O jornal The New York Times anunciou nessa segunda-feira (18) que abriu um novo processo judicial contra o Departamento de Defesa dos Estados Unidos por restringir o acesso de jornalistas ao Pentágono.
Acusando o Governo Trump de violar a primeira emenda, que garante a liberdade de expressão, o novo processo é um desdobramento de outra ação judicial movida pelo jornal americano, que acabou com uma retaliação por parte dos EUA a todos os correspondentes que trabalhavam no prédio militar desde maio.
Novas regras do Pentágono
O The New York Times moveu o primeiro processo judicial contra o Departamento de Defesa dos EUA em dezembro de 2025, pouco após a imposição de uma nova regra de credenciamento no Pentágono.
De acordo com as regras, jornalistas precisavam assinar um contrato de 21 páginas que restringia suas atividades para trabalhar. O contrato os proibia de pedir sugestões de reportagens ou fazer perguntas a funcionários fora de entrevistas oficiais, consideradas pelo NYT como “exclusão arbitrária”.
Em um gesto coletivo de protesto, no dia da aplicação das restrições, um grupo de repórteres do Times e de outros grandes veículos de imprensa devolveu suas credenciais e deixou o prédio junto. Seus crachás foram redistribuídos a veículos e influenciadores simpáticos ao governo Trump.
Desde 2025, quem chefia o Pentágono é Pete Hegseth, um ex-militar e ex-apresentador da Fox News. Em seus pronunciamentos, ele constantemente critica a grande mídia dos Estados Unidos, acusando jornais tradicionais de “mentirem”.
Juiz deu razão ao The New York Times no primeiro processo
Em março, o juiz federal Paul Friedman concluiu que a política imposta pelo Pentágono e violava garantias constitucionais básicas, em resposta ao primeiro processo, impetrado 2025.
Ele mandou o órgão devolver os crachás de oito jornalistas do NYT pois entendeu que as regras infringiam a Primeira Emenda, por restringirem a liberdade de imprensa, e Quinta Emenda, por permitirem punições sem o devido processo legal.
Retaliação a jornalistas
Ao ser obrigado a devolver as credenciais ao The New York Times, o órgão decidiu dobrar a aposta e proibir totalmente os correspondentes dentro do Pentágono.
O Corredor dos Correspondentes, que existia na instituição desde a sua abertura, na década da 1940, foi desativado e os repórteres foram obrigados a trabalhar em um prédio anexo.
A justificativa de Sean Parnell, porta-voz do Pentágono, foi de que o governo criaria um “novo e melhorado espaço” para os jornalistas. Na prática, porém, a situação é diferente: agora, repórteres só podem andar dentro do prédio se estiverem escoltados por oficiais, segundo a decisão de março. Foi esta decisão que culminou no processo atual.
O novo processo
De acordo com o novo processo movido pelo The New York Times, a política de escolta a jornalistas que estão dentro do Pentágono, que vigora desde maio, é incostitucional e deve ser derrubada. A ação judicial foi protocolada no Tribunal Distrital dos EUA, em Washington.
Enquanto antes os repórteres tinham uma área voltada só para a imprensa. Agora, eles precisam ligar ou enviar um e-mail para agendar um horário antes de fazer uma entrevista. Após a resposta, eles são escoltados para ir até o oficial escalado fazer a entrevista que desejam.
Isso significa que os repórteres credenciados, antes com liberdade de circular em grande parte do Pentágono, agora estão o tempo todo sob vigilância. Aos olhos do jornal isso é uma uma ação retaliatória que torna as credenciais dos repórteres “totalmente inúteis”.
Para o Pentágono, porém, a medida é uma forma de “proteger informações confidenciais”.
Em posicionamento sobre o assunto, o porta-voz Sean Parnell afirmou que a política serve “para proteger informações de segurança nacional contra divulgação criminosa e ilegal”.
Histórico de processos
Meses antes do processo movido contra o governo, Donald Trump protocolou uma ação de difamação contra o jornal, pedindo US$ 15 bilhões em indenização.
A indenização pedida tinha relação com reportagens sobre o envolvimento de Trump com o empresário Jeffrey Epstein, condenado por pedofilia. O juiz rejeitou a petição inicial, mas deu prazo para nova reapresentação.
Outro juiz deu uma decisão semelhante em uma ação movida por Trump contra o The Wall Street Journal.
O presidente dos EUA também acusou o jornal de difamação, mas a justiça da Flórida entendeu que as alegações de Trump foram insuficientes, abrindo espaço para uma nova petição por parte dos advogados do presidente.
Os processos sequenciais de Trump são um dos sinais de enfraquecimento da liberdade jornalística no país.
De acordo com um levantamento do Repórteres Sem Fronteiras, a criminalização ao dever dos jornalistas é uma das maiores ameaças à democracia na atualidade. Em 2026, inclusive, os EUA perderam sete posições no ranking de liberdade de imprensa, ficando em 64ª posição, atrás do Brasil.






