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Regulação de plataformas

Associação médica britânica pede proibição de redes para menores de 16: ‘o novo cigarro’  

Documento enviado ao governo trata a exposição sem controle de crianças a plataformas digitais como questão de saúde pública e cita riscos observados em atendimentos médicos.

Crianças sentadas em um banco de praça com o celular nas mãos.

Lei na Austrália proibiu menores de 16 anos de acessarem redes sociais (Imagem: screenshot da campanha "For The Good Of / Reprodução/X)




A Academy of Medical Royal Colleges (AoMRC) do Reino Unido defendeu que o governo britânico proíba o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, comparando a preocupação médica com telas, dispositivos e conteúdos online à mobilização profissional provocada por debates históricos sobre tabagismo e segurança no trânsito.

A manifestação da entidade, que reúne associações profissionais de especialidades médicas do Reino Unido e da Irlanda, foi enviada nesta segunda-feira (25) à consulta pública Growing up in the online world, aberta para orientar as propostas que o governo pretende apresentar ao Parlamento sobre segurança infantil no ambiente digital.

Proibição de redes sociais para crianças entra em consulta no Reino Unido

No relatório submetido ao governo, a entidade afirmou que o impacto da exposição sem controle de crianças e jovens a telas, dispositivos e conteúdos online deixou de ser uma preocupação isolada e passou a ocupar posição central para a profissão médica.

A associação sustenta que médicos já observam, na prática clínica, sinais de danos ligados ao uso de redes sociais e outros ambientes digitais.

Por isso, defende que o tema seja tratado como questão de saúde pública, e não apenas como responsabilidade individual de famílias ou escolas.

AoMRC compara redes sociais ao cigarro

O documento menciona danos associados ao uso de redes sociais, telas e conteúdos online observados pelos médicos, como problemas de sono, piora da imagem corporal, solidão, depressão, automutilação, transtornos alimentares, obesidade e dificuldades de regulação emocional.

A AoMRC também cita acidentes tratados pelos médicos, incluindo crianças que sofreram queimaduras ao imitar desafios vistos online e adolescentes expostos a conteúdos nocivos, enganosos ou inadequados nas plataformas. 

A entidade listou exemplos relatados por um profissional de crise do CAMHS (serviços de saúde mental para crianças e adolescentes no Reino Unido), nos seis meses anteriores:

  • uma criança que tirou a própria vida depois de ver conteúdo online;
  • uma criança atendida em emergência, em sofrimento, após entrar em um pacto virtual de suicídio com crianças de várias outras escolas;
  • uma criança que ameaçou matar familiares com uma arma depois de assistir a vídeos de tortura em redes sociais de fácil acesso, não na dark web;
  • uma criança atendida em emergência após tomar uma overdose, depois de assistir a vídeos no TikTok que indicavam o tipo e a quantidade de droga a tomar com base no peso corporal e os efeitos esperados;
  • uma jovem que deixou de frequentar a escola depois de ser filmada nos banheiros da instituição; o vídeo foi compartilhado e visto por milhares de pessoas nas redes sociais;
  • uma jovem aliciada online para produzir conteúdo sexualmente explícito em troca de dinheiro. 

Associação médica defende restrição para menores de 16 anos

Além de recomendar que o governo britânico considere uma proibição de acesso às redes sociais para menores de 16 anos, a entidade também defende restrições mais amplas a recursos das plataformas que possam intensificar o uso compulsivo ou expor crianças a danos.

Para a associação, empresas de tecnologia devem ser responsabilizadas por reduzir a exposição de crianças a conteúdos prejudiciais.

A proteção infantil, segundo a entidade, não deve depender apenas da capacidade de pais, responsáveis e escolas monitorarem o uso da internet.

O documento também propõe mudanças no atendimento médico. A AoMRC recomenda que profissionais de saúde recebam orientação para identificar sinais de uso prejudicial de redes sociais, telas e conteúdos online durante consultas com crianças e adolescentes.

A entidade sugere ainda que esses sinais sejam registrados de forma mais sistemática, para que o sistema de saúde consiga acompanhar melhor os possíveis impactos físicos e mentais da vida digital sobre crianças e jovens.

Debate sobre redes sociais e crianças acompanha outros países

A manifestação da AoMRC cita a Austrália como exemplo de país que adotou uma restrição mais dura, que entrou em vigor em dezembro de 2025.

A lei australiana obriga plataformas a tomar medidas razoáveis para impedir que menores de 16 anos mantenham contas em redes sociais, sem que o consentimento dos pais possa substituir essa regra.

No Reino Unido, ainda não há uma decisão final sobre o formato da regulação. A contribuição da AoMRC integra uma consulta pública que deve servir de base para as propostas que o governo poderá levar ao Parlamento.

O documento completo da AoMRC pode ser visto aqui.


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