. Do lado norte da cidade, outro incêndio começou em Eaton Canyon, perto de Pasadena, consumindo rapidamente 81 hectares.
Esportes (foto única) | Alex Whitehead, SWpix
O momento da colisão durante o Campeonato Mundial de Ciclismo de Pista da UCI de 2025, realizado no Chile, foi a imagem do fotógrafo britânico premiada com o primeiro lugar na categoria Esportes.

A imagem intitulada “Acidente” mostra Lorena Wiebes (direita) e Lisa van Belle (esquerda), da Holanda no momento em que colidem na prova feminina de Madison, no Velódromo Peñalolén, Santiago, em 25 de outubro de 2025.
Reportagem Esportiva | Tariq Zaidi
O fotógrafo do Reino Unido registrou a tradição secular da “Luta Nuba: Sobrevivência Cultural e Dignidade Humano em meio à guerra no Sudão” e venceu na categoria Reportagem Esportiva do concurso de fotografia jornalística Istambul Photo Awards.
No Sudão, na região de Kordofan do Sul, a luta Nuba continua a atrair multidões apesar de anos de conflito e deslocamento. A tradição centenária é mais que um esporte: serve como um fio vital da identidade cultural de uma comunidade sob ameaça.

Nos campos de luta, jovens e idosos se reúnem, não apenas para assistir às competições, mas para afirmar a história compartilhada, os valores e a resiliência.
Para o povo Nuba, essas competições são uma forma de manter a coesão social, preservar seu patrimônio e afirmar a dignidade diante da guerra. O esporte conecta cultura, sobrevivência e esperança.
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