Alvo de ameaças há duas décadas por sua cobertura do crime organizado e sob proteção do Estado, o jornalista colombiano Cristian Herrera foi morto no sábado (6) em Cúcuta, cidade na fronteira entre Colômbia e Venezuela, enquanto estava com a família em um carro seguindo para um almoço familiar.
Sua esposa, Karla Gabriela Niño Claro, relatou à Repórteres Sem Fronteiras (RSF): “Eles o mataram na nossa frente”.
Segundo a RSF, Herrera é o segundo jornalista assassinado na Colômbia em 2026 e o nono desde o início do governo de Gustavo Petro, em agosto de 2022.
Herrera, de 50 anos e pai de dois filhos, estava sob o programa estatal colombiano de proteção desde 2014.
Editor-chefe dos veículos digitais Cúcuta Real e Cúcuta al Rojo Vivo, ele cobria crime organizado, tráfico de drogas, contrabando, corrupção e violência armada em Norte de Santander, uma das regiões mais perigosas da Colômbia.
O jornalista também tinha intensa atividade nas redes sociais, e meia hora antes do crime fez a última postagem no X, sobre senador de Norte de Santander, mencionando o cancelamento de um visto para os EUA e um processo de extinção de domínio de uma ação judicial.
#UnDato. A un recién elegido Senador d Norte de Stnder q iba para Estados Unidos le dañaron el viaje, xq le cancelaron la visa y le tocó cambiar d planes. Lo peor es q la Fiscalía le tendría orden de trabajo para extinción d dominio. ¡Todo por una condena!. Suenan las sirenas.
— cristian herrera (@chherrera76) June 6, 2026
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Jornalista morto na Colômbia estava sob proteção estatal
Ex-repórter policial dos jornais La Opinión e Q’hubo Cúcuta, Cristian Herrera também colaborava com o Noticias Cúcuta 75 e atuava como correspondente e integrante da Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), parceira da RSF.
Segundo a organização, Herrera denunciava ameaças relacionadas ao seu trabalho havia mais de duas décadas.
Em 2017, sobreviveu a uma tentativa de assassinato e foi forçado a deixar a Colômbia em duas ocasiões: primeiro para o Chile e depois para a Espanha, onde permaneceu com a família por meio de um programa temporário de realocação para jornalistas ameaçados mantido pela RSF.
Em nota, a organização afirmou que “qualquer investigação sobre o assassinato deste renomado jornalista, que estava sob proteção do Estado, deve levar em consideração as repetidas ameaças que recebeu no passado, seus dois períodos de exílio forçado e uma tentativa de assassinato da qual conseguiu escapar”.
RSF pede investigação rápida e independente
A RSF pediu a identificação e responsabilização dos autores do crime e dos mandantes, além de uma revisão da adequação das medidas de proteção oferecidas a Herrera.
A entidade também solicitou garantias de segurança para jornalistas ameaçados em Norte de Santander, especialmente profissionais próximos a ele que enfrentam riscos, entre eles José Ignacio Arango.
De acordo com uma publicação da Unidade Nacional de Proteção (UNP) na rede social X, Herrera estava em um veículo da instituição no momento do assassinato.
Segundo o relato de Karla Gabriela Niño Claro, após atirar contra o jornalista, o agressor parou e olhou para os familiares enquanto ela pedia à filha que se afastasse, temendo que também fossem alvo de disparos.
A UNP informou ainda que a ausência de escoltas ocorreu em resposta a um “pedido expresso e voluntário do jornalista”.
O Escritório do Defensor do Povo da Colômbia solicitou que o Ministério Público investigue os temas cobertos por Herrera, os riscos aos quais estava exposto e possíveis vínculos entre o assassinato e a situação de violência em Norte de Santander e na região de Catatumbo.
Segundo jornalista assassinado na Colômbia em 2026
Ao comentar a trajetória do marido, Karla Gabriela Niño Claro destacou seu compromisso com a profissão.
“Para honrar seu amor pela liberdade de imprensa, seu trabalho e seu compromisso, peço que seu assassinato seja devidamente investigado e que Cristian não se torne apenas mais um caso na Colômbia.”
José Ignacio Arango, colega de Herrera, fundador do Noticias Cúcuta 75 e também beneficiário de proteção estatal, descreveu o jornalista como uma referência regional.
“Cristian foi um dos maiores exemplos de amor ao jornalismo em Norte de Santander. Com mais de 20 anos de experiência, conhecia os riscos de trabalhar em uma região como esta, mas isso nunca o paralisou.”
A morte de Herrera ocorreu um mês após o assassinato de Mateo Pérez Rueda, editor-chefe do veículo digital El Confidente, no departamento de Antioquia, segundo a RSF.
Cúcuta é o principal centro urbano de Norte de Santander, departamento que inclui a região de Catatumbo, área marcada pela presença de grupos armados, rotas de tráfico de drogas, contrabando, passagens ilegais de fronteira e disputas pelo controle territorial.
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