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Confiança na mídia

O que torna alguém um bom consumidor de notícias? Pesquisa aponta que é saber desconfiar

Pew Research Center constatou também que apenas 4% dos entrevistados mencionaram ‘não compartilhar informações imprecisas como uma prática importante

Estátua homem lendo jornal

Foto: Eberhard Grossgasteiger / Unsplash




Em meio a uma crescente desconfiança na imprensa tradicional e também no conteúdo informativo que circula nas redes sociais, uma nova pesquisa do Pew Research Center procurou entender o que os americanos consideram “ser um bom consumidor de notícias”.

O resultado ajuda a dimensionar esse ambiente: a característica mais mencionada foi justamente a desconfiança. Segundo o Pew, 20% dos entrevistados citaram ceticismo ou senso crítico ao responderem, em pergunta aberta, o que torna alguém um bom consumidor de notícias.

A pesquisa não mostra necessariamente o que as pessoas fazem na prática, mas o que dizem considerar ideal.

Ainda assim, as respostas ajudam a observar como parte do público acredita que deve navegar por um ecossistema de notícias cada vez mais confuso, fragmentado e disputado — uma questão relevante para jornalistas e veículos que tentam reconstruir relações de confiança com suas audiências.

Confiança na mídia e ceticismo

O estudo faz parte da Pew-Knight Initiative e ouviu 3.560 adultos dos Estados Unidos, todos integrantes do American Trends Panel do instituto. Os resultados são uma combinação de respostas à pergunta aberta sobre o que torna alguém um “bom consumidor de notícias” com aprofundamento das opiniões em grupos focais.

Segundo o Pew, alguns participantes mencionaram pensamento crítico ou a ideia de receber informações “with a grain of salt”, expressão em inglês que significa receber uma informação com cautela, sem acreditar imediatamente nela.

Outros disseram que não se deve acreditar em tudo que se ouve, e alguns alertaram para a propaganda política presente nas notícias.

Confiança na mídia e hábito de se informar

A segunda característica mais citada é o hábito de acompanhar o noticiário e se manter informado. Essa ideia apareceu em 17% das respostas.

O instituto observa, porém, que essa valorização não aparece da mesma forma entre todos os grupos, corroborando a preocupação com os hábitos de gerações mais novas e seu impacto sobre o jornalismo.

Segundo o Pew, 47% dos adultos americanos dizem que é extremamente ou muito importante que as pessoas consumam notícias regularmente. Essa atitude é menos comum entre adultos mais jovens.

O Pew relaciona esse dado a outro comportamento: cerca de metade dos americanos, e uma grande maioria dos jovens adultos, dizem consumir notícias principalmente porque “acabam encontrando” esse conteúdo, e não porque estão procurando por ele.

Confiança na mídia e qualidade das fontes

Outra categoria destacada na pesquisa é a qualidade das fontes. Segundo o Pew, 13% dos entrevistados disseram que um bom consumidor de notícias avalia cuidadosamente as fontes que utiliza.

Entre as respostas citadas pelo instituto estão buscar veículos respeitáveis, acompanhar organizações jornalísticas sem viés e procurar fontes com altos padrões de reportagem, precisão e cobertura justa e equilibrada, evitando a desinformação e a manipulação.

No entanto, o Pew salienta que essa avaliação se torna mais difícil porque as opiniões sobre quais veículos são confiáveis variam amplamente, especialmente por partido político.

E lembra que em uma pesquisa sobre confiança sobre 30 veículos de mídia americanos realizada no ano passado, nenhum deles alcançou a maioria.

Confiança na mídia e checagem própria

Outro comportamento citado pelos participantes foi pesquisar ou checar as informações por conta própria. Segundo o Pew, 12% disseram que um bom consumidor de notícias faz esse tipo de verificação.

De acordo com o instituto, isso pode incluir verificar múltiplas fontes, pesquisar na internet e questionar o que dizem organizações jornalísticas ou fontes oficiais.

O Pew informa ainda que a grande maioria dos americanos, 82%, diz fazer sua própria pesquisa ao menos algumas vezes para checar a precisão das notícias.

Confiança na mídia e variedade de fontes

Diante desse cenário, 10% dos americanos disseram que um bom consumidor de notícias obtém informação de uma variedade de fontes.

Segundo o Pew, considerando que os americanos confiam e desconfiam de diferentes veículos, faz sentido que parte deles associe o bom consumo de notícias a buscar mais de uma fonte.

Nos grupos focais, uma mulher na faixa dos 50 anos disse, de acordo com o Pew, que é importante checar, verificar, reunir notícias de múltiplos tipos de mídia e de múltiplas fontes, para então chegar à própria conclusão sobre o que está correto ou não.

O Pew separa essa ideia da busca por uma variedade de perspectivas, mencionada por 7% dos entrevistados.

Segundo o instituto, essa resposta aparece com frequência em relação à política e à tentativa de acessar diferentes pontos de vista.

Alguns participantes disseram que um bom consumidor de notícias se esforça para obter “os dois lados de uma questão”.

Em um dos grupos focais, um homem na faixa dos 30 anos afirmou que o caminho correto é consumir notícias de múltiplas fontes, de todos os lados, para poder chegar aos fatos.

Confiança na mídia depois do consumo

Na parte final do levantamento, o Pew aborda o que as pessoas consideram importante fazer depois de se informar.

Apenas 4% disseram que um bom consumidor de notícias não compartilha informação imprecisa.

Nos grupos focais, uma mulher na faixa dos 20 anos relatou que costumava ter o mau hábito de enviar vídeos sem assisti-los até o fim, para depois perceber que a outra metade do conteúdo não era tão boa.

Por fim, 3% dos entrevistados disseram que usam as notícias para tomar decisões ou melhorar suas vidas.


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