Cerca de 30% dos americanos acreditam que Donald Trump forjou pelo menos um atentado contra ele nos últimos dois anos. A informação é de uma pesquisa feita pelo site de combate à desinformação NewsGuard e pela empresa de pesquisa YouGov.
As entrevistas para o levantamento – que mostra resultados diferentes dependendo da idade e do partido político das pessoas ouvidas – aconteceram dias após a última tentativa de ataque contra Trump, quando Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia, tentou invadir o jantar de correspondentes da Casa Branca em Washington D.C e foi preso.
O caso abriu espaço para teorias da conspiração , cujo impacto a pesquisa atestou. Nesta segunda-feira (11) Allen disse no tribunal que era inocente das acusações apesar de vídeos documentando a ação.
Sobre a pesquisa
Ao todo, o levantamento ouviu 1.000 americanos entre os dias 28 de abril e 4 de maio deste ano. A pesquisa mencionou especificamente três tentativas de assassinato contra Trump: duas delas quando ele era candidato, em 2024, e a terceira neste mês, já no seu segundo mandato.
Os participantes, que tinham ao menos 18 anos, respondiam se acreditavam que as tentativas de assassinato eram reais, encenadas ou se não tinham certeza sobre o assunto.
Tentativas de assassinato contra Trump
A primeira tentativa de assassinato investigada contra Trump aconteceu em julho de 2024. Na ocasião, um atirador baleou o então candidato à presidência de raspão na orelha durante um comício.
Uma pessoa que estava na plateia morreu e o atirador, que estava em cima de um telhado, foi assassinado.
Meses depois, em setembro daquele ano, o ainda candidato Trump sofreu outra tentativa de assasinato. Desta vez, o suspeito estava escondido dentro de arbustos no no Trump International Golf Club em West Palm Beach, na Flórida.
Enquanto o republicano jogava golfe, um agente do Serviço Secreto percebeu o cano de uma arma saindo de dentro dos arbustos e atirou contra o suspeito. O homem acabou preso após fugir e recebeu condenação à prisão perpétua neste ano.
Caso mais recente foi no jantar dos correspondentes
A situação mais recente aconteceu no Washington Hilton, que sediava o jantar dos correspondentes da Casa Branca, em abril deste ano. Tiros aconteceram minutos após Trump se sentar no salão principal e, apesar da situação acontecer fora do salão onde o presidente estava, ela causou pânico entre os mais de dois mil convidados.
Entre os presentes no local estavam jornalistas dos principais veículos dos Estados Unidos e correspondentes internacionais. Quem estava mais perto da entrada do jantar relatou que ouviu de oito a dez disparos.
Agentes do Serviço Secreto correram para proteger o presidente, a primeira-dama e o vice-presidente, retirando-os rapidamente do local. Já os jornalistas e convidados, por sua vez, se abrigaram sob as mesas.
Allen entrou no perímetro de segurança por ser hóspede do hotel. Após troca de tiros, os agentes o imobilizaram e prenderam.
Trump publicou na Truth Social imagens do suspeito caminhando no prédio. De acordo com autoridades, Allen estava armado com uma espingarda, uma pistola e facas.
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Menos de 50% têm certeza de tentativa de assassinato
O número de pessoas que dizem ter certeza de que ao menos uma das tentativas de assassinato era real foi parecido para os três casos, girando entre 45% e 48%.
Já o número dos que acreditam que Trump forjou os ataques variou entre 16% (para o caso de um atentado em um campo de golfe na Flórida) e 24% para as outras duas tentativas, que aconteceram durante eventos ao vivo.
A quantidade de pessoas que disseram não ter certeza sobre o assunto varia de 29% a 36%, sendo sempre maior do que o número daqueles que têm certeza de que o presidente forjou as tentativas de assassinato.
Segundo o NewsGuard, quando cruzados, os dados mostram que 30% dos americanos ouvidos não acreditam em pelo menos um dos atentados.
Democratas acreditam mais em armações
Ao analisar os partidos das pessoas ouvidas, os dados ficam ainda mais diferentes. No caso dos democratas, 21% deles acreditam que todos os atentados foram forjados por Trump. Entre os independentes ouvidos, o número é de 11% e no caso dos republicanos o número é de 3%.
Entre os que acreditavam que todos os incidentes eram verdadeiros, apenas 15% eram democratas. Outros 38% eram independentes e 47% eram republicanos.
Em relação à faixa etária, os jovens estão entre os mais céticos. Enquanto 32% dos que têm entre 19 e 29 anos acreditam que Trump encenou os atentados, a porcentagem entre os que têm 65 anos ou mais e acreditam em armação é de 15%.
Descrença abre espaço para teorias da conspiração
A descrença em torno das tentativas de atentado contra trump dá espaço para a criação de teorias da conspiração, tanto para apoiadores dos republicanos, quanto para a oposição.
Somente na rede social X, o termo “encenado” apareceu mais de 300.000 vezes após o ataque ao jantar dos correspondentes.
As teorias são diversas e vão desde um plano de Trump para ganhar simpatia dos seus apoiadores até uma suposta arquitetura para acelerar seus planos megalomaníacos para um salão de baile na Casa Branca. Em todos os casos, a Justiça dos EUA entendeu que os autores agiram sozinhos.
Atirador declarou inocência
O Departamento de Justiça dos EUA acusou Allen de quatro crimes diferentes após a tentativa de atentado contra Trump.
O homem responde por agressão com arma letal a um agente americano e por disparo de arma de fogo em crime violento. Além disso, ele responde por tansporte de arma de fogo e transporte de munição interestadual com intenção de cometer crime.
Mesmo com imagens de câmeras de segurança registrando sua movimentação, Allen declarou, por meio de sua defensora pública, inocência nesta segunda-feira (11) diante de um juiz federal.
Assim como no caso do atirador da Flórida, o homem pode ser sentenciado à prisão perpétua.
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