Uma campanha de desinformação ligada ao Kremlin usou a imagem de Kylian Mbappé para espalhar fake news contra Emmanuel Macron, afirmando que o jogador teria acusado o presidente francês de tê-lo assediado sexualmente durante anos e que isso teria sido o motivo de sua transferência para o futebol espanhol.
O conteúdo começou a circular poucos dias antes de a seleção francesa embarcar para a Copa do Mundo e já alcançou milhões de visualizações nas redes sociais, segundo a plataforma de monitoramento de desinformação NewsGuard.
A narrativa foi divulgada por meio de um vídeo falsamente atribuído à emissora esportiva Eurosport e integra uma estratégia mais ampla de desinformação direcionada a um dos principais aliados da Ucrânia na Europa.
Fake news sobre Mbappé e Macron viralizou antes da Copa do Mundo
Dias antes do início do Mundial, usuários pró-Kremlin na plataforma X passaram a compartilhar um vídeo em francês acompanhado por um artigo que exibia o logotipo da rede de TV esportiva europeia Eurosport.
O material alegava falsamente que Kylian Mbappé teria acusado publicamente Emmanuel Macron de anos de assédio sexual.
Segundo dados monitorados pela NewsGuard, a alegação acumulou cerca de 14 milhões de visualizações em publicações em francês e inglês no X em apenas seis dias.
O vídeo afirmava que Mbappé teria deixado o Paris Saint-Germain para se transferir ao Real Madrid em 2024 com o objetivo de escapar de supostos “anos de assédio emocional e físico” praticados por Macron.
O material também exibia imagens reais do presidente francês ao lado do jogador para dar aparência de autenticidade à narrativa.

Entre os elementos utilizados estava um suposto áudio em que Mbappé afirmaria que a única forma de escapar da situação seria deixar o clube francês e o próprio país.
Site falso imitava a Eurosport
A alegação não foi publicada pela Eurosport. A origem do conteúdo foi rastreada até um site chamado Euro-Sport.fr, registrado anonimamente em 31 de maio de 2026, poucos dias antes da disseminação da história.
O artigo foi atribuído ao jornalista Martin Mosnier, profissional da Eurosport. Em resposta à NewsGuard, Mosnier classificou o material como uma “notícia grotesca de fake news” e afirmou que o site responsável pela publicação não possui qualquer ligação com a emissora.
A utilização de marcas conhecidas da mídia é uma tática recorrente em campanhas de desinformação, que buscam aumentar a credibilidade de conteúdos fabricados ao reproduzir elementos visuais de veículos jornalísticos legítimos.
Áudio atribuído a Mbappé tem sinais de manipulação
Não há registros de que Mbappé tenha feito qualquer acusação de assédio sexual contra Macron.
Além disso, o suposto áudio utilizado no vídeo apresenta indícios de manipulação. A gravação exibe padrões de fala pouco naturais e não corresponde à voz normalmente associada ao jogador francês.
Outro detalhe chamou atenção dos verificadores: o áudio pronuncia a sigla PSG de forma incorreta, como “PCG”, algo improvável para um atleta que atuou durante sete temporadas no Paris Saint-Germain.
Os elementos reforçam a avaliação de que o conteúdo foi produzido artificialmente para sustentar uma narrativa falsa.
Operação mira Macron pelo apoio à Ucrânia
O Projeto Gnida, grupo que monitora operações de influência ligadas à Rússia, afirmou que a campanha apresenta características compatíveis com ações atribuídas ao grupo Storm-1516.
A operação já foi associada anteriormente à disseminação de narrativas falsas direcionadas a Emmanuel Macron, especialmente em temas relacionados ao apoio francês à Ucrânia.
A escolha de Mbappé como protagonista da história amplia o potencial de alcance da campanha. Um dos atletas mais conhecidos do mundo, o atacante oferece aos operadores de desinformação uma figura capaz de atrair atenção global em um momento de grande interesse internacional pelo futebol.
Leia também | IA, drones, avatares e câmeras-aranha: entenda a tecnologia por trás da transmissão da Copa 2026
Leia também | Jogadores de futebol mais seguidos no Instagram disputarão a Copa do Mundo; veja quem são






