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A um mês da Copa, pais de jornalista esportivo francês preso por terrorismo na Argélia apelam por sua libertação

Christophe Gleize retirou recurso contra a condenação a sete anos de cadeia na esperança de receber um perdão presidencial

Christophe Gleizes, jornalista francês condenado na Argélia

Christophe Gleizes, jornalista esportivo francês condenado a 7 anos de prisão na Argélia (foto: rede social)




A mãe e o padrasto do jornalista francês Christophe Gleizes quebraram o silêncio durante uma coletiva de imprensa na sede da organização Repórteres Sem Fronteiras nesta terça-feira (5), pedindo sua libertação quase um ano após ter sido detido e condenado na Argélia.

Como a Copa do Mundo da FIFA de 2026 – que acontecerá em um mês nos Estados Unidos, Canadá e México – reunirá o mundo inteiro, incluindo a Argélia, Sylvie e Francis Godard, juntamente com a RSF e a So Press, veículo esportivo do qual ele é colaborador, pediram em Paris uma mobilização mais ampla da comunidade esportiva para garantir a libertação de Gleizes.

Coletiva de imprensa pais do jornalista francês preso na Argélia
Foto: divulgação RSF

Preso em 28 de maio de 2024, Christophe Gleizes foi condenado em junho de 2025 a sete anos de prisão por “glorificar o terrorismo” e “possuir publicações para fins de propaganda prejudiciais aos interesses nacionais” – acusações totalmente infundadas, de acordo com a RSF.

A sentença foi confirmada em recurso em dezembro de 2025 pelo tribunal de Tizi Ouzou. Agora, como parte do esforço para ganhar a liberdade, a defesa retirou o pedido de recurso ao Tribunal de Cassação e está aguardando um possível perdão do presidente Tebboune.

Pedido de perdão do presidente

Na coletiva, realizada após a volta do casal da Argélia, eles apelaram ao líder do país:

“Christophe decidiu retirar seu recurso ao Tribunal de Cassação. É um ato muito forte e simbólico. Não há mais obstáculos legais que possam atrapalhar um perdão; nosso filho está se colocando inteiramente nas mãos da clemência do presidente Tebboune. Nosso filho é inocente; ele não tem lugar atrás das grades.

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, domingo, 3 de maio, vários clubes da Ligue 1 e da Ligue 2 expressaram seu apoio a Christophe Gleizes, incluindo o RC Lens, que sediou um amistoso contra o FC Rouen no sábado, 11 de abril, em sua homenagem.

“Christophe não é um inimigo da Argélia, mas um entusiasta do futebol – particularmente do futebol africano”, disse Franck Annese, fundador da So Press.

“Nossa mobilização para sua libertação não é política; faz parte da defesa das liberdades civis. Se os jogadores optarem por se envolver, seria do ponto de vista humanitário, em apoio a um jornalista esportivo que alguns deles conhecem pessoalmente. Também convito o presidente Tebboune para ajudar a garantir que Christophe possa retornar à sua família”.

Jornalista esportivo francês cobria clube e atletas africanos

Christophe Gleizes é coautor do livro “Magique Système: L’Esclavage Moderne des Footballeurs Africains”, publicado em 2018 com Barthélémy Gaillard, e é reconhecido por sua dedicação à cobertura das histórias de atletas africanos.

Com mais de doze anos de experiência como jornalista esportivo, Gleizes viajou à Argélia em maio de 2024 para cobrir a era de ouro do clube Jeunesse Sportive de Kabylie (JSK), dos anos 1980.

Também planejava escrever sobre a morte do camaronês Albert Ebossé, ocorrida dez anos antes, além de entrevistar o técnico do Mouloudia Club de Argel, Patrice Beaumelle, e fazer um perfil do jogador Salah Djebaïli, a pedido da revista So Foot, que condenou a sentença aplicada pela justiça argelina.

Mas acabou preso e condenado.

Por que Gleizes foi preso

De acordo com a RSF, a base da denúncia é o fato de Gleizes ter se encontrado em 2015, 2017 e 2024 com o presidente do clube JSK — que também é figura destacada no Movimento para a Autodeterminação da Cabília (MAK), designado grupo terrorista pelo governo argelino em 2021.

A RSF destaca que os dois primeiros encontros ocorreram antes da designação, e que o contato de 2024 foi exclusivamente jornalístico, conforme atestam documentos do próprio processo.


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